terça-feira, 6 de outubro de 2026

Participação, voto cruzado e sensibilidade: o que os dados do 1º turno permitem afirmar

Participação, voto cruzado e sensibilidade

Participação, voto cruzado e sensibilidade: o que os dados do 1º turno permitem afirmar

2026-10-06

Resumo

Esta análise complementa a primeira com três lentes que ela não cobre: participação do eleitorado, coerência entre o voto presidencial e o estadual, e sensibilidade dos resultados a cada hipótese; ela não prevê o resultado do 2º turno.

  • Participação: 125,28 mi de eleitores compareceram (78,92%) e 33,47 mi se abstiveram (21,08%). A abstenção vai de 15,5% (CE) a 23,9% (MS); por região, de 18,4% (Nordeste) a 22,7% (Sudeste).

  • Efeito de um aumento uniforme de comparecimento: +1 ponto percentual em todos os estados, com os novos eleitores votando como os atuais, desloca cerca de 34 mil votos líquidos a favor de Flávio, porque as regiões com mais abstenção (Sudeste, Sul, Centro-Oeste) têm hoje margem para ele. Só o Nordeste favorece Lula (+136 mil por ponto).

  • Limite da mobilização regional: se todos os estados do Nordeste chegassem à abstenção do Ceará (15,5%, a menor do país), o saldo líquido adicional seria de cerca de 390 mil votos para Lula, contra uma diferença de 2,22 mi no 1º turno.

  • Votos brancos e nulos: 4,8% dos comparecimentos na eleição presidencial e 10,1% na de governador, nos estados; em todos os 27 estados o percentual é maior na de governador.

  • Coerência do voto: nos 12 estados em que Lula lidera, o governador mais votado está em coligação com o PT em 6, com o PL em 3 e com nenhum dos dois em 3; nos 15 em que Flávio lidera, está em coligação com o PL em 12 e com nenhum em 3. A filiação formal da coligação, portanto, prediz pouco o voto presidencial nos estados do Nordeste e do Norte.

  • Sensibilidade nacional: com todos os votos soltos comparecendo, Lula precisa de 61,9% deles para empatar; cada 1 mi de saldo líquido vindo de eleitores que não votaram antes reduz essa exigência em 5,3 pontos.

  • Segundos turnos estaduais: em AC, ES, RJ e DF o segundo colocado precisaria de mais de 90% dos votos dos eliminados; em RN (51,5%) e TO (57,5%) a exigência é próxima de equilíbrio, e em AM, de 73,1%.

Dados, definições e limites

Todos os números do 1º turno vêm dos arquivos de resultados do TSE (Presidente e Governador, por UF e Brasil), posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas (499.248 de 499.248); tudo o que é hipótese está identificado como tal.

Definições usadas

  • Abstenção = eleitores aptos que não compareceram ÷ eleitorado apto (158.745.502).

  • Brancos + nulos = soma dos dois, como fração do comparecimento.

  • Votos válidos = base do TSE, incluindo votos sub judice (119.300.788 para Presidente).

  • Votos soltos (pool) = votos válidos de todos os candidatos exceto os dois finalistas: 9.316.747 no país.

  • Coligação com PT / com PL = o partido consta da lista de partidos da coligação registrada do candidato a governador no arquivo do TSE. Não mede apoio declarado nem política real.

Hipóteses explícitas nas seções de sensibilidade

  • Quem votou em Lula ou em Flávio no 1º turno repete o voto (retenção de 100%).

  • Novos eleitores, quando indicados, votam como os eleitores atuais do estado, salvo quando a tabela diz o contrário.

  • Os votos soltos são divididos por parâmetros (s, r, M) varridos em grade, sem atribuir probabilidades.

Limites

  • Os estados somam 53.722.151 votos de Lula e 55.960.603 de Flávio; o total do Brasil (53.879.538 e 56.104.503) inclui 157.387 e 143.900 votos no exterior, que ficam de fora das tabelas por estado.

  • Os dados não têm pesquisas de intenção de voto, declarações de apoio nem comportamento individual: nenhuma transferência aqui é medida.

  • A comparação entre eleições de presidente e de governador usa o mesmo comparecimento, mas não o mesmo eleitor; um voto em branco no governo não diz o que o eleitor fez para presidente.

Participação: abstenção, brancos e nulos

A abstenção é menor nos estados em que Lula lidera (18,6%, em 12 UFs) do que nos em que Flávio lidera (22,0%, em 15 UFs); a diferença é de 3,4 pontos.

A abstenção vai de 15,5% (CE) a 23,9% (MS)
UF com Lula na frente (12)UF com Flávio na frente (15)Brasil, 21,1%
0%5%10%15%20%25%MS: 23.87%MS23,87%RJ: 23.32%RJMG: 22.81%MGSP: 22.54%SPMT: 22.20%MTGO: 21.83%GORO: 21.71%ROES: 21.37%ESRS: 21.35%RSAL: 20.63%ALPR: 20.57%PRAC: 20.43%ACAM: 20.16%AMBA: 19.97%BAMA: 19.73%MAPA: 19.10%PASC: 18.95%SCDF: 18.90%DFRN: 18.38%RNTO: 18.34%TOPE: 18.17%PEAP: 17.41%APPB: 17.38%PBSE: 17.30%SEPI: 17.15%PIRR: 17.12%RRCE: 15.52%CE15,52%Brasil 21,1%
TSE, Presidente (arquivos por UF), posição de 05/10/2026 12h51 · 27 UFs, sem o exterior
RegiãoEleitoradoAbstençãoBrancos + nulos, PresidenteBrancos + nulos, Governador
Sudeste66.344.56222,7%5,5%11,5%
Centro-Oeste12.001.14121,7%3,3%9,2%
Sul22.870.85320,5%3,8%8,8%
Norte13.101.17519,4%3,4%8,6%
Nordeste43.511.23718,4%5,1%9,4%

Brancos e nulos. Em todos os 27 estados, brancos e nulos pesam mais na disputa para governador (média de 10,1% do comparecimento) do que na presidencial (4,8%). Os maiores contrastes: PB (14,6% contra 6,3%), TO (11,8% contra 3,6%) e MS (11,4% contra 3,3%). Na presidencial, os maiores percentuais estão em PB (6,3%), AL (6,2%) e SP (5,9%).

O que isso permite afirmar. A abstenção está distribuída de forma desigual e correlacionada com o resultado estadual; os dados não mostram se os abstencionistas teriam votado de modo diferente dos que compareceram.

Voto cruzado: presidente × governador

Em 19 dos 27 estados, ao menos uma das duas somas (governadores com PT ou com PL na coligação) difere em mais de 10 pontos do voto presidencial correspondente; a coligação estadual acompanha o voto presidencial de perto em apenas 11 estados.

A tabela compara, em cada UF, o voto válido presidencial com a soma dos votos válidos dos candidatos a governador cuja coligação registrada inclui o PT (colunas 3 e 4) ou o PL (colunas 6 e 7). Coligações de candidatos diferentes podem incluir o mesmo partido; onde nenhum candidato a governador tem o partido, a coluna mostra 0,0.

UFLula (%)Governadores com PT na coligação (%)Diferença (p.p.)Flávio (%)Governadores com PL na coligação (%)Diferença (p.p.)
PI71,070,9-0,124,127,5+3,4
BA66,255,8-10,428,543,7+15,2
MA64,09,6-54,430,90,0-30,9
PE63,544,8-18,631,00,0-31,0
CE63,353,2-10,131,346,2+15,0
SE62,759,3-3,530,60,0-30,6
PB61,364,3+3,033,124,2-8,9
RN59,836,2-23,634,826,7-8,1
AL54,747,4-7,440,452,2+11,8
PA49,946,5-3,444,551,4+6,9
AM48,240,6-7,645,024,5-20,5
AP45,737,0-8,745,762,8+17,1
TO43,48,2-35,250,445,5-4,9
MG43,326,3-17,048,27,0-41,3
RJ39,442,8+3,353,049,3-3,7
SP38,236,4-1,851,962,7+10,7
DF38,134,5-3,651,349,9-1,4
ES37,815,3-22,454,849,6-5,1
RS35,731,7-4,155,658,0+2,4
MS34,723,7-11,058,667,1+8,5
PR31,223,5-7,759,950,1-9,8
GO31,19,8-21,253,622,0-31,6
MT29,215,2-14,065,123,2-42,0
AC28,77,5-21,264,649,8-14,8
RO25,97,7-18,267,556,9-10,6
SC25,015,7-9,466,769,0+2,3
RR22,91,5-21,371,169,1-1,9

O que a tabela mostra

  • Diferença de até 5 pontos em ao menos uma coluna (11 estados): PI, SE, PB, PA, TO, RJ, SP, DF, RS, SC e RR.

  • Presidente muito acima do candidato do campo: Flávio tem 48,2% em MG, 65,1% em MT e 53,6% em GO, onde os candidatos a governador com PL na coligação somam 7,0%, 23,2% e 22,0%. Lula tem 64,0% no MA, 43,4% no TO e 59,8% no RN, onde os candidatos com PT na coligação somam 9,6%, 8,2% e 36,2%.

  • Governador com PL na coligação acima de Flávio: AP (+17,1), BA (+15,2), CE (+15,0), AL (+11,8), SP (+10,7), PA (+6,9). Em BA e CE, o candidato com PL na coligação (ACM Neto, Ciro Gomes) perdeu a eleição estadual.

  • Estados sem governador com PL na coligação (MA, PE, SE): Flávio teve 30,9%, 31,0% e 30,6%, ou seja, voto presidencial sem um candidato estadual do mesmo partido.

  • Primeiros colocados por campo. Nos 12 estados em que Lula lidera, a coligação do governador mais votado inclui o PT em 6 (PI, BA, CE, SE, PB, AM), o PL em 3 (AL, PA, AP) e nenhum dos dois em 3 (MA, PE, RN). Nos 15 em que Flávio lidera, inclui o PL em 12 e nenhum dos dois em 3 (MG, MT, GO).

Sensibilidade nacional: o que cada combinação de hipóteses produz

Com retenção de 100% dos eleitores de Lula e de Flávio, o resultado do 2º turno depende de três parâmetros, e Lula supera Flávio quando a combinação deles vence a diferença de 2.224.965 votos do 1º turno.

(L - F)_{final} = -2.224.965 + r . P . (2s - 1) + M
  • P = 9.316.747, votos dos candidatos eliminados.

  • r = fração de P que vota em um dos dois finalistas (o resto se abstém, vota em branco ou anula).

  • s = fração desses votos que vai para Lula; Flávio recebe 1 − s.

  • M = saldo líquido (Lula menos Flávio) vindo de quem não votou em ninguém no 1º turno (abstenção, branco, nulo) ou de mudança de voto entre os finalistas.

Fração s de que Lula precisa para empatar, por M e por r. Abaixo do valor, Flávio vence; acima, Lula vence.

M (saldo líquido, milhões)r = 100%r = 85%r = 70%
−2,072,7%76,7%82,4%
−1,067,3%70,4%74,7%
061,9%64,0%67,1%
+1,056,6%57,7%59,4%
+2,051,2%51,4%51,7%
+3,045,8%45,1%44,1%
+4,040,5%38,8%36,4%
+5,035,1%32,5%28,7%

Com M = 0, uma fração s de 70% dos votos soltos dá a Lula 1.501.734 votos de vantagem (r = 100%) ou 942.729 (r = 85%); com s = 60%, Flávio vence por 361.616 (r = 100%) ou 641.118 (r = 85%); com s = 50%, Flávio vence por 2.224.965 em qualquer r.

De onde pode vir M. Se N eleitores que não votaram em nenhum dos dois entram e escolhem Lula com probabilidade q, M = N × (2q − 1).

N (milhões de novos votantes)q = 60%q = 70%q = 80%
20,40,81,2
40,81,62,4
61,22,43,6
81,63,24,8

Leitura simétrica. A mesma tabela serve para Flávio: ele vence sempre que s fica abaixo do valor da célula. Com M = 0 e r = 100%, ele precisa reter 38,1% dos votos soltos; cada milhão de saldo líquido a favor de Lula reduz essa folga em 5,3 pontos percentuais, e cada milhão a favor de Flávio a aumenta no mesmo valor.

O que a grade não responde. Quais valores de s, r e q são mais prováveis. Isso exigiria dados que não estão nos resultados de 1º turno (pesquisas, posições formais dos partidos, comparecimento observado em 2º turnos anteriores).

Onde um ponto de comparecimento rende mais votos líquidos

Se os novos eleitores votarem como os atuais do seu estado, +1 ponto percentual de comparecimento rende a Lula até 40 mil votos líquidos na Bahia e custa 44 mil em São Paulo; no país inteiro, o saldo é de 34 mil votos para Flávio.

O cálculo, por UF, é 1% do eleitorado × (votos de Lula − votos de Flávio) ÷ comparecimento. A tabela mostra os oito maiores saldos para cada lado.

UFAbstenções (eleitores)Saldo líquido por +1 p.p. de comparecimento (votos)
BA2.259.151+40.262 (Lula)
PE1.312.388+22.191 (Lula)
CE1.086.074+21.289 (Lula)
MA1.022.772+16.536 (Lula)
PI463.875+12.151 (Lula)
PB564.543+8.590 (Lula)
RN488.812+6.340 (Lula)
SE301.053+5.298 (Lula)
MG3.735.098−7.626 (Flávio)
MT585.668−9.215 (Flávio)
GO1.109.003−11.040 (Flávio)
RS1.819.642−16.262 (Flávio)
RJ2.997.846−16.611 (Flávio)
SC1.086.492−23.106 (Flávio)
PR1.772.200−23.805 (Flávio)
SP7.690.900−44.107 (Flávio)

Por região (por +1 p.p.): Nordeste +135.929 para Lula; Sudeste −73.217, Sul −63.173, Centro-Oeste −27.823 e Norte −5.807 para Flávio.

