Participação, voto cruzado e sensibilidade: o que os dados do 1º turno permitem afirmar
2026-10-06
Resumo
Esta análise complementa a primeira com três lentes que ela não cobre: participação do eleitorado, coerência entre o voto presidencial e o estadual, e sensibilidade dos resultados a cada hipótese; ela não prevê o resultado do 2º turno.
Participação: 125,28 mi de eleitores compareceram (78,92%) e 33,47 mi se abstiveram (21,08%). A abstenção vai de 15,5% (CE) a 23,9% (MS); por região, de 18,4% (Nordeste) a 22,7% (Sudeste).
Efeito de um aumento uniforme de comparecimento: +1 ponto percentual em todos os estados, com os novos eleitores votando como os atuais, desloca cerca de 34 mil votos líquidos a favor de Flávio, porque as regiões com mais abstenção (Sudeste, Sul, Centro-Oeste) têm hoje margem para ele. Só o Nordeste favorece Lula (+136 mil por ponto).
Limite da mobilização regional: se todos os estados do Nordeste chegassem à abstenção do Ceará (15,5%, a menor do país), o saldo líquido adicional seria de cerca de 390 mil votos para Lula, contra uma diferença de 2,22 mi no 1º turno.
Votos brancos e nulos: 4,8% dos comparecimentos na eleição presidencial e 10,1% na de governador, nos estados; em todos os 27 estados o percentual é maior na de governador.
Coerência do voto: nos 12 estados em que Lula lidera, o governador mais votado está em coligação com o PT em 6, com o PL em 3 e com nenhum dos dois em 3; nos 15 em que Flávio lidera, está em coligação com o PL em 12 e com nenhum em 3. A filiação formal da coligação, portanto, prediz pouco o voto presidencial nos estados do Nordeste e do Norte.
Sensibilidade nacional: com todos os votos soltos comparecendo, Lula precisa de 61,9% deles para empatar; cada 1 mi de saldo líquido vindo de eleitores que não votaram antes reduz essa exigência em 5,3 pontos.
Segundos turnos estaduais: em AC, ES, RJ e DF o segundo colocado precisaria de mais de 90% dos votos dos eliminados; em RN (51,5%) e TO (57,5%) a exigência é próxima de equilíbrio, e em AM, de 73,1%.
Dados, definições e limites
Todos os números do 1º turno vêm dos arquivos de resultados do TSE (Presidente e Governador, por UF e Brasil), posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas (499.248 de 499.248); tudo o que é hipótese está identificado como tal.
Definições usadas
Abstenção = eleitores aptos que não compareceram ÷ eleitorado apto (158.745.502).
Brancos + nulos = soma dos dois, como fração do comparecimento.
Votos válidos = base do TSE, incluindo votos sub judice (119.300.788 para Presidente).
Votos soltos (pool) = votos válidos de todos os candidatos exceto os dois finalistas: 9.316.747 no país.
Coligação com PT / com PL = o partido consta da lista de partidos da coligação registrada do candidato a governador no arquivo do TSE. Não mede apoio declarado nem política real.
Hipóteses explícitas nas seções de sensibilidade
Quem votou em Lula ou em Flávio no 1º turno repete o voto (retenção de 100%).
Novos eleitores, quando indicados, votam como os eleitores atuais do estado, salvo quando a tabela diz o contrário.
Os votos soltos são divididos por parâmetros (s, r, M) varridos em grade, sem atribuir probabilidades.
Limites
Os estados somam 53.722.151 votos de Lula e 55.960.603 de Flávio; o total do Brasil (53.879.538 e 56.104.503) inclui 157.387 e 143.900 votos no exterior, que ficam de fora das tabelas por estado.
Os dados não têm pesquisas de intenção de voto, declarações de apoio nem comportamento individual: nenhuma transferência aqui é medida.
A comparação entre eleições de presidente e de governador usa o mesmo comparecimento, mas não o mesmo eleitor; um voto em branco no governo não diz o que o eleitor fez para presidente.
