Segundo turno 2026: alianças decisivas para Presidente e Governadores
2026-10-06
Resumo executivo
Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno 2,22 milhões de votos à frente de Lula; para virar, Lula precisaria de cerca de 62% dos 9,3 milhões de votos dos candidatos eliminados (se todos votassem) ou de um saldo líquido equivalente em novos votantes, enquanto Flávio empata retendo 38%.
Placar do 1º turno (TSE, 100% das seções, 05/10 às 12h51): Flávio 47,03% (56.104.503) × Lula 45,16% (53.879.538) dos votos válidos; diferença de 2.224.965 votos.
Votos dos eliminados: 9.316.747 (7,81%): Cury 3,45 mi, Renan Santos 2,68 mi, Caiado 2,61 mi, Zema 0,33 mi, esquerda e direita menores 0,26 mi. O destino de cada grupo não consta dos dados.
Ponto de empate: se todos esses votos fossem para um dos dois finalistas, Lula empataria com 61,9% deles e Flávio, com 38,1%.
Três cenários nacionais (hipóteses): em A, B e C, Lula chega a 47,05%, 47,80% e 48,58% do total entre os dois, e a diferença final é de 6,91 mi, 5,15 mi e 3,31 mi a favor de Flávio, antes de qualquer saldo de comparecimento.
Participação: 33,47 mi de abstenções (21,08%). Um ponto percentual a mais de comparecimento em todos os estados, com os novos votantes votando como os atuais, desloca 34 mil votos líquidos para Flávio; só o Nordeste desloca para Lula (+136 mil por ponto). Ver a segunda análise.
Geografia: Lula lidera em 12 UFs (BA, CE, PE, MA, PI, PB, SE, RN, AL, PA, AM e AP) e Flávio em 15. As margens mais estreitas: AP (225 votos), TO (65 mil), AM (70 mil) e MG (589 mil, com 11,98 mi de votos válidos).
Governos: 20 estados definidos (3 do PT, 5 do PL, 3 do Republicanos, 9 de outros partidos) e 7 segundos turnos (RN, AM, AC, ES, RJ, TO, DF). RN (15.509 votos de diferença) e TO (13.412) são os mais apertados.
Coligações: o PT consta da coligação de 5 dos 20 governadores eleitos e o PL, de 10; em 5 (MT, MG, GO, PE, MA) nenhum dos dois consta.
Efeito de composição: em SP, Tarcísio teve cerca de 1,6 mi de votos a mais que Flávio; em MG, Patrus (PT) teve 17,0 pontos a menos que Lula e Flávio Roscoe (PL), 41,2 pontos a menos que Flávio.
Base de dados e método
Os resultados vêm dos arquivos públicos do TSE (Presidente e Governador, por UF e Brasil); as projeções de transferência são hipóteses de trabalho, não previsões, e o documento não toma partido por nenhum candidato.
Fonte: arquivos de resultados do TSE, 1º turno de 04/10/2026, posição de 05/10/2026 às 12h51, com 100% das seções totalizadas (499.248 de 499.248).
Base percentual: votos válidos na base do TSE, que inclui os votos sub judice; a conta alternativa (sem esses votos) aparece onde muda o resultado, no RJ e no DF.
Exterior: a soma dos estados dá 53.722.151 votos a Lula e 55.960.603 a Flávio; o total do Brasil (53.879.538 e 56.104.503) inclui 157.387 e 143.900 votos no exterior. As tabelas estaduais não os têm; as nacionais, sim.
Transferências: cada cenário atribui uma fração dos votos dos eliminados a cada finalista; os cenários A, B e C estão definidos na seção de cenários. Nos estados, os cenários nacionais são aplicados a cada estado e, nos segundos turnos estaduais, usa-se uma hipótese explícita por candidato eliminado.
Coligações: “PT na coligação” e “PL na coligação” vêm da lista de partidos registrada de cada candidato no arquivo do TSE; não medem apoio declarado a presidenciável. Esses rótulos substituem a classificação de “campo” da versão anterior deste documento.
O que não está nos dados: pesquisas de 2º turno, apoios oficiais, fusão de campanhas e mudança de comparecimento. Eles aparecem como variáveis a acompanhar.