Cenários de convergência de comparecimento. Quanto muda o saldo se os estados com abstenção acima de um patamar o reduzirem até ele, com os novos eleitores votando como os atuais:

Patamar de abstençãoNovos votantesSaldo líquido (Lula − Flávio)
20,0% em todos os estados acima disso2,23 mi−297 mil
18,0%4,72 mi−487 mil
15,5% (o menor, do CE)8,43 mi−642 mil
Apenas os 9 estados do Nordeste até 15,5%—+390 mil

Leitura. Os maiores estoques de abstenção estão em SP (7,69 mi), MG (3,74 mi) e RJ (3,00 mi), onde o saldo por ponto é desfavorável a Lula ou pequeno (em MG, a margem do 1º turno é de 589 mil votos). A Bahia concentra o maior saldo por ponto, mas tem 2,26 mi de abstencionistas, 15% do estoque do Sudeste (15,06 mi). Se os abstencionistas votarem de modo diferente dos votantes atuais, os sinais mudam; os dados do 1º turno não permitem estimar isso.

Sensibilidade dos sete segundos turnos estaduais

Com retenção de 100% dos eleitores dos dois finalistas, o desafiante só consegue virar com os votos dos eliminados em RN (51,5% deles) e TO (57,5%); em AM precisaria de 73,1%, e em RJ, ES, AC e DF de 90,8% a 99,6%, com comparecimento integral desse grupo.

As colunas s* são as frações dos votos dos candidatos eliminados que o desafiante precisa para empatar, supondo que todos votem (r = 100%), 80% votem (r = 80%) ou 60% votem (r = 60%); valores acima de 100% significam que não há combinação possível sem mudança de voto dos finalistas ou novos eleitores.

UFDiferença líder − desafiante (votos)Votos dos eliminadosFalta ao líder para 50%+1 (votos)s* (r = 100%)s* (r = 80%)s* (r = 60%)
TO13.41289.52138.05557,5%59,4%62,5%
RN15.509534.559259.52651,5%51,8%52,4%
AM334.511722.804194.14773,1%78,9%88,6%
RJ564.215690.85563.32190,8%101,0%118,1%
ES329.236344.1417.45397,8%109,8%129,7%
AC76.90179.0281.06498,7%110,8%131,1%
DF255.600257.7771.08999,6%112,0%132,6%

A quarta coluna mede o quão perto o líder ficou de encerrar no 1º turno; ela não é a regra do 2º turno, que se decide pela maioria dos votos válidos do próprio 2º turno.

Coligações formais dos finalistas (partidos PT e PL no arquivo do TSE) e maiores candidatos eliminados:

UFLíderDesafianteMaiores eliminados (votos)
TODorinha, União: PL, sem PTVicentinho, PSDB: sem PL nem PTLaurez Moreira, PSD, com PT na coligação (69.967)
RNAllyson, União: sem PT nem PLCadu de Lula, PTÁlvaro Dias, PL na coligação (530.580)
AMOmar Aziz, PSD: com PTMaria do Carmo, PLRoberto Cidade, União (453.896); David Almeida (218.490)
RJDouglas Ruas, PLEduardo Paes, PSD: com PTGarotinho, Republicanos (274.411, sub judice); William Siri, PSOL (235.347)
ESPazolini, Republicanos: com PLFerraço, MDB: sem PT nem PLHelder Salomão, PT (323.483)
ACMailza Assis, PP: com PLAlan Rick, Republicanos: sem PT nem PLTião Bocalom, PSDB (44.946); Thor Dantas, com PT (32.963)
DFCelina Leão, PP: com PLLeandro Grass, PTPaula Belmonte, PSDB (140.765); Kiko Caputo (72.148)

Observações de dados

  • RN: 99% dos eliminados são de Álvaro Dias, cuja coligação inclui o PL; a diferença de 15.509 votos entre os finalistas equivale a 2,9% desse grupo.

  • RJ: 274.411 dos votos de Garotinho são sub judice. Se anulados, o total válido cai a 8.394.627 e Douglas Ruas fica com 50,88%, acima da maioria (4.197.314).

  • DF: a diferença até a maioria é de 1.089 votos com os 1.843 votos sub judice contados, ou 168 sem eles.

  • TO: o 2º colocado está a 1,6 ponto percentual do 1º.

Leituras alternativas e o que os dados não permitem concluir

Os resultados do 1º turno fixam a diferença de partida e o tamanho de cada reservatório de votos, mas não fixam para onde esses votos vão.

1. Retenção abaixo de 100%. Cada 1% dos eleitores de Flávio que não repete o voto são 561.045 votos; cada 1% dos de Lula, 538.795. Se Lula retivesse todos e Flávio perdesse cerca de 4,0% dos seus (por abstenção), a diferença de 2.224.965 se anularia; a perda simétrica de Lula (4,1% dos seus) a dobraria para 4,4 mi. A grade da seção de sensibilidade absorve isso em M, mas a retenção diferencial é outra fonte de incerteza do mesmo tamanho que os votos soltos.

2. Heterogeneidade dos votos soltos. Os 9,3 mi se dividem em Cury (3,45 mi), Renan Santos (2,68 mi), Caiado (2,61 mi), Zema (0,33 mi) e candidatos menores (0,26 mi); a divisão de cada grupo entre os finalistas não está nos dados. A grade usa um s único para o conjunto.

3. Coligação não é apoio. O arquivo do TSE lista os partidos da coligação estadual; não diz se o governador eleito fará campanha por algum finalista, e a tabela de voto cruzado mostra que o voto presidencial e o estadual divergem em 19 estados.

4. Comparecimento não é homogêneo dentro do estado. Os arquivos usados são agregados por UF; a distribuição municipal e por zona da abstenção pode alterar o saldo líquido de cada ponto adicional de comparecimento, e está disponível no mapa de apuração por município e zona desta série, não neste documento.

5. Eventos jurídicos. Votos sub judice (RJ: 274.411; DF: 1.843) podem alterar os percentuais e, no RJ, a própria existência do 2º turno estadual.

6. Efeito de composição. Comparações entre estados misturam eleitorados muito diferentes em tamanho (SP: 34,1 mi de eleitores; RR: 0,4 mi); por isso as tabelas trazem votos absolutos ao lado dos percentuais.

