O que o Titanic ensina sobre dados (e sobre modelos que parecem melhores do que são)
O que o Titanic ensina sobre dados (e sobre modelos que parecem melhores do que são)
2026-10-09
Quem começa em ciência de dados quase sempre passa pelo Titanic. Abre o arquivo, treina um algoritmo, obtém uns 80% de acerto e segue em frente. Eu preparei um material para a pergunta que fica no ar depois disso: o que esses 80% significam, e o que eles não dizem?
O resultado é um conjunto de três peças abertas, em português, para aula e estudo individual: uma página com o código e os resultados comentados, um notebook Python que reproduz tudo e um artigo que liga cada passo à teoria. Os links estão no fim do texto; antes, vale contar o que os dados mostram.
O desafio do Kaggle
O Titanic: Machine Learning from Disaster é a competição de entrada do Kaggle, a plataforma de desafios de ciência de dados. Cada participante recebe 891 passageiros com o desfecho conhecido (sobreviveu ou não) e deve prever o desfecho de outros 418. A base é pequena o bastante para ser lida linha a linha e, ao mesmo tempo, traz quase todos os problemas de um projeto real: dados ausentes (a idade falta em 20% dos casos e a cabine em 77%), texto no nome e no bilhete, variáveis numéricas e categóricas misturadas e relações que só aparecem quando se cruzam duas variáveis.
Quatro coisas que os dados mostram
1. O sexo pesou mais que tudo. Das 314 mulheres do arquivo, 74,2% sobreviveram; dos 577 homens, 18,9%. A razão de chances bruta é 12,4 (intervalo de confiança de 95%: 8,9 a 17,1).
2. A classe mudou o tamanho desse efeito. Entre as mulheres, sobreviveram 97% na 1ª classe, 92% na 2ª e 50% na 3ª. Entre os homens, 37%, 16% e 14%. O teste de interação entre sexo e classe tem χ²(2) = 32,7 (p < 0,001): a vantagem de ser mulher não foi a mesma em todos os convés.
Taxa de sobrevivência por sexo e classe (esquerda) e número de passageiros por célula (direita).
3. O porto de embarque era, em boa parte, a classe disfarçada. Quem embarcou em Cherbourg sobreviveu mais que quem embarcou em Southampton (razão de chances 2,44). Mas 51% dos passageiros de Cherbourg viajavam na 1ª classe, contra 20% em Southampton. Ao controlar classe e sexo, a razão cai para 1,81; no modelo completo, para 1,36 (p = 0,21). A associação bruta enganava sobre a causa, e esse é um bom exemplo de confusão para a sala de aula.
4. Modelos sofisticados quase não superam uma regra de uma linha. Em validação cruzada, cinco classificadores (regressão logística, KNN, SVM, floresta aleatória e gradient boosting) ficaram entre 81,1% e 83,2% de acurácia. A regra "mulher sobrevive, homem morre" acerta 78,7% do arquivo. No conjunto de teste, com 179 passageiros, a diferença entre o modelo escolhido e essa regra não foi estatisticamente distinguível (McNemar exato, p = 0,44). O recado é medir sempre contra uma linha de base e informar a incerteza: com um teste tão pequeno, 1 acerto a mais muda a acurácia em 0,56 ponto percentual.
O que há no repositório
Tudo está em um repositório aberto, com licença MIT para o código e CC BY 4.0 para textos e figuras:
Artigo didático:artigo.pdf. Liga cada etapa à teoria: intervalo de Wilson, mecanismos de dados ausentes, qui-quadrado e V de Cramér, regressão logística e razão de verossimilhança, viés e variância, validação cruzada, vazamento de dados, calibração e teste de McNemar. Termina com perguntas para seminário.
Na aula, a página pode ser apresentada de cima para baixo. Depois, o aluno copia as caixas de código na ordem para um notebook vazio (ou usa o botão "Copiar todo o código") e reproduz os mesmos resultados, já que a semente aleatória é fixa. A página traