Todas as regiões do país deram a Lula um saldo líquido positivo entre os turnos, mas em tamanhos muito diferentes. O Sudeste respondeu por 42,9% da oscilação de 6,66 milhões de votos na vantagem sobre Flávio, com 42% do eleitorado. O Nordeste, com 27% do eleitorado, respondeu por 38,4%. Somadas, as duas regiões deram 81% do saldo. O Sul, que tem 14% do eleitorado, contribuiu com 7,0%.
| Região | Eleitorado | Margem 1º | Margem 2º | Mudança | Saldo líquido p/ Lula | % do saldo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sudeste | 41,8% | +11,7 p.p. | +5,5 p.p. | −6,2 p.p. | 2,86 mi | 42,9% |
| Nordeste | 27,4% | −32,9 p.p. | −38,7 p.p. | −5,8 p.p. | 2,56 mi | 38,4% |
| Sul | 14,4% | +28,8 p.p. | +25,2 p.p. | −3,6 p.p. | 0,47 mi | 7,0% |
| Norte | 8,2% | +4,5 p.p. | 0,0 p.p. | −4,5 p.p. | 0,46 mi | 6,9% |
| Centro-Oeste | 7,6% | +23,9 p.p. | +20,0 p.p. | −3,9 p.p. | 0,30 mi | 4,5% |
| Exterior | 0,6% | −4,1 p.p. | −7,7 p.p. | −3,6 p.p. | 0,02 mi | 0,2% |
Todos os estados se moveram na mesma direção
Nos 27 estados, a margem entre Flávio e Lula mudou a favor de Lula. A mudança variou de −2,3 p.p. em RO a −7,4 p.p. em RJ. Os maiores deslocamentos foram os de RJ (−7,4), AL (−7,3), SE (−6,9), PB (−6,7), RN (−6,5). Os menores, os de RO (−2,3), AC (−2,7), SC (−2,8), GO (−3,2), RR (−3,3). Nos estados em que Flávio tinha a maior vantagem no primeiro turno a mudança tendeu a ser menor: entre as zonas, a correlação entre a margem inicial e o deslocamento é de 0,26, positiva, ou seja, margens mais favoráveis a Flávio andam com deslocamentos menos intensos.
Minas Gerais: o único estado que trocou de líder
Em Minas, Flávio estava 4,9 p.p. à frente no primeiro turno e Lula terminou o segundo com 0,9 p.p. de vantagem: 6.351.099 votos contra 6.241.786 para Flávio, uma diferença de 109.313 votos num estado de 12,6 milhões de votos válidos. A virada mineira não foi concentrada. Foram 76 municípios mineiros em que a liderança passou de Flávio para Lula, o maior número entre os estados, e 85 zonas. O saldo líquido de Minas na oscilação nacional (0,70 milhão) é o segundo entre os estados, atrás de São Paulo.
Com a mudança, Lula passou a liderar em 13 estados, contra 12 no primeiro turno. No Amapá a disputa inicial foi quase um empate: Lula teve 225 votos a mais que Flávio no primeiro turno, em mais de 465 mil votos válidos.
Quatro estados e o Norte como um todo
SP (1,40 mi), MG (0,70 mi), RJ (0,67 mi) e BA (0,65 mi) somam 51% do saldo líquido nacional. São também os quatro maiores eleitorados do país. O Norte merece uma nota. Como região, passou de uma vantagem de Flávio de 4,5 p.p. no primeiro turno a um empate quase exato no segundo: Lula ficou à frente por 1.079 votos em 10,0 milhões de votos válidos. Ali o comparecimento caiu, de 80,6% para 78,8% do eleitorado, e ainda assim a margem se deslocou 4,5 pontos.
Dados: arquivos públicos de divulgação do TSE (totalização por município e zona), 1º e 2º turnos de 2026, lidos em 26/10/2026; os números podem diferir dos resultados finais oficiais se os arquivos forem atualizados. Mapa interativo: https://pauloccoimbra.github.io/mapa-dois-turnos-2026/. Código, dados e metodologia: https://github.com/pauloccoimbra/mapa-dois-turnos-2026. Este texto é descritivo e não partidário: usa apenas totais oficiais agregados por zona eleitoral, sem dados pessoais.
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