O que pode ser acompanhado (não está nestes dados, mas mudaria as grades): pesquisas do 2º turno; posições formais de Cury, Caiado, Zema, Renan Santos e dos governadores eleitos; comparecimento do 2º turno; decisões da Justiça Eleitoral sobre votos sub judice.

Fontes

  • TSE, Divulgação de Resultados 2026: arquivos de resultados de Presidente (eleição 6257) e Governador (6259), por UF e Brasil, posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas.

  • Cálculos próprios: abstenção, brancos e nulos, saldos por ponto de comparecimento, convergência de abstenção, grade de sensibilidade e frações s* dos segundos turnos estaduais. A condição de “coligação com PT ou PL” vem da lista de partidos da coligação de cada candidato no arquivo do TSE.

  • Primeira análise desta série: Segundo turno 2026: alianças decisivas para Presidente e Governadores.

Segundo turno 2026: alianças decisivas para Presidente e Governadores

Segundo turno 2026: alianças decisivas

Segundo turno 2026: alianças decisivas para Presidente e Governadores

2026-10-06

Resumo executivo

Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno 2,22 milhões de votos à frente de Lula; para virar, Lula precisaria de cerca de 62% dos 9,3 milhões de votos dos candidatos eliminados (se todos votassem) ou de um saldo líquido equivalente em novos votantes, enquanto Flávio empata retendo 38%.

  • Placar do 1º turno (TSE, 100% das seções, 05/10 às 12h51): Flávio 47,03% (56.104.503) × Lula 45,16% (53.879.538) dos votos válidos; diferença de 2.224.965 votos.

  • Votos dos eliminados: 9.316.747 (7,81%): Cury 3,45 mi, Renan Santos 2,68 mi, Caiado 2,61 mi, Zema 0,33 mi, esquerda e direita menores 0,26 mi. O destino de cada grupo não consta dos dados.

  • Ponto de empate: se todos esses votos fossem para um dos dois finalistas, Lula empataria com 61,9% deles e Flávio, com 38,1%.

  • Três cenários nacionais (hipóteses): em A, B e C, Lula chega a 47,05%, 47,80% e 48,58% do total entre os dois, e a diferença final é de 6,91 mi, 5,15 mi e 3,31 mi a favor de Flávio, antes de qualquer saldo de comparecimento.

  • Participação: 33,47 mi de abstenções (21,08%). Um ponto percentual a mais de comparecimento em todos os estados, com os novos votantes votando como os atuais, desloca 34 mil votos líquidos para Flávio; só o Nordeste desloca para Lula (+136 mil por ponto). Ver a segunda análise.

  • Geografia: Lula lidera em 12 UFs (BA, CE, PE, MA, PI, PB, SE, RN, AL, PA, AM e AP) e Flávio em 15. As margens mais estreitas: AP (225 votos), TO (65 mil), AM (70 mil) e MG (589 mil, com 11,98 mi de votos válidos).

  • Governos: 20 estados definidos (3 do PT, 5 do PL, 3 do Republicanos, 9 de outros partidos) e 7 segundos turnos (RN, AM, AC, ES, RJ, TO, DF). RN (15.509 votos de diferença) e TO (13.412) são os mais apertados.

  • Coligações: o PT consta da coligação de 5 dos 20 governadores eleitos e o PL, de 10; em 5 (MT, MG, GO, PE, MA) nenhum dos dois consta.

  • Efeito de composição: em SP, Tarcísio teve cerca de 1,6 mi de votos a mais que Flávio; em MG, Patrus (PT) teve 17,0 pontos a menos que Lula e Flávio Roscoe (PL), 41,2 pontos a menos que Flávio.

Base de dados e método

Os resultados vêm dos arquivos públicos do TSE (Presidente e Governador, por UF e Brasil); as projeções de transferência são hipóteses de trabalho, não previsões, e o documento não toma partido por nenhum candidato.

  • Fonte: arquivos de resultados do TSE, 1º turno de 04/10/2026, posição de 05/10/2026 às 12h51, com 100% das seções totalizadas (499.248 de 499.248).

  • Base percentual: votos válidos na base do TSE, que inclui os votos sub judice; a conta alternativa (sem esses votos) aparece onde muda o resultado, no RJ e no DF.

  • Exterior: a soma dos estados dá 53.722.151 votos a Lula e 55.960.603 a Flávio; o total do Brasil (53.879.538 e 56.104.503) inclui 157.387 e 143.900 votos no exterior. As tabelas estaduais não os têm; as nacionais, sim.

  • Transferências: cada cenário atribui uma fração dos votos dos eliminados a cada finalista; os cenários A, B e C estão definidos na seção de cenários. Nos estados, os cenários nacionais são aplicados a cada estado e, nos segundos turnos estaduais, usa-se uma hipótese explícita por candidato eliminado.

  • Coligações: “PT na coligação” e “PL na coligação” vêm da lista de partidos registrada de cada candidato no arquivo do TSE; não medem apoio declarado a presidenciável. Esses rótulos substituem a classificação de “campo” da versão anterior deste documento.

  • O que não está nos dados: pesquisas de 2º turno, apoios oficiais, fusão de campanhas e mudança de comparecimento. Eles aparecem como variáveis a acompanhar.

Presidente: a aritmética do segundo turno

A diferença de 2,22 mi equivale a 23,9% dos votos dos eliminados; a vitória de cada lado depende da combinação entre o destino desses votos e o saldo de comparecimento.

ItemVotos% dos válidos
Flávio Bolsonaro56.104.50347,03%
Lula53.879.53845,16%
Diferença (Flávio − Lula)2.224.9651,87 p.p.
Votos soltos (outros candidatos)9.316.7477,81%
Abstenções33.469.24421,08% do eleitorado
Brancos / nulos2.300.798 / 3.669.003—

Quem são os votos soltos: Cury 3.448.569, Renan Santos 2.675.887, Caiado 2.605.148, Zema 326.488, esquerda menor 203.731, direita menor 56.924.

Três fatos que definem a disputa:

  1. Ponto de empate: com todos os votos dos eliminados indo a um dos dois, Lula empata com 61,9% e Flávio com 38,1%. Com 70% para Lula, ele vence por 1,50 mi; com 60%, perde por 362 mil; com 50%, perde por 2,22 mi.

  2. Destino desconhecido: os dados não dizem para onde vão os 9,3 mi; Cury, Caiado e Zema (6,39 mi) e Renan Santos (2,68 mi) têm perfis distintos, e cada cenário abaixo é uma hipótese.

  3. Comparecimento como segunda via: cada 1 mi de saldo líquido de votantes novos para um dos lados equivale a 5,3 pontos percentuais na fração dos eliminados (ver a segunda análise).

  4. Retenção: se Flávio perdesse 4,0% dos seus eleitores (561 mil votos por ponto) e Lula nenhum, a diferença se anularia; a perda simétrica de 4,1% dos eleitores de Lula dobraria a diferença.