Presidente: a aritmética do segundo turno
A diferença de 2,22 mi equivale a 23,9% dos votos dos eliminados; a vitória de cada lado depende da combinação entre o destino desses votos e o saldo de comparecimento.
| Item | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | 56.104.503 | 47,03% |
| Lula | 53.879.538 | 45,16% |
| Diferença (Flávio − Lula) | 2.224.965 | 1,87 p.p. |
| Votos soltos (outros candidatos) | 9.316.747 | 7,81% |
| Abstenções | 33.469.244 | 21,08% do eleitorado |
| Brancos / nulos | 2.300.798 / 3.669.003 | — |
Quem são os votos soltos: Cury 3.448.569, Renan Santos 2.675.887, Caiado 2.605.148, Zema 326.488, esquerda menor 203.731, direita menor 56.924.
Três fatos que definem a disputa:
Ponto de empate: com todos os votos dos eliminados indo a um dos dois, Lula empata com 61,9% e Flávio com 38,1%. Com 70% para Lula, ele vence por 1,50 mi; com 60%, perde por 362 mil; com 50%, perde por 2,22 mi.
Destino desconhecido: os dados não dizem para onde vão os 9,3 mi; Cury, Caiado e Zema (6,39 mi) e Renan Santos (2,68 mi) têm perfis distintos, e cada cenário abaixo é uma hipótese.
Comparecimento como segunda via: cada 1 mi de saldo líquido de votantes novos para um dos lados equivale a 5,3 pontos percentuais na fração dos eliminados (ver a segunda análise).
Retenção: se Flávio perdesse 4,0% dos seus eleitores (561 mil votos por ponto) e Lula nenhum, a diferença se anularia; a perda simétrica de 4,1% dos eleitores de Lula dobraria a diferença.
Presidente: geografia e estados decisivos
O Nordeste entrega a Lula uma vantagem de 11,1 mi de votos; o resto do país devolve 13,3 mi a Flávio, e é aí que a conta se decide.
| Região | Válidos | Lula | Flávio | Margem (positivo = Flávio) | Abstenção |
|---|---|---|---|---|---|
| Nordeste | 33,70 mi | 63,8% | 30,9% | −11.095.611 | 18,4% |
| Norte | 10,19 mi | 44,6% | 49,2% | +458.835 | 19,4% |
| Centro-Oeste | 9,08 mi | 32,6% | 56,5% | +2.170.393 | 21,7% |
| Sudeste | 48,48 mi | 39,7% | 51,4% | +5.662.211 | 22,7% |
| Sul | 17,51 mi | 31,3% | 60,1% | +5.042.624 | 20,5% |
Leitura: a maior abstenção está no Sudeste (22,7%) e a menor no Nordeste (18,4%). Como o Sudeste dá a Flávio 5,66 mi de margem e o Nordeste dá a Lula 11,10 mi, mais comparecimento no Sudeste (com novos votantes votando como os atuais) amplia a vantagem de Flávio e, no Nordeste, a de Lula; a segunda análise quantifica isso por estado.
Estados por peso em votos (margem de Flávio sobre Lula):
| Estado | Margem | Válidos | Lula / Flávio | Observação |
|---|---|---|---|---|
| SP | +3.416.610 | 24,88 mi | 38,2% / 51,9% | maior eleitorado; Tarcísio teve 62,7% a governador |
| PR | +1.890.748 | 6,59 mi | 31,2% / 59,9% | Moro (PL) eleito no 1º turno |
| SC | +1.872.852 | 4,50 mi | 25,0% / 66,7% | pior desempenho de Lula fora do Norte |
| RS | +1.279.024 | 6,42 mi | 35,7% / 55,6% | Juliana Brizola (PDT) teve 31,7% |
| RJ | +1.273.823 | 9,37 mi | 39,4% / 53,0% | 2º turno estadual |
| GO | +863.008 | 3,83 mi | 31,1% / 53,6% | 15,3% de votos soltos |
| MG | +588.612 | 11,98 mi | 43,3% / 48,2% | 2º maior eleitorado; Flávio à frente por 4,9 p.p. |
| PA | −263.280 | 4,86 mi | 49,9% / 44,5% | Lula à frente; Daniel (PODE) eleito governador |
| AM | −70.232 | 2,17 mi | 48,2% / 45,0% | Lula; 2º turno estadual |
| AP | −225 | 0,46 mi | 45,7% / 45,7% | empate técnico |
| TO | +65.312 | 0,93 mi | 43,4% / 50,4% | 2º turno estadual |
Margens estreitas: AP (Lula +225 votos), TO (Flávio +65 mil), AM (Lula +70 mil), PA (Lula +263 mil) e MG (Flávio +589 mil) somam 20,4 mi de votos válidos e, juntos, dão 320 mil votos de vantagem a Flávio; é onde uma mudança pequena de transferência ou comparecimento inverte o líder estadual. Em GO, 15,3% dos votos válidos são de candidatos eliminados, a maior proporção entre os estados.
Presidente: cenários de transferência e comparecimento
Nos três cenários, antes de qualquer saldo de comparecimento, Flávio lidera; a tabela mostra a diferença em cada um e o saldo líquido de novos votantes que a anularia.
| Cenário (hipótese de transferência do pool de 9,3 mi) | Lula | Flávio | Lula − Flávio | Lula % |
|---|---|---|---|---|
| A: pool pende para Flávio | 55.056.269 | 61.969.234 | −6.912.964 | 47,05% |
| B: base | 55.849.821 | 60.998.948 | −5.149.127 | 47,80% |
| C: pool pende para Lula | 56.727.622 | 60.040.036 | −3.312.414 | 48,58% |
O percentual é a fração de Lula no total dos candidatos após a redistribuição. Mesmo no cenário C, que é generoso com Lula, faltam 3,3 mi.
A alavanca do comparecimento. Se um eleitor que deixou de votar no 1º turno entrar e escolher Lula com probabilidade p, o saldo líquido por eleitor é (2p − 1). Quantos abstencionistas Lula precisa trazer para fechar a diferença:
| Lula leva, entre quem volta a votar | Cenário B (5,15 mi) | Cenário C (3,31 mi) |
|---|---|---|
| 60% | 25,7 mi | 16,6 mi |
| 70% | 12,9 mi | 8,3 mi |
| 80% | 8,6 mi | 5,5 mi |
Para efeito de escala: o total de abstenções é 33,5 mi, e brancos mais nulos somam 6,0 mi. Ou seja, a virada exige converter parte relevante dos ausentes, e a favor de Lula em proporção muito alta.
Direção inversa. Flávio também pode perder votos (por exemplo, eleitores de Caiado e Zema que prefiram não comparecer). Cada 1 mi de votos de Flávio que não comparece reduz a diferença em 1 mi, o que equivale a trazer 1,7 mi de abstencionistas a 80% para Lula.
Resultado por estado nos três cenários
Aplicando as mesmas frações nacionais aos votos dos eliminados de cada estado, Lula lidera em 10 UFs no cenário A e em 11 nos cenários B e C; AM muda de sinal entre A e B e AP passa a Flávio nos três.
Parâmetros dos cenários, em % dos 9.316.747 votos dos eliminados: A, Lula 12,6% e Flávio 62,9%; B, Lula 21,1% e Flávio 52,5%; C, Lula 30,6% e Flávio 42,2%; o resto não vota em nenhum dos dois. Diferença = votos de Lula menos votos de Flávio (positivo favorece Lula).
| UF | 1º turno | Votos dos eliminados | Cenário A | Cenário B | Cenário C |
|---|---|---|---|---|---|
| BA | +3.222.186 | 452.935 | +2.994.278 | +3.080.027 | +3.169.320 |
| PE | +1.815.928 | 309.003 | +1.660.444 | +1.718.944 | +1.779.861 |
| CE | +1.798.413 | 305.701 | +1.644.590 | +1.702.465 | +1.762.732 |
| MA | +1.327.261 | 205.098 | +1.224.060 | +1.262.889 | +1.303.322 |
| PI | +1.006.682 | 105.656 | +953.518 | +973.521 | +994.350 |
| PB | +709.750 | 141.243 | +638.679 | +665.419 | +693.264 |
| RN | +517.470 | 113.442 | +460.388 | +481.865 | +504.229 |
| SE | +438.180 | 90.338 | +392.724 | +409.826 | +427.636 |
| AL | +259.741 | 87.679 | +215.623 | +232.222 | +249.507 |
| PA | +263.280 | 271.978 | +126.426 | +177.917 | +231.535 |
| AM | +70.232 | 147.003 | −3.737 | +24.094 | +53.074 |
| AP | +225 | 40.077 | −19.941 | −12.354 | −4.453 |
| TO | −65.312 | 57.117 | −94.052 | −83.239 | −71.979 |
| RR | −156.902 | 19.803 | −166.866 | −163.117 | −159.213 |
| AC | −168.037 | 31.489 | −183.882 | −177.920 | −171.712 |
| DF | −233.989 | 187.565 | −328.368 | −292.858 | −255.882 |
| MS | −356.496 | 100.072 | −406.850 | −387.905 | −368.176 |
| RO | −402.321 | 64.404 | −434.728 | −422.535 | −409.838 |
| ES | −383.166 | 167.856 | −467.628 | −435.849 | −402.758 |
| MT | −716.900 | 113.026 | −773.772 | −752.374 | −730.092 |
| MG | −588.612 | 1.009.751 | −1.096.698 | −905.533 | −706.470 |
| GO | −863.008 | 587.055 | −1.158.402 | −1.047.262 | −931.529 |
| RS | −1.279.024 | 554.504 | −1.558.039 | −1.453.061 | −1.343.746 |
| RJ | −1.273.823 | 709.835 | −1.630.998 | −1.496.612 | −1.356.675 |
| SC | −1.872.852 | 373.709 | −2.060.895 | −1.990.145 | −1.916.471 |
| PR | −1.890.748 | 585.301 | −2.185.260 | −2.074.451 | −1.959.064 |
| SP | −3.416.610 | 2.455.512 | −4.652.174 | −4.187.299 | −3.703.217 |
Os estados somam −6,91 mi (A), −5,15 mi (B) e −3,32 mi (C), valores que coincidem com os nacionais dentro de 1 mil votos (a diferença está nos votos do exterior). Os votos dos eliminados estão concentrados em SP (2,46 mi), MG (1,01 mi), RJ (0,71 mi), GO (0,59 mi), PR (0,59 mi) e RS (0,55 mi), que somam 5,90 mi dos 9,29 mi dos estados e onde a diferença do 1º turno favorece Flávio. Nesses seis, mesmo no cenário C, a diferença continua entre −0,71 mi (MG) e −3,70 mi (SP). A diferença em MG varia de −1,10 mi (A) a −0,71 mi (C), e a de SP, de −4,65 mi (A) a −3,70 mi (C): as duas maiores amplitudes entre os cenários, porque são os estados com mais votos de eliminados.
O que cada candidato precisa: condições de vitória
As condições de cada lado são simétricas e dependem dos mesmos três fatores: a fração dos votos dos eliminados, o saldo de comparecimento e a retenção dos eleitores do 1º turno.
| Medida | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Votos no 1º turno (% dos válidos) | 53.879.538 (45,16%) | 56.104.503 (47,03%) |
| Diferença de partida | − | +2.224.965 |
| Fração dos eliminados para empatar (todos votam, sem saldo de comparecimento) | 61,9% | 38,1% |
| Fração obtida nos cenários A / B / C | 12,6% / 21,1% / 30,6% | 63,0% / 52,5% / 42,2% |
| Saldo líquido de comparecimento para virar no cenário B | +5,15 mi | 0 |
| Perda de eleitores do 1º turno que anula a diferença, sem perda do outro lado | 4,0% dos eleitores de Flávio (se Lula não perder nenhum) | 4,0% dos seus eleitores (se Lula não perder nenhum) |
| UFs onde lidera no 1º turno | 12 | 15 |
| Governadores eleitos com o partido na coligação (de 20) | PT em 5 | PL em 10 |
Onde estão os votos dos eliminados
Quase metade dos 9,29 mi de votos dos eliminados nos estados está no Sudeste, onde Flávio lidera:
| Região | Votos dos eliminados | % do total | Diferença do 1º turno (positivo = Flávio) |
|---|---|---|---|
| Sudeste | 4.342.954 | 46,8% | +5.662.211 |
| Nordeste | 1.811.095 | 19,5% | −11.095.611 |
| Sul | 1.513.514 | 16,3% | +5.042.624 |
| Centro-Oeste | 987.718 | 10,6% | +2.170.393 |
| Norte | 631.871 | 6,8% | +458.835 |
Por candidato (somando os estados, sem o exterior): Cury (Avante) 3,44 mi, com 892 mil em SP, 410 mil em MG e 247 mil no RJ; Renan Santos (Missão) 2,67 mi, com 804 mil em SP, 247 mil em MG e 212 mil no RJ; Caiado (PSD) 2,60 mi, com 580 mil em SP e 472 mil em GO (12,3% dos votos válidos do estado); Zema (Novo) 0,32 mi, com 98 mil em MG e 95 mil em SP.
Frentes em que a condição de Lula se decide
Fração dos eliminados: de 21,1% (cenário B) a 61,9% (empate, sem saldo de comparecimento). Cada ponto percentual equivale a 93 mil votos.
Comparecimento no Nordeste: +136 mil votos líquidos por ponto percentual; se os 9 estados chegassem à abstenção do Ceará, o saldo seria de 390 mil votos.