Participação: abstenção, brancos e nulos
A abstenção é menor nos estados em que Lula lidera (18,6%, em 12 UFs) do que nos em que Flávio lidera (22,0%, em 15 UFs); a diferença é de 3,4 pontos.
| Região | Eleitorado | Abstenção | Brancos + nulos, Presidente | Brancos + nulos, Governador |
|---|---|---|---|---|
| Sudeste | 66.344.562 | 22,7% | 5,5% | 11,5% |
| Centro-Oeste | 12.001.141 | 21,7% | 3,3% | 9,2% |
| Sul | 22.870.853 | 20,5% | 3,8% | 8,8% |
| Norte | 13.101.175 | 19,4% | 3,4% | 8,6% |
| Nordeste | 43.511.237 | 18,4% | 5,1% | 9,4% |
Brancos e nulos. Em todos os 27 estados, brancos e nulos pesam mais na disputa para governador (média de 10,1% do comparecimento) do que na presidencial (4,8%). Os maiores contrastes: PB (14,6% contra 6,3%), TO (11,8% contra 3,6%) e MS (11,4% contra 3,3%). Na presidencial, os maiores percentuais estão em PB (6,3%), AL (6,2%) e SP (5,9%).
O que isso permite afirmar. A abstenção está distribuída de forma desigual e correlacionada com o resultado estadual; os dados não mostram se os abstencionistas teriam votado de modo diferente dos que compareceram.
Voto cruzado: presidente × governador
Em 19 dos 27 estados, ao menos uma das duas somas (governadores com PT ou com PL na coligação) difere em mais de 10 pontos do voto presidencial correspondente; a coligação estadual acompanha o voto presidencial de perto em apenas 11 estados.
A tabela compara, em cada UF, o voto válido presidencial com a soma dos votos válidos dos candidatos a governador cuja coligação registrada inclui o PT (colunas 3 e 4) ou o PL (colunas 6 e 7). Coligações de candidatos diferentes podem incluir o mesmo partido; onde nenhum candidato a governador tem o partido, a coluna mostra 0,0.
| UF | Lula (%) | Governadores com PT na coligação (%) | Diferença (p.p.) | Flávio (%) | Governadores com PL na coligação (%) | Diferença (p.p.) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| PI | 71,0 | 70,9 | -0,1 | 24,1 | 27,5 | +3,4 |
| BA | 66,2 | 55,8 | -10,4 | 28,5 | 43,7 | +15,2 |
| MA | 64,0 | 9,6 | -54,4 | 30,9 | 0,0 | -30,9 |
| PE | 63,5 | 44,8 | -18,6 | 31,0 | 0,0 | -31,0 |
| CE | 63,3 | 53,2 | -10,1 | 31,3 | 46,2 | +15,0 |
| SE | 62,7 | 59,3 | -3,5 | 30,6 | 0,0 | -30,6 |
| PB | 61,3 | 64,3 | +3,0 | 33,1 | 24,2 | -8,9 |
| RN | 59,8 | 36,2 | -23,6 | 34,8 | 26,7 | -8,1 |
| AL | 54,7 | 47,4 | -7,4 | 40,4 | 52,2 | +11,8 |
| PA | 49,9 | 46,5 | -3,4 | 44,5 | 51,4 | +6,9 |
| AM | 48,2 | 40,6 | -7,6 | 45,0 | 24,5 | -20,5 |
| AP | 45,7 | 37,0 | -8,7 | 45,7 | 62,8 | +17,1 |
| TO | 43,4 | 8,2 | -35,2 | 50,4 | 45,5 | -4,9 |
| MG | 43,3 | 26,3 | -17,0 | 48,2 | 7,0 | -41,3 |
| RJ | 39,4 | 42,8 | +3,3 | 53,0 | 49,3 | -3,7 |
| SP | 38,2 | 36,4 | -1,8 | 51,9 | 62,7 | +10,7 |
| DF | 38,1 | 34,5 | -3,6 | 51,3 | 49,9 | -1,4 |
| ES | 37,8 | 15,3 | -22,4 | 54,8 | 49,6 | -5,1 |
| RS | 35,7 | 31,7 | -4,1 | 55,6 | 58,0 | +2,4 |
| MS | 34,7 | 23,7 | -11,0 | 58,6 | 67,1 | +8,5 |
| PR | 31,2 | 23,5 | -7,7 | 59,9 | 50,1 | -9,8 |
| GO | 31,1 | 9,8 | -21,2 | 53,6 | 22,0 | -31,6 |
| MT | 29,2 | 15,2 | -14,0 | 65,1 | 23,2 | -42,0 |
| AC | 28,7 | 7,5 | -21,2 | 64,6 | 49,8 | -14,8 |
| RO | 25,9 | 7,7 | -18,2 | 67,5 | 56,9 | -10,6 |
| SC | 25,0 | 15,7 | -9,4 | 66,7 | 69,0 | +2,3 |
| RR | 22,9 | 1,5 | -21,3 | 71,1 | 69,1 | -1,9 |
O que a tabela mostra
Diferença de até 5 pontos em ao menos uma coluna (11 estados): PI, SE, PB, PA, TO, RJ, SP, DF, RS, SC e RR.
Presidente muito acima do candidato do campo: Flávio tem 48,2% em MG, 65,1% em MT e 53,6% em GO, onde os candidatos a governador com PL na coligação somam 7,0%, 23,2% e 22,0%. Lula tem 64,0% no MA, 43,4% no TO e 59,8% no RN, onde os candidatos com PT na coligação somam 9,6%, 8,2% e 36,2%.
Governador com PL na coligação acima de Flávio: AP (+17,1), BA (+15,2), CE (+15,0), AL (+11,8), SP (+10,7), PA (+6,9). Em BA e CE, o candidato com PL na coligação (ACM Neto, Ciro Gomes) perdeu a eleição estadual.
Estados sem governador com PL na coligação (MA, PE, SE): Flávio teve 30,9%, 31,0% e 30,6%, ou seja, voto presidencial sem um candidato estadual do mesmo partido.
Primeiros colocados por campo. Nos 12 estados em que Lula lidera, a coligação do governador mais votado inclui o PT em 6 (PI, BA, CE, SE, PB, AM), o PL em 3 (AL, PA, AP) e nenhum dos dois em 3 (MA, PE, RN). Nos 15 em que Flávio lidera, inclui o PL em 12 e nenhum dos dois em 3 (MG, MT, GO).
Sensibilidade nacional: o que cada combinação de hipóteses produz
Com retenção de 100% dos eleitores de Lula e de Flávio, o resultado do 2º turno depende de três parâmetros, e Lula supera Flávio quando a combinação deles vence a diferença de 2.224.965 votos do 1º turno.
(L - F)_{final} = -2.224.965 + r . P . (2s - 1) + M
P = 9.316.747, votos dos candidatos eliminados.
r = fração de P que vota em um dos dois finalistas (o resto se abstém, vota em branco ou anula).
s = fração desses votos que vai para Lula; Flávio recebe 1 − s.
M = saldo líquido (Lula menos Flávio) vindo de quem não votou em ninguém no 1º turno (abstenção, branco, nulo) ou de mudança de voto entre os finalistas.
Fração s de que Lula precisa para empatar, por M e por r. Abaixo do valor, Flávio vence; acima, Lula vence.
| M (saldo líquido, milhões) | r = 100% | r = 85% | r = 70% |
|---|---|---|---|
| −2,0 | 72,7% | 76,7% | 82,4% |
| −1,0 | 67,3% | 70,4% | 74,7% |
| 0 | 61,9% | 64,0% | 67,1% |
| +1,0 | 56,6% | 57,7% | 59,4% |
| +2,0 | 51,2% | 51,4% | 51,7% |
| +3,0 | 45,8% | 45,1% | 44,1% |
| +4,0 | 40,5% | 38,8% | 36,4% |
| +5,0 | 35,1% | 32,5% | 28,7% |
Com M = 0, uma fração s de 70% dos votos soltos dá a Lula 1.501.734 votos de vantagem (r = 100%) ou 942.729 (r = 85%); com s = 60%, Flávio vence por 361.616 (r = 100%) ou 641.118 (r = 85%); com s = 50%, Flávio vence por 2.224.965 em qualquer r.
De onde pode vir M. Se N eleitores que não votaram em nenhum dos dois entram e escolhem Lula com probabilidade q, M = N × (2q − 1).
| N (milhões de novos votantes) | q = 60% | q = 70% | q = 80% |
|---|---|---|---|
| 2 | 0,4 | 0,8 | 1,2 |
| 4 | 0,8 | 1,6 | 2,4 |
| 6 | 1,2 | 2,4 | 3,6 |
| 8 | 1,6 | 3,2 | 4,8 |
Leitura simétrica. A mesma tabela serve para Flávio: ele vence sempre que s fica abaixo do valor da célula. Com M = 0 e r = 100%, ele precisa reter 38,1% dos votos soltos; cada milhão de saldo líquido a favor de Lula reduz essa folga em 5,3 pontos percentuais, e cada milhão a favor de Flávio a aumenta no mesmo valor.
O que a grade não responde. Quais valores de s, r e q são mais prováveis. Isso exigiria dados que não estão nos resultados de 1º turno (pesquisas, posições formais dos partidos, comparecimento observado em 2º turnos anteriores).
Onde um ponto de comparecimento rende mais votos líquidos
Se os novos eleitores votarem como os atuais do seu estado, +1 ponto percentual de comparecimento rende a Lula até 40 mil votos líquidos na Bahia e custa 44 mil em São Paulo; no país inteiro, o saldo é de 34 mil votos para Flávio.
O cálculo, por UF, é 1% do eleitorado × (votos de Lula − votos de Flávio) ÷ comparecimento. A tabela mostra os oito maiores saldos para cada lado.
| UF | Abstenções (eleitores) | Saldo líquido por +1 p.p. de comparecimento (votos) |
|---|---|---|
| BA | 2.259.151 | +40.262 (Lula) |
| PE | 1.312.388 | +22.191 (Lula) |
| CE | 1.086.074 | +21.289 (Lula) |
| MA | 1.022.772 | +16.536 (Lula) |
| PI | 463.875 | +12.151 (Lula) |
| PB | 564.543 | +8.590 (Lula) |
| RN | 488.812 | +6.340 (Lula) |
| SE | 301.053 | +5.298 (Lula) |
| MG | 3.735.098 | −7.626 (Flávio) |
| MT | 585.668 | −9.215 (Flávio) |
| GO | 1.109.003 | −11.040 (Flávio) |
| RS | 1.819.642 | −16.262 (Flávio) |
| RJ | 2.997.846 | −16.611 (Flávio) |
| SC | 1.086.492 | −23.106 (Flávio) |
| PR | 1.772.200 | −23.805 (Flávio) |
| SP | 7.690.900 | −44.107 (Flávio) |
Por região (por +1 p.p.): Nordeste +135.929 para Lula; Sudeste −73.217, Sul −63.173, Centro-Oeste −27.823 e Norte −5.807 para Flávio.
Cenários de convergência de comparecimento. Quanto muda o saldo se os estados com abstenção acima de um patamar o reduzirem até ele, com os novos eleitores votando como os atuais:
| Patamar de abstenção | Novos votantes | Saldo líquido (Lula − Flávio) |
|---|---|---|
| 20,0% em todos os estados acima disso | 2,23 mi | −297 mil |
| 18,0% | 4,72 mi | −487 mil |
| 15,5% (o menor, do CE) | 8,43 mi | −642 mil |
| Apenas os 9 estados do Nordeste até 15,5% | — | +390 mil |
Leitura. Os maiores estoques de abstenção estão em SP (7,69 mi), MG (3,74 mi) e RJ (3,00 mi), onde o saldo por ponto é desfavorável a Lula ou pequeno (em MG, a margem do 1º turno é de 589 mil votos). A Bahia concentra o maior saldo por ponto, mas tem 2,26 mi de abstencionistas, 15% do estoque do Sudeste (15,06 mi). Se os abstencionistas votarem de modo diferente dos votantes atuais, os sinais mudam; os dados do 1º turno não permitem estimar isso.
Sensibilidade dos sete segundos turnos estaduais
Com retenção de 100% dos eleitores dos dois finalistas, o desafiante só consegue virar com os votos dos eliminados em RN (51,5% deles) e TO (57,5%); em AM precisaria de 73,1%, e em RJ, ES, AC e DF de 90,8% a 99,6%, com comparecimento integral desse grupo.
As colunas s* são as frações dos votos dos candidatos eliminados que o desafiante precisa para empatar, supondo que todos votem (r = 100%), 80% votem (r = 80%) ou 60% votem (r = 60%); valores acima de 100% significam que não há combinação possível sem mudança de voto dos finalistas ou novos eleitores.
| UF | Diferença líder − desafiante (votos) | Votos dos eliminados | Falta ao líder para 50%+1 (votos) | s* (r = 100%) | s* (r = 80%) | s* (r = 60%) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| TO | 13.412 | 89.521 | 38.055 | 57,5% | 59,4% | 62,5% |
| RN | 15.509 | 534.559 | 259.526 | 51,5% | 51,8% | 52,4% |
| AM | 334.511 | 722.804 | 194.147 | 73,1% | 78,9% | 88,6% |
| RJ | 564.215 | 690.855 | 63.321 | 90,8% | 101,0% | 118,1% |
| ES | 329.236 | 344.141 | 7.453 | 97,8% | 109,8% | 129,7% |
| AC | 76.901 | 79.028 | 1.064 | 98,7% | 110,8% | 131,1% |
| DF | 255.600 | 257.777 | 1.089 | 99,6% | 112,0% | 132,6% |
A quarta coluna mede o quão perto o líder ficou de encerrar no 1º turno; ela não é a regra do 2º turno, que se decide pela maioria dos votos válidos do próprio 2º turno.