Presidente: geografia e estados decisivos

O Nordeste entrega a Lula uma vantagem de 11,1 mi de votos; o resto do país devolve 13,3 mi a Flávio, e é aí que a conta se decide.

RegiãoVálidosLulaFlávioMargem (positivo = Flávio)Abstenção
Nordeste33,70 mi63,8%30,9%−11.095.61118,4%
Norte10,19 mi44,6%49,2%+458.83519,4%
Centro-Oeste9,08 mi32,6%56,5%+2.170.39321,7%
Sudeste48,48 mi39,7%51,4%+5.662.21122,7%
Sul17,51 mi31,3%60,1%+5.042.62420,5%

Leitura: a maior abstenção está no Sudeste (22,7%) e a menor no Nordeste (18,4%). Como o Sudeste dá a Flávio 5,66 mi de margem e o Nordeste dá a Lula 11,10 mi, mais comparecimento no Sudeste (com novos votantes votando como os atuais) amplia a vantagem de Flávio e, no Nordeste, a de Lula; a segunda análise quantifica isso por estado.

Estados por peso em votos (margem de Flávio sobre Lula):

EstadoMargemVálidosLula / FlávioObservação
SP+3.416.61024,88 mi38,2% / 51,9%maior eleitorado; Tarcísio teve 62,7% a governador
PR+1.890.7486,59 mi31,2% / 59,9%Moro (PL) eleito no 1º turno
SC+1.872.8524,50 mi25,0% / 66,7%pior desempenho de Lula fora do Norte
RS+1.279.0246,42 mi35,7% / 55,6%Juliana Brizola (PDT) teve 31,7%
RJ+1.273.8239,37 mi39,4% / 53,0%2º turno estadual
GO+863.0083,83 mi31,1% / 53,6%15,3% de votos soltos
MG+588.61211,98 mi43,3% / 48,2%2º maior eleitorado; Flávio à frente por 4,9 p.p.
PA−263.2804,86 mi49,9% / 44,5%Lula à frente; Daniel (PODE) eleito governador
AM−70.2322,17 mi48,2% / 45,0%Lula; 2º turno estadual
AP−2250,46 mi45,7% / 45,7%empate técnico
TO+65.3120,93 mi43,4% / 50,4%2º turno estadual

Margens estreitas: AP (Lula +225 votos), TO (Flávio +65 mil), AM (Lula +70 mil), PA (Lula +263 mil) e MG (Flávio +589 mil) somam 20,4 mi de votos válidos e, juntos, dão 320 mil votos de vantagem a Flávio; é onde uma mudança pequena de transferência ou comparecimento inverte o líder estadual. Em GO, 15,3% dos votos válidos são de candidatos eliminados, a maior proporção entre os estados.

Presidente: cenários de transferência e comparecimento

Nos três cenários, antes de qualquer saldo de comparecimento, Flávio lidera; a tabela mostra a diferença em cada um e o saldo líquido de novos votantes que a anularia.

Cenário (hipótese de transferência do pool de 9,3 mi)LulaFlávioLula − FlávioLula %
A: pool pende para Flávio55.056.26961.969.234−6.912.96447,05%
B: base55.849.82160.998.948−5.149.12747,80%
C: pool pende para Lula56.727.62260.040.036−3.312.41448,58%

O percentual é a fração de Lula no total dos candidatos após a redistribuição. Mesmo no cenário C, que é generoso com Lula, faltam 3,3 mi.

A alavanca do comparecimento. Se um eleitor que deixou de votar no 1º turno entrar e escolher Lula com probabilidade p, o saldo líquido por eleitor é (2p − 1). Quantos abstencionistas Lula precisa trazer para fechar a diferença:

Lula leva, entre quem volta a votarCenário B (5,15 mi)Cenário C (3,31 mi)
60%25,7 mi16,6 mi
70%12,9 mi8,3 mi
80%8,6 mi5,5 mi

Para efeito de escala: o total de abstenções é 33,5 mi, e brancos mais nulos somam 6,0 mi. Ou seja, a virada exige converter parte relevante dos ausentes, e a favor de Lula em proporção muito alta.

Direção inversa. Flávio também pode perder votos (por exemplo, eleitores de Caiado e Zema que prefiram não comparecer). Cada 1 mi de votos de Flávio que não comparece reduz a diferença em 1 mi, o que equivale a trazer 1,7 mi de abstencionistas a 80% para Lula.

Resultado por estado nos três cenários

Aplicando as mesmas frações nacionais aos votos dos eliminados de cada estado, Lula lidera em 10 UFs no cenário A e em 11 nos cenários B e C; AM muda de sinal entre A e B e AP passa a Flávio nos três.

Parâmetros dos cenários, em % dos 9.316.747 votos dos eliminados: A, Lula 12,6% e Flávio 62,9%; B, Lula 21,1% e Flávio 52,5%; C, Lula 30,6% e Flávio 42,2%; o resto não vota em nenhum dos dois. Diferença = votos de Lula menos votos de Flávio (positivo favorece Lula).

UF1º turnoVotos dos eliminadosCenário ACenário BCenário C
BA+3.222.186452.935+2.994.278+3.080.027+3.169.320
PE+1.815.928309.003+1.660.444+1.718.944+1.779.861
CE+1.798.413305.701+1.644.590+1.702.465+1.762.732
MA+1.327.261205.098+1.224.060+1.262.889+1.303.322
PI+1.006.682105.656+953.518+973.521+994.350
PB+709.750141.243+638.679+665.419+693.264
RN+517.470113.442+460.388+481.865+504.229
SE+438.18090.338+392.724+409.826+427.636
AL+259.74187.679+215.623+232.222+249.507
PA+263.280271.978+126.426+177.917+231.535
AM+70.232147.003−3.737+24.094+53.074
AP+22540.077−19.941−12.354−4.453
TO−65.31257.117−94.052−83.239−71.979
RR−156.90219.803−166.866−163.117−159.213
AC−168.03731.489−183.882−177.920−171.712
DF−233.989187.565−328.368−292.858−255.882
MS−356.496100.072−406.850−387.905−368.176
RO−402.32164.404−434.728−422.535−409.838
ES−383.166167.856−467.628−435.849−402.758
MT−716.900113.026−773.772−752.374−730.092
MG−588.6121.009.751−1.096.698−905.533−706.470
GO−863.008587.055−1.158.402−1.047.262−931.529
RS−1.279.024554.504−1.558.039−1.453.061−1.343.746
RJ−1.273.823709.835−1.630.998−1.496.612−1.356.675
SC−1.872.852373.709−2.060.895−1.990.145−1.916.471
PR−1.890.748585.301−2.185.260−2.074.451−1.959.064
SP−3.416.6102.455.512−4.652.174−4.187.299−3.703.217

Os estados somam −6,91 mi (A), −5,15 mi (B) e −3,32 mi (C), valores que coincidem com os nacionais dentro de 1 mil votos (a diferença está nos votos do exterior). Os votos dos eliminados estão concentrados em SP (2,46 mi), MG (1,01 mi), RJ (0,71 mi), GO (0,59 mi), PR (0,59 mi) e RS (0,55 mi), que somam 5,90 mi dos 9,29 mi dos estados e onde a diferença do 1º turno favorece Flávio. Nesses seis, mesmo no cenário C, a diferença continua entre −0,71 mi (MG) e −3,70 mi (SP). A diferença em MG varia de −1,10 mi (A) a −0,71 mi (C), e a de SP, de −4,65 mi (A) a −3,70 mi (C): as duas maiores amplitudes entre os cenários, porque são os estados com mais votos de eliminados.