Minas Gerais: diferença de 589 mil votos para Flávio, 1,01 mi de votos de eliminados (8,4% do estado) e Lula 17,0 pontos acima de Patrus (PT), segundo colocado a governador com 26,3%; o governador eleito, Cleitinho (Republicanos, 55,4%), não tem PT nem PL na coligação.
Estados de margem estreita: AP (+225 votos), AM (+70 mil) e PA (+263 mil) estão a favor de Lula no 1º turno; AP passa a Flávio nos três cenários e AM, no cenário A.
Governadores eleitos no Nordeste: PT na coligação de Jerônimo (BA), Elmano (CE), Fonteles (PI), Lucas Ribeiro (PB) e Fábio (SE); PL na de JHC (AL); nem PT nem PL na de Raquel Lyra (PE) e Braide (MA).
Frentes em que a condição de Flávio se decide
Fração dos eliminados: basta 38,1% para empatar; os cenários A, B e C dão a ele 63,0%, 52,5% e 42,2%.
São Paulo: 51,9% de Flávio, 62,7% de Tarcísio, e 2,46 mi de votos de eliminados no estado (9,9% dos válidos), a maior concentração do país.
Retenção: perder 4,0% dos eleitores do 1º turno (561 mil por ponto) sem perda equivalente de Lula anularia a diferença.
Minas Gerais e Goiás: em MG, Flávio tem 48,2% e o candidato com PL na coligação, 7,0%; em GO, 53,6% contra 22,0% (Wilder, PL) e 59,2% do eleito Daniel Vilela (MDB, sem PL nem PT na coligação). GO tem 15,3% de votos de eliminados, 472 mil dos quais de Caiado.
Governadores eleitos com o PL na coligação (10): SP, RS, SC, PR, RR, RO, MS, PA, AP e AL; os mais votados são Jorginho Mello (SC, 69,0%), Arthur Henrique (RR, 69,1%) e Riedel (MS, 67,1%).
Governadores: os 20 eleitos no 1º turno e seu alinhamento
Dos 20 governadores já eleitos, 5 têm o PT na coligação, 10 têm o PL e 5 não têm nenhum dos dois (MT, MG, GO, PE e MA); por partido do eleito, são 3 do PT, 5 do PL, 3 do Republicanos e 9 de outros partidos.
A tabela usa a lista de partidos da coligação registrada de cada candidato (dado do TSE); a presença do PT ou do PL na coligação não declara apoio a um presidenciável. Ordem: voto de Lula no estado, do maior ao menor.
| UF | Eleito (partido, % do 1º turno) | PT na coligação | PL na coligação | Principal rival (partido, %) | Lula / Flávio no estado (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| PI | Rafael Fonteles, PT (70,9%) | Sim | Não | Joel Rodrigues, PP (27,5%; PL na coligação) | 71,0 / 24,1 |
| BA | Jerônimo Rodrigues, PT (55,8%) | Sim | Não | ACM Neto, União (43,7%; PL na coligação) | 66,2 / 28,5 |
| MA | Eduardo Braide, PSD (54,0%) | Não | Não | Orleans Brandão, MDB (34,8%) | 64,0 / 30,9 |
| PE | Raquel Lyra, PSD (53,3%) | Não | Não | João Campos, PSB (44,8%; PT na coligação) | 63,5 / 31,0 |
| CE | Elmano de Freitas, PT (53,2%) | Sim | Não | Ciro Gomes, PSDB (46,2%; PL na coligação) | 63,3 / 31,3 |
| SE | Fábio, PSD (59,3%) | Sim | Não | Valmir de Francisquinho, Republicanos (37,5%) | 62,7 / 30,6 |
| PB | Lucas Ribeiro, PP (64,3%) | Sim | Não | Efraim Filho, PL (24,2%) | 61,3 / 33,1 |
| AL | JHC, PSDB (52,2%) | Não | Sim | Renan Filho, MDB (47,4%; PT na coligação) | 54,7 / 40,4 |
| PA | Dr. Daniel, PODE (51,4%) | Não | Sim | Hana Ghassan, MDB (46,5%; PT na coligação) | 49,9 / 44,5 |
| AP | Dr. Furlan, PSD (62,8%) | Não | Sim | Clécio, União (37,0%; PT na coligação) | 45,7 / 45,7 |
| MG | Cleitinho Azevedo, Republicanos (55,4%) | Não | Não | Patrus Ananias, PT (26,3%) | 43,3 / 48,2 |