Coligações formais dos finalistas (partidos PT e PL no arquivo do TSE) e maiores candidatos eliminados:
| UF | Líder | Desafiante | Maiores eliminados (votos) |
|---|---|---|---|
| TO | Dorinha, União: PL, sem PT | Vicentinho, PSDB: sem PL nem PT | Laurez Moreira, PSD, com PT na coligação (69.967) |
| RN | Allyson, União: sem PT nem PL | Cadu de Lula, PT | Álvaro Dias, PL na coligação (530.580) |
| AM | Omar Aziz, PSD: com PT | Maria do Carmo, PL | Roberto Cidade, União (453.896); David Almeida (218.490) |
| RJ | Douglas Ruas, PL | Eduardo Paes, PSD: com PT | Garotinho, Republicanos (274.411, sub judice); William Siri, PSOL (235.347) |
| ES | Pazolini, Republicanos: com PL | Ferraço, MDB: sem PT nem PL | Helder Salomão, PT (323.483) |
| AC | Mailza Assis, PP: com PL | Alan Rick, Republicanos: sem PT nem PL | Tião Bocalom, PSDB (44.946); Thor Dantas, com PT (32.963) |
| DF | Celina Leão, PP: com PL | Leandro Grass, PT | Paula Belmonte, PSDB (140.765); Kiko Caputo (72.148) |
Observações de dados
RN: 99% dos eliminados são de Álvaro Dias, cuja coligação inclui o PL; a diferença de 15.509 votos entre os finalistas equivale a 2,9% desse grupo.
RJ: 274.411 dos votos de Garotinho são sub judice. Se anulados, o total válido cai a 8.394.627 e Douglas Ruas fica com 50,88%, acima da maioria (4.197.314).
DF: a diferença até a maioria é de 1.089 votos com os 1.843 votos sub judice contados, ou 168 sem eles.
TO: o 2º colocado está a 1,6 ponto percentual do 1º.
Leituras alternativas e o que os dados não permitem concluir
Os resultados do 1º turno fixam a diferença de partida e o tamanho de cada reservatório de votos, mas não fixam para onde esses votos vão.
1. Retenção abaixo de 100%. Cada 1% dos eleitores de Flávio que não repete o voto são 561.045 votos; cada 1% dos de Lula, 538.795. Se Lula retivesse todos e Flávio perdesse cerca de 4,0% dos seus (por abstenção), a diferença de 2.224.965 se anularia; a perda simétrica de Lula (4,1% dos seus) a dobraria para 4,4 mi. A grade da seção de sensibilidade absorve isso em M, mas a retenção diferencial é outra fonte de incerteza do mesmo tamanho que os votos soltos.
2. Heterogeneidade dos votos soltos. Os 9,3 mi se dividem em Cury (3,45 mi), Renan Santos (2,68 mi), Caiado (2,61 mi), Zema (0,33 mi) e candidatos menores (0,26 mi); a divisão de cada grupo entre os finalistas não está nos dados. A grade usa um s único para o conjunto.
3. Coligação não é apoio. O arquivo do TSE lista os partidos da coligação estadual; não diz se o governador eleito fará campanha por algum finalista, e a tabela de voto cruzado mostra que o voto presidencial e o estadual divergem em 19 estados.
4. Comparecimento não é homogêneo dentro do estado. Os arquivos usados são agregados por UF; a distribuição municipal e por zona da abstenção pode alterar o saldo líquido de cada ponto adicional de comparecimento, e está disponível no mapa de apuração por município e zona desta série, não neste documento.
5. Eventos jurídicos. Votos sub judice (RJ: 274.411; DF: 1.843) podem alterar os percentuais e, no RJ, a própria existência do 2º turno estadual.
6. Efeito de composição. Comparações entre estados misturam eleitorados muito diferentes em tamanho (SP: 34,1 mi de eleitores; RR: 0,4 mi); por isso as tabelas trazem votos absolutos ao lado dos percentuais.
O que pode ser acompanhado (não está nestes dados, mas mudaria as grades): pesquisas do 2º turno; posições formais de Cury, Caiado, Zema, Renan Santos e dos governadores eleitos; comparecimento do 2º turno; decisões da Justiça Eleitoral sobre votos sub judice.
Fontes
TSE, Divulgação de Resultados 2026: arquivos de resultados de Presidente (eleição 6257) e Governador (6259), por UF e Brasil, posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas.
Cálculos próprios: abstenção, brancos e nulos, saldos por ponto de comparecimento, convergência de abstenção, grade de sensibilidade e frações s* dos segundos turnos estaduais. A condição de “coligação com PT ou PL” vem da lista de partidos da coligação de cada candidato no arquivo do TSE.
Primeira análise desta série: Segundo turno 2026: alianças decisivas para Presidente e Governadores.
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