O que cada candidato precisa: condições de vitória

As condições de cada lado são simétricas e dependem dos mesmos três fatores: a fração dos votos dos eliminados, o saldo de comparecimento e a retenção dos eleitores do 1º turno.

MedidaLulaFlávio Bolsonaro
Votos no 1º turno (% dos válidos)53.879.538 (45,16%)56.104.503 (47,03%)
Diferença de partida−+2.224.965
Fração dos eliminados para empatar (todos votam, sem saldo de comparecimento)61,9%38,1%
Fração obtida nos cenários A / B / C12,6% / 21,1% / 30,6%63,0% / 52,5% / 42,2%
Saldo líquido de comparecimento para virar no cenário B+5,15 mi0
Perda de eleitores do 1º turno que anula a diferença, sem perda do outro lado4,0% dos eleitores de Flávio (se Lula não perder nenhum)4,0% dos seus eleitores (se Lula não perder nenhum)
UFs onde lidera no 1º turno1215
Governadores eleitos com o partido na coligação (de 20)PT em 5PL em 10

Onde estão os votos dos eliminados

Quase metade dos 9,29 mi de votos dos eliminados nos estados está no Sudeste, onde Flávio lidera:

RegiãoVotos dos eliminados% do totalDiferença do 1º turno (positivo = Flávio)
Sudeste4.342.95446,8%+5.662.211
Nordeste1.811.09519,5%−11.095.611
Sul1.513.51416,3%+5.042.624
Centro-Oeste987.71810,6%+2.170.393
Norte631.8716,8%+458.835

Por candidato (somando os estados, sem o exterior): Cury (Avante) 3,44 mi, com 892 mil em SP, 410 mil em MG e 247 mil no RJ; Renan Santos (Missão) 2,67 mi, com 804 mil em SP, 247 mil em MG e 212 mil no RJ; Caiado (PSD) 2,60 mi, com 580 mil em SP e 472 mil em GO (12,3% dos votos válidos do estado); Zema (Novo) 0,32 mi, com 98 mil em MG e 95 mil em SP.

Frentes em que a condição de Lula se decide

  • Fração dos eliminados: de 21,1% (cenário B) a 61,9% (empate, sem saldo de comparecimento). Cada ponto percentual equivale a 93 mil votos.

  • Comparecimento no Nordeste: +136 mil votos líquidos por ponto percentual; se os 9 estados chegassem à abstenção do Ceará, o saldo seria de 390 mil votos.

  • Minas Gerais: diferença de 589 mil votos para Flávio, 1,01 mi de votos de eliminados (8,4% do estado) e Lula 17,0 pontos acima de Patrus (PT), segundo colocado a governador com 26,3%; o governador eleito, Cleitinho (Republicanos, 55,4%), não tem PT nem PL na coligação.

  • Estados de margem estreita: AP (+225 votos), AM (+70 mil) e PA (+263 mil) estão a favor de Lula no 1º turno; AP passa a Flávio nos três cenários e AM, no cenário A.

  • Governadores eleitos no Nordeste: PT na coligação de Jerônimo (BA), Elmano (CE), Fonteles (PI), Lucas Ribeiro (PB) e Fábio (SE); PL na de JHC (AL); nem PT nem PL na de Raquel Lyra (PE) e Braide (MA).

Frentes em que a condição de Flávio se decide

  • Fração dos eliminados: basta 38,1% para empatar; os cenários A, B e C dão a ele 63,0%, 52,5% e 42,2%.

  • São Paulo: 51,9% de Flávio, 62,7% de Tarcísio, e 2,46 mi de votos de eliminados no estado (9,9% dos válidos), a maior concentração do país.

  • Retenção: perder 4,0% dos eleitores do 1º turno (561 mil por ponto) sem perda equivalente de Lula anularia a diferença.

  • Minas Gerais e Goiás: em MG, Flávio tem 48,2% e o candidato com PL na coligação, 7,0%; em GO, 53,6% contra 22,0% (Wilder, PL) e 59,2% do eleito Daniel Vilela (MDB, sem PL nem PT na coligação). GO tem 15,3% de votos de eliminados, 472 mil dos quais de Caiado.

  • Governadores eleitos com o PL na coligação (10): SP, RS, SC, PR, RR, RO, MS, PA, AP e AL; os mais votados são Jorginho Mello (SC, 69,0%), Arthur Henrique (RR, 69,1%) e Riedel (MS, 67,1%).

Governadores: os 20 eleitos no 1º turno e seu alinhamento

Dos 20 governadores já eleitos, 5 têm o PT na coligação, 10 têm o PL e 5 não têm nenhum dos dois (MT, MG, GO, PE e MA); por partido do eleito, são 3 do PT, 5 do PL, 3 do Republicanos e 9 de outros partidos.

A tabela usa a lista de partidos da coligação registrada de cada candidato (dado do TSE); a presença do PT ou do PL na coligação não declara apoio a um presidenciável. Ordem: voto de Lula no estado, do maior ao menor.