| SP | Tarcísio, Republicanos (62,7%) | Não | Sim | Fernando Haddad, PT (36,4%) | 38,2 / 51,9 |
| MS | Eduardo Riedel, PP (67,1%) | Não | Sim | Fábio Trad, PT (23,7%) | 34,7 / 58,6 |
| RS | Zucco, PL (58,0%) | Não | Sim | Juliana Brizola, PDT (31,7%; PT na coligação) | 35,7 / 55,6 |
| PR | Sergio Moro, PL (50,1%) | Não | Sim | Sandro Alex, PSD (25,4%) | 31,2 / 59,9 |
| GO | Daniel Vilela, MDB (59,2%) | Não | Não | Wilder Morais, PL (22,0%) | 31,1 / 53,6 |
| MT | Otaviano Pivetta, Republicanos (60,8%) | Não | Não | Wellington Fagundes, PL (23,2%) | 29,2 / 65,1 |
| SC | Jorginho Mello, PL (69,0%) | Não | Sim | Gelson Merísio, PSB (15,7%; PT na coligação) | 25,0 / 66,7 |
| RO | Marcos Rogério, PL (56,9%) | Não | Sim | Adailton Fúria, PSD (20,1%) | 25,9 / 67,5 |
| RR | Arthur Henrique, PL (69,1%) | Não | Sim | Soldado Sampaio, Republicanos (29,3%) | 22,9 / 71,1 |
Três leituras:
PT na coligação (5 eleitos): BA, CE, PI, PB e SE, todos em estados onde Lula tem de 61,3% a 71,0%.
PL na coligação (10 eleitos): sete em estados onde Flávio lidera (SP, MS, RS, PR, SC, RO, RR) e três onde Lula lidera (AL, PA, AP).
Nem PT nem PL (5 eleitos): MA e PE (Lula com 64,0% e 63,5%), MG (43,3%), GO (31,1%) e MT (29,2%).
Rivais: em BA, CE e PI o segundo colocado tinha o PL na coligação; em PE, AL, PA e AP, o PT. Em AL, PA e AP, o eleito tinha o PL e o segundo colocado, o PT; em BA, CE e PI, o eleito tinha o PT e o segundo colocado, o PL.
Os sete segundos turnos estaduais
Em AC, ES, RJ e DF o líder ficou a menos de 0,8 ponto percentual dos 50% que encerrariam a disputa; em RN e TO os finalistas estão separados por 15.509 e 13.412 votos (0,8 e 1,6 ponto); em AM a diferença é de 334.511 votos.
| UF | Líder (1º turno) | Desafiante | Votos soltos | O que o desafiante precisa | Cenário-base (hipótese) |
|---|---|---|---|---|---|
| RN | Allyson, União 36,94% (733.809) | Cadu de Lula, PT 36,16% (718.300) | 534.559 (26,9%), 99% de Álvaro Dias (PL) | Margem líquida de 2,9% do pool | Allyson 57,3% |
| AM | Omar Aziz, PSD 40,63% (841.846) | Maria do Carmo, PL 24,49% (507.335) | 722.804 (34,9%) | 46,3% de margem líquida | Omar 62,2% |
| AC | Mailza Assis, PP 49,76% (218.760) | Alan Rick, Republicanos 32,27% (141.859) | 79.028 (18,0%) | 97,3% de margem líquida | Mailza 60,2% |
| ES | Pazolini, Republicanos 49,65% (1.048.633) | Ricardo Ferraço, MDB 34,06% (719.397) | 344.141 (16,3%) | 95,7% de margem líquida | Pazolini 52,1% |
| RJ | Douglas Ruas, PL 49,27% (4.271.199) | Eduardo Paes, PSD 42,76% (3.706.984) | 690.855 (8,0%) | 81,7% de margem líquida | Douglas 52,8% |
| TO | Dorinha, União 45,52% (386.260) | Vicentinho Júnior, PSDB 43,94% (372.848) | 89.521 (10,5%) | 15,0% de margem líquida | Vicentinho 50,4% |
| DF | Celina Leão, PP 49,93% (825.530) | Leandro Grass, PT 34,47% (569.930) | 257.777 (15,6%) | 99,2% de margem líquida | Celina 59,7% |
Rio Grande do Norte: empate técnico
Allyson e Cadu estão separados por 15.509 votos; Álvaro Dias (PL, 530.580 votos, 26,7%) tem quase todo o pool. Para chegar a 50% dos votos do 1º turno, Allyson precisaria de 259.525 votos, ou 48,5% do pool. O cenário-base supõe 60% do voto de Álvaro para Allyson e 12% para Cadu. A coligação de Álvaro Dias inclui o PL; as de Allyson (PSD, MDB, União, PP, Republicanos) e de Cadu (PT, PSB, PDT) não. No estado, Lula teve 59,8% e Flávio 34,8%.
Amazonas: diferença de 334.511 votos
Omar (PSD) precisa de 194.147 votos; o pool é grande (34,9%), liderado por Roberto Cidade (União, 453.896) e David Almeida (218.490). Maria do Carmo (PL) só vence se pegar mais de 46% do pool em margem líquida. No 1º turno, Lula teve 48,2% e Flávio 45,0% no estado; a coligação de Omar inclui o PT e a de Maria do Carmo, o PL.
Acre: Mailza a 1.064 votos
Mailza (PP) fez 218.760 votos; metade mais um do total é 219.824. Alan Rick precisaria de 97,3% do pool. No estado, Flávio teve 64,6% e Lula 28,7%; a coligação de Mailza inclui o PL e a de Alan Rick não inclui PT nem PL.
Espírito Santo: Pazolini a 7.453 votos
O pool é quase todo do PT (Helder Salomão, 323.483). Mesmo dando 80% desses votos a Ferraço, o cenário-base mantém Pazolini a 52,1%; Ferraço precisaria de uma maioria acima de 95% do pool líquido. O PT teve candidato próprio e não integra a coligação de nenhum dos finalistas; a de Pazolini inclui o PL. No estado, Lula teve 37,8% e Flávio 54,8%.
Rio de Janeiro: Douglas Ruas e a contingência jurídica
Douglas Ruas (PL) tem 49,27% e Paes (PSD) 42,76%. O pool de 690.855 votos (Garotinho 274.411, William Siri 235.347, Busnello 84.889, André Marinho 45.359) é pequeno para Paes: ele precisaria de 81,7% em margem líquida. Há um risco jurídico: se os votos sub judice forem anulados, Douglas teria 50,88% de 8.394.627 votos válidos, acima da maioria (4.197.314), e não haveria segundo turno. A coligação de Paes inclui o PT; a de Douglas, o PL; Siri é do PSOL e Garotinho, do Republicanos.
Tocantins: empate
Dorinha (União) lidera por 13.412 votos; o pool de 89.521 (Laurez Moreira, PSD, 69.967) decide. No cenário-base (55% do voto de Laurez para Vicentinho e 25% para Dorinha), Vicentinho vira com 50,4%. O estado é pivô presidencial (Flávio +65 mil).
Distrito Federal: Celina a 168 votos
Celina (PP) tem 825.530 votos e, na base do TSE (1.653.237 votos válidos, com 1.843 sub judice), precisaria de mais 1.089 para 50% mais um; sem os votos sub judice (1.651.394 válidos), faltariam 168. Grass (PT) precisaria de 99,2% do pool (Paula Belmonte 140.765, Kiko Caputo 72.148, Cappelli 36.828). O DF vota Flávio 51,3% × Lula 38,1%.
Acoplamento presidente × governador
A tabela mostra onde o voto presidencial supera o do candidato estadual do mesmo campo e onde ocorre o inverso, estado a estado.
A tabela compara, em pontos percentuais do 1º turno, o voto presidencial com o do candidato estadual mais próximo do mesmo campo.
