No 1º turno, Flávio Bolsonaro teve 56.104.503 votos e Lula, 53.879.538. Os outros candidatos somaram 9.316.747 votos válidos, 7,81% do total. No 2º turno, os votos válidos chegaram a 124.082.273, e a soma dos dois finalistas cresceu 14.098.232 votos. Esse aumento equivale a 1,51 vez os votos dos eliminados (chamo essa razão de r = 1,513; passa de 1 porque comparecimento, brancos e nulos também mudaram). Do aumento, 10.376.694 votos (73,60%) foram para Lula e 3.721.538 (26,40%) para Flávio Bolsonaro.
Como referência: no 1º turno, Lula tinha 48,99% dos votos dos dois finalistas. Se o aumento se repartisse nessa proporção, Flávio Bolsonaro ainda terminaria na frente por cerca de 2,51 milhões de votos. Com r = 1,513, o empate pedia que Lula ficasse com 57,89% do aumento. Ficou com 73,60%.
Por UF, a margem Flávio Bolsonaro − Lula diminuiu em todas as unidades, em média 5,40 p.p. (de −8,51 a −2,42). As maiores variações foram no Rio de Janeiro (−8,5), em São Paulo (−7,5), em Goiás (−7,3), em Santa Catarina e em Alagoas (−6,5 cada). As menores, em Pernambuco (−4,1), no Ceará (−4,0), no Exterior (−3,2), na Bahia (−2,9) e no Piauí (−2,4). A correlação entre as margens dos dois turnos, entre as UFs, é de 0,999: o mapa do 2º turno lembra bastante o do 1º, deslocado.
Cada bolha é uma unidade; o tamanho indica os votos válidos. Acima da diagonal, Flávio Bolsonaro teve mais votos; abaixo, Lula.
Há exceções. No Acre, no Amapá e em Roraima, a soma de votos dos finalistas diminuiu em relação ao 1º turno, e a parcela do aumento nem chega a ser definida. No Maranhão, no Tocantins e no Amazonas, Flávio Bolsonaro teve menos votos que em outubro (−9.069, −1.405 e −1.519).
Dos candidatos que ficaram fora, Augusto Cury teve 2,89% dos válidos no 1º turno, Renan Santos 2,24% e Ronaldo Caiado 2,18%. Entre as UFs, a votação de Renan Santos tem correlação de 0,49 com a margem Flávio Bolsonaro − Lula do 1º turno; a de Caiado, 0,29; a de Cury, 0,11. Isso descreve onde esses candidatos tiveram votos, não para quem foram os eleitores deles.
| UF | Variação de Lula (votos) | Variação de Flávio Bolsonaro (votos) | r | s (parcela de Lula no aumento) |
|---|---|---|---|---|
| Acre | +9.743 | −15.092 | −0,17 | não definida |
| Alagoas | +157.162 | +8.422 | 1,89 | 94,9% |
| Amapá | +10.465 | −13.604 | −0,08 | não definida |
| Amazonas | +98.787 | −1.519 | 0,66 | 101,6% |
| Bahia | +820.487 | +166.176 | 2,18 | 83,2% |
| Ceará | +480.861 | +62.628 | 1,78 | 88,5% |
| Distrito Federal | +149.597 | +69.926 | 1,17 | 68,1% |
| Espírito Santo | +151.937 | +61.310 | 1,27 | 71,2% |
| Exterior | +42.767 | +27.597 | 2,38 | 60,8% |
| Goiás | +396.675 | +293.446 | 1,18 | 57,5% |
| Maranhão | +241.930 | −9.069 | 1,14 | 103,9% |
| Mato Grosso | +112.486 | +52.518 | 1,46 | 68,2% |
| Mato Grosso do Sul | +112.118 | +54.541 | 1,67 | 67,3% |
| Minas Gerais | +1.162.163 | +464.238 | 1,61 | 71,5% |
| Pará | +263.212 | +35.983 | 1,10 | 88,0% |
| Paraíba | +252.932 | +33.833 | 2,03 | 88,2% |
| Paraná | +511.907 | +346.099 | 1,47 | 59,7% |
| Pernambuco | +563.542 | +94.511 | 2,13 | 85,6% |
| Piauí | +130.279 | +8.831 | 1,32 | 93,7% |
| Rio de Janeiro | +872.372 | +202.189 | 1,51 | 81,2% |
| Rio Grande do Norte | +175.633 | +16.916 | 1,70 | 91,2% |
| Rio Grande do Sul | +529.793 | +300.595 | 1,50 | 63,8% |
| Rondônia | +43.779 | +21.394 | 1,01 | 67,2% |
| Roraima | +9.085 | −11.647 | −0,13 | não definida |
| Santa Catarina | +291.146 | +220.051 | 1,37 | 57,0% |
| São Paulo | +2.613.861 | +1.217.155 | 1,56 | 68,2% |
| Sergipe | +133.022 | +15.515 | 1,64 | 89,6% |
| Tocantins | +38.953 | −1.405 | 0,66 | 103,7% |
Em cada UF, r é o aumento líquido dos dois finalistas dividido pelos votos válidos que os demais candidatos tiveram ali no 1º turno; s é a parcela desse aumento que ficou com Lula. Valores de s acima de 100% ocorrem quando Flávio Bolsonaro teve menos votos que em outubro.
Cuidados na leitura. r e s são resumos de totais nacionais e estaduais. Não dizem como cada eleitor votou, e é esse o limite da inferência ecológica. Um aumento líquido também não é bruto: pode incluir quem se absteve em outubro e votou agora, e eleitores de um finalista podem ter mudado de escolha.
Os números vêm dos arquivos públicos de divulgação de resultados do TSE (resultados.tse.jus.br), com o resultado final do 2º turno (25 de outubro de 2026), 100% das seções totalizadas. O resultado oficial é o do TSE. Cálculos próprios, que podem conter erros. Margem = Flávio Bolsonaro − Lula, em votos válidos.
Projeto independente de Paulo C. Coimbra, sem vínculo com o TSE, partidos ou candidaturas. Veja a aba Perfil do voto no site Apuração 2026 · 2º turno; o 1º turno tem site próprio: Apuração 2026 · 1º turno.

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