UFEleito (partido, % do 1º turno)PT na coligaçãoPL na coligaçãoPrincipal rival (partido, %)Lula / Flávio no estado (%)
PIRafael Fonteles, PT (70,9%)SimNãoJoel Rodrigues, PP (27,5%; PL na coligação)71,0 / 24,1
BAJerônimo Rodrigues, PT (55,8%)SimNãoACM Neto, União (43,7%; PL na coligação)66,2 / 28,5
MAEduardo Braide, PSD (54,0%)NãoNãoOrleans Brandão, MDB (34,8%)64,0 / 30,9
PERaquel Lyra, PSD (53,3%)NãoNãoJoão Campos, PSB (44,8%; PT na coligação)63,5 / 31,0
CEElmano de Freitas, PT (53,2%)SimNãoCiro Gomes, PSDB (46,2%; PL na coligação)63,3 / 31,3
SEFábio, PSD (59,3%)SimNãoValmir de Francisquinho, Republicanos (37,5%)62,7 / 30,6
PBLucas Ribeiro, PP (64,3%)SimNãoEfraim Filho, PL (24,2%)61,3 / 33,1
ALJHC, PSDB (52,2%)NãoSimRenan Filho, MDB (47,4%; PT na coligação)54,7 / 40,4
PADr. Daniel, PODE (51,4%)NãoSimHana Ghassan, MDB (46,5%; PT na coligação)49,9 / 44,5
APDr. Furlan, PSD (62,8%)NãoSimClécio, União (37,0%; PT na coligação)45,7 / 45,7
MGCleitinho Azevedo, Republicanos (55,4%)NãoNãoPatrus Ananias, PT (26,3%)43,3 / 48,2
SPTarcísio, Republicanos (62,7%)NãoSimFernando Haddad, PT (36,4%)38,2 / 51,9
MSEduardo Riedel, PP (67,1%)NãoSimFábio Trad, PT (23,7%)34,7 / 58,6
RSZucco, PL (58,0%)NãoSimJuliana Brizola, PDT (31,7%; PT na coligação)35,7 / 55,6
PRSergio Moro, PL (50,1%)NãoSimSandro Alex, PSD (25,4%)31,2 / 59,9
GODaniel Vilela, MDB (59,2%)NãoNãoWilder Morais, PL (22,0%)31,1 / 53,6
MTOtaviano Pivetta, Republicanos (60,8%)NãoNãoWellington Fagundes, PL (23,2%)29,2 / 65,1
SCJorginho Mello, PL (69,0%)NãoSimGelson Merísio, PSB (15,7%; PT na coligação)25,0 / 66,7
ROMarcos Rogério, PL (56,9%)NãoSimAdailton Fúria, PSD (20,1%)25,9 / 67,5
RRArthur Henrique, PL (69,1%)NãoSimSoldado Sampaio, Republicanos (29,3%)22,9 / 71,1

Três leituras:

  1. PT na coligação (5 eleitos): BA, CE, PI, PB e SE, todos em estados onde Lula tem de 61,3% a 71,0%.

  2. PL na coligação (10 eleitos): sete em estados onde Flávio lidera (SP, MS, RS, PR, SC, RO, RR) e três onde Lula lidera (AL, PA, AP).

  3. Nem PT nem PL (5 eleitos): MA e PE (Lula com 64,0% e 63,5%), MG (43,3%), GO (31,1%) e MT (29,2%).

  4. Rivais: em BA, CE e PI o segundo colocado tinha o PL na coligação; em PE, AL, PA e AP, o PT. Em AL, PA e AP, o eleito tinha o PL e o segundo colocado, o PT; em BA, CE e PI, o eleito tinha o PT e o segundo colocado, o PL.

Os sete segundos turnos estaduais

Em AC, ES, RJ e DF o líder ficou a menos de 0,8 ponto percentual dos 50% que encerrariam a disputa; em RN e TO os finalistas estão separados por 15.509 e 13.412 votos (0,8 e 1,6 ponto); em AM a diferença é de 334.511 votos.

UFLíder (1º turno)DesafianteVotos soltosO que o desafiante precisaCenário-base (hipótese)
RNAllyson, União 36,94% (733.809)Cadu de Lula, PT 36,16% (718.300)534.559 (26,9%), 99% de Álvaro Dias (PL)Margem líquida de 2,9% do poolAllyson 57,3%
AMOmar Aziz, PSD 40,63% (841.846)Maria do Carmo, PL 24,49% (507.335)722.804 (34,9%)46,3% de margem líquidaOmar 62,2%
ACMailza Assis, PP 49,76% (218.760)Alan Rick, Republicanos 32,27% (141.859)79.028 (18,0%)97,3% de margem líquidaMailza 60,2%
ESPazolini, Republicanos 49,65% (1.048.633)Ricardo Ferraço, MDB 34,06% (719.397)344.141 (16,3%)95,7% de margem líquidaPazolini 52,1%
RJDouglas Ruas, PL 49,27% (4.271.199)Eduardo Paes, PSD 42,76% (3.706.984)690.855 (8,0%)81,7% de margem líquidaDouglas 52,8%
TODorinha, União 45,52% (386.260)Vicentinho Júnior, PSDB 43,94% (372.848)89.521 (10,5%)15,0% de margem líquidaVicentinho 50,4%
DFCelina Leão, PP 49,93% (825.530)Leandro Grass, PT 34,47% (569.930)257.777 (15,6%)99,2% de margem líquidaCelina 59,7%

Rio Grande do Norte: empate técnico

Allyson e Cadu estão separados por 15.509 votos; Álvaro Dias (PL, 530.580 votos, 26,7%) tem quase todo o pool. Para chegar a 50% dos votos do 1º turno, Allyson precisaria de 259.525 votos, ou 48,5% do pool. O cenário-base supõe 60% do voto de Álvaro para Allyson e 12% para Cadu. A coligação de Álvaro Dias inclui o PL; as de Allyson (PSD, MDB, União, PP, Republicanos) e de Cadu (PT, PSB, PDT) não. No estado, Lula teve 59,8% e Flávio 34,8%.

Amazonas: diferença de 334.511 votos

Omar (PSD) precisa de 194.147 votos; o pool é grande (34,9%), liderado por Roberto Cidade (União, 453.896) e David Almeida (218.490). Maria do Carmo (PL) só vence se pegar mais de 46% do pool em margem líquida. No 1º turno, Lula teve 48,2% e Flávio 45,0% no estado; a coligação de Omar inclui o PT e a de Maria do Carmo, o PL.

Acre: Mailza a 1.064 votos

Mailza (PP) fez 218.760 votos; metade mais um do total é 219.824. Alan Rick precisaria de 97,3% do pool. No estado, Flávio teve 64,6% e Lula 28,7%; a coligação de Mailza inclui o PL e a de Alan Rick não inclui PT nem PL.

Espírito Santo: Pazolini a 7.453 votos

O pool é quase todo do PT (Helder Salomão, 323.483). Mesmo dando 80% desses votos a Ferraço, o cenário-base mantém Pazolini a 52,1%; Ferraço precisaria de uma maioria acima de 95% do pool líquido. O PT teve candidato próprio e não integra a coligação de nenhum dos finalistas; a de Pazolini inclui o PL. No estado, Lula teve 37,8% e Flávio 54,8%.

Rio de Janeiro: Douglas Ruas e a contingência jurídica

Douglas Ruas (PL) tem 49,27% e Paes (PSD) 42,76%. O pool de 690.855 votos (Garotinho 274.411, William Siri 235.347, Busnello 84.889, André Marinho 45.359) é pequeno para Paes: ele precisaria de 81,7% em margem líquida. Há um risco jurídico: se os votos sub judice forem anulados, Douglas teria 50,88% de 8.394.627 votos válidos, acima da maioria (4.197.314), e não haveria segundo turno. A coligação de Paes inclui o PT; a de Douglas, o PL; Siri é do PSOL e Garotinho, do Republicanos.