| UF | Lula − candidato do campo de Lula | Flávio − candidato do campo de Flávio | Leitura |
|---|---|---|---|
| MG | 43,3 − 26,3 (Patrus) = +17,0 | 48,2 − 7,0 (Roscoe, PL) = +41,2 | Os dois têm muito mais votos que o candidato do seu campo; Cleitinho (Republicanos) teve 55,4% |
| SP | 38,2 − 36,4 (Haddad) = +1,8 | 51,9 − 62,7 (Tarcísio) = −10,8 | Tarcísio puxa Flávio; ele tem cerca de 1,6 mi de votos a mais |
| GO | 31,1 − 9,8 (Bueno, PT) = +21,3 | 53,6 − 22,0 (Wilder, PL) = +31,6 | Vilela (MDB) teve 59,2% a governador |
| ES | 37,8 − 15,3 (Helder, PT) = +22,5 | 54,8 − 49,6 (Pazolini) = +5,2 | Lula tem 22 pontos além do PT; o governo estadual vai ao 2º turno |
| RN | 59,8 − 36,2 (Cadu) = +23,6 | 34,8 − 26,7 (Álvaro, PL) = +8,1 | Lula tem 23,6 pontos a mais que Cadu; o governo vai ao 2º turno |
| PE | 63,5 − 44,8 (João Campos) = +18,7 | 31,0 (sem candidato PL) | Raquel Lyra (PSD) ganhou com 53,3%; Lula tem 63,5% |
| MT | 29,2 (sem candidato do campo) | 65,1 − 23,2 (Wellington, PL) = +41,9 | Pivetta (Republicanos) é quem tem o voto de Flávio |
| BA | 66,2 − 55,8 (Jerônimo) = +10,4 | 28,5 | Lula passa o governador em 10 pontos |
| CE | 63,3 − 53,2 (Elmano) = +10,1 | 31,3 | Idem |
| RS | 35,7 − 31,7 (Brizola, PDT) = +4,0 | 55,6 − 58,0 (Zucco) = −2,4 | Zucco praticamente iguala Flávio |
| SC | 25,0 − 15,7 (Merísio, PSB) = +9,3 | 66,7 − 69,0 (Jorginho) = −2,3 | Jorginho iguala Flávio |
| PR | 31,2 − 23,5 (Requião Filho, PDT) = +7,7 | 59,9 − 50,1 (Moro) = +9,8 | Flávio vai além de Moro |
Três conclusões:
MG, GO, ES e RN: Lula tem entre 17,0 e 23,6 pontos a mais que o candidato do PT; Patrus (MG) teve 26,3%, Bueno (GO) 9,8%, Helder Salomão (ES) 15,3% e Cadu de Lula (RN) 36,2%.
SP: Tarcísio teve 62,7% (coligação de 10 partidos) e Flávio 51,9%, uma diferença de 10,8 pontos; Haddad teve 36,4% e Lula 38,2%.
Nordeste: em BA, CE e PI, estados com governador do PT, Lula tem de 0,1 a 10,4 pontos a mais que ele; em PE, MA, SE, PB e AL, Lula tem de 54,7% a 64,0% e o governador eleito é de outro partido (com PT na coligação em SE e PB).
Incertezas e o que acompanhar até 25/10
A principal fragilidade desta análise é que as transferências são supostas, não medidas; os sinais abaixo dizem qual cenário está se confirmando.
Limites dos dados
A apuração usada tem 100% das seções totalizadas; os números só mudam por decisões sobre votos sub judice ou retificações.
Os cenários A, B e C são hipóteses; as tabelas estaduais aplicam as mesmas frações nacionais a todos os estados, o que não considera diferenças regionais de comportamento.
Transferência de voto não é propriedade do candidato: o apoio de um partido não move todos os seus eleitores, e parte deles pode se abster.
A coligação registrada não é apoio: PT e PL aparecem em coligações de ambos os lados em vários estados (ver tabela dos governadores e a segunda análise).
RJ: se os 274.411 votos sub judice forem anulados, Douglas Ruas passa de 50% e não há 2º turno estadual; AC e DF dependem de 1.064 e 1.089 votos (168 sem os sub judice no DF).
O que acompanhar
Posição formal de Cury, Caiado, Zema e Renan Santos: apoio, neutralidade ou voto livre. Cada ponto de pool que migra vale cerca de 93 mil votos.
Comparecimento nos estados da região Sudeste (22,7% de abstenção) e no Nordeste (18,4%).
Minas Gerais: posição de Cleitinho e do eleitorado do MDB/PSD; é o estado de maior peso (11,98 mi de válidos) em que a margem é menor que 5 p.p.
Governadores de centro no Nordeste (PE, MA, SE, PB, AL): quem apoia quem.
Segundos turnos estaduais: RN e TO são empates; AM, RJ, DF, AC e ES podem influenciar o clima nacional.
Decisões da Justiça Eleitoral sobre votos sub judice (RJ e outros).
Pesquisas de segundo turno, que ainda não fazem parte desta análise.
Referências para rever as tabelas: cada ponto percentual na fração dos eliminados vale 93 mil votos; cada ponto de comparecimento no Nordeste, 136 mil votos líquidos para Lula; cada 1% dos eleitores de Flávio ou de Lula, 561 mil ou 539 mil votos. As informações novas que mudariam as tabelas são pesquisas de 2º turno, posições formais de Cury, Caiado, Zema e Renan Santos, e decisões da Justiça Eleitoral.
Fontes
TSE, Divulgação de Resultados 2026: arquivos de resultados de Presidente (eleição 6257) e Governador (6259), por UF e Brasil; posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas.
Cálculos próprios sobre esses arquivos: cenários, diferenças por estado e frações necessárias; os rótulos de coligação vêm da lista de partidos de cada candidato no arquivo do TSE.
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