Tocantins: empate

Dorinha (União) lidera por 13.412 votos; o pool de 89.521 (Laurez Moreira, PSD, 69.967) decide. No cenário-base (55% do voto de Laurez para Vicentinho e 25% para Dorinha), Vicentinho vira com 50,4%. O estado é pivô presidencial (Flávio +65 mil).

Distrito Federal: Celina a 168 votos

Celina (PP) tem 825.530 votos e, na base do TSE (1.653.237 votos válidos, com 1.843 sub judice), precisaria de mais 1.089 para 50% mais um; sem os votos sub judice (1.651.394 válidos), faltariam 168. Grass (PT) precisaria de 99,2% do pool (Paula Belmonte 140.765, Kiko Caputo 72.148, Cappelli 36.828). O DF vota Flávio 51,3% × Lula 38,1%.

Acoplamento presidente × governador

A tabela mostra onde o voto presidencial supera o do candidato estadual do mesmo campo e onde ocorre o inverso, estado a estado.

A tabela compara, em pontos percentuais do 1º turno, o voto presidencial com o do candidato estadual mais próximo do mesmo campo.

UFLula − candidato do campo de LulaFlávio − candidato do campo de FlávioLeitura
MG43,3 − 26,3 (Patrus) = +17,048,2 − 7,0 (Roscoe, PL) = +41,2Os dois têm muito mais votos que o candidato do seu campo; Cleitinho (Republicanos) teve 55,4%
SP38,2 − 36,4 (Haddad) = +1,851,9 − 62,7 (Tarcísio) = −10,8Tarcísio puxa Flávio; ele tem cerca de 1,6 mi de votos a mais
GO31,1 − 9,8 (Bueno, PT) = +21,353,6 − 22,0 (Wilder, PL) = +31,6Vilela (MDB) teve 59,2% a governador
ES37,8 − 15,3 (Helder, PT) = +22,554,8 − 49,6 (Pazolini) = +5,2Lula tem 22 pontos além do PT; o governo estadual vai ao 2º turno
RN59,8 − 36,2 (Cadu) = +23,634,8 − 26,7 (Álvaro, PL) = +8,1Lula tem 23,6 pontos a mais que Cadu; o governo vai ao 2º turno
PE63,5 − 44,8 (João Campos) = +18,731,0 (sem candidato PL)Raquel Lyra (PSD) ganhou com 53,3%; Lula tem 63,5%
MT29,2 (sem candidato do campo)65,1 − 23,2 (Wellington, PL) = +41,9Pivetta (Republicanos) é quem tem o voto de Flávio
BA66,2 − 55,8 (Jerônimo) = +10,428,5Lula passa o governador em 10 pontos
CE63,3 − 53,2 (Elmano) = +10,131,3Idem
RS35,7 − 31,7 (Brizola, PDT) = +4,055,6 − 58,0 (Zucco) = −2,4Zucco praticamente iguala Flávio
SC25,0 − 15,7 (Merísio, PSB) = +9,366,7 − 69,0 (Jorginho) = −2,3Jorginho iguala Flávio
PR31,2 − 23,5 (Requião Filho, PDT) = +7,759,9 − 50,1 (Moro) = +9,8Flávio vai além de Moro

Três conclusões:

  1. MG, GO, ES e RN: Lula tem entre 17,0 e 23,6 pontos a mais que o candidato do PT; Patrus (MG) teve 26,3%, Bueno (GO) 9,8%, Helder Salomão (ES) 15,3% e Cadu de Lula (RN) 36,2%.

  2. SP: Tarcísio teve 62,7% (coligação de 10 partidos) e Flávio 51,9%, uma diferença de 10,8 pontos; Haddad teve 36,4% e Lula 38,2%.

  3. Nordeste: em BA, CE e PI, estados com governador do PT, Lula tem de 0,1 a 10,4 pontos a mais que ele; em PE, MA, SE, PB e AL, Lula tem de 54,7% a 64,0% e o governador eleito é de outro partido (com PT na coligação em SE e PB).

Incertezas e o que acompanhar até 25/10

A principal fragilidade desta análise é que as transferências são supostas, não medidas; os sinais abaixo dizem qual cenário está se confirmando.

Limites dos dados

  • A apuração usada tem 100% das seções totalizadas; os números só mudam por decisões sobre votos sub judice ou retificações.

  • Os cenários A, B e C são hipóteses; as tabelas estaduais aplicam as mesmas frações nacionais a todos os estados, o que não considera diferenças regionais de comportamento.

  • Transferência de voto não é propriedade do candidato: o apoio de um partido não move todos os seus eleitores, e parte deles pode se abster.

  • A coligação registrada não é apoio: PT e PL aparecem em coligações de ambos os lados em vários estados (ver tabela dos governadores e a segunda análise).

  • RJ: se os 274.411 votos sub judice forem anulados, Douglas Ruas passa de 50% e não há 2º turno estadual; AC e DF dependem de 1.064 e 1.089 votos (168 sem os sub judice no DF).

O que acompanhar

  1. Posição formal de Cury, Caiado, Zema e Renan Santos: apoio, neutralidade ou voto livre. Cada ponto de pool que migra vale cerca de 93 mil votos.

  2. Comparecimento nos estados da região Sudeste (22,7% de abstenção) e no Nordeste (18,4%).

  3. Minas Gerais: posição de Cleitinho e do eleitorado do MDB/PSD; é o estado de maior peso (11,98 mi de válidos) em que a margem é menor que 5 p.p.

  4. Governadores de centro no Nordeste (PE, MA, SE, PB, AL): quem apoia quem.

  5. Segundos turnos estaduais: RN e TO são empates; AM, RJ, DF, AC e ES podem influenciar o clima nacional.

  6. Decisões da Justiça Eleitoral sobre votos sub judice (RJ e outros).

  7. Pesquisas de segundo turno, que ainda não fazem parte desta análise.

Referências para rever as tabelas: cada ponto percentual na fração dos eliminados vale 93 mil votos; cada ponto de comparecimento no Nordeste, 136 mil votos líquidos para Lula; cada 1% dos eleitores de Flávio ou de Lula, 561 mil ou 539 mil votos. As informações novas que mudariam as tabelas são pesquisas de 2º turno, posições formais de Cury, Caiado, Zema e Renan Santos, e decisões da Justiça Eleitoral.

Fontes

  • TSE, Divulgação de Resultados 2026: arquivos de resultados de Presidente (eleição 6257) e Governador (6259), por UF e Brasil; posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas.

  • Cálculos próprios sobre esses arquivos: cenários, diferenças por estado e frações necessárias; os rótulos de coligação vêm da lista de partidos de cada candidato no arquivo do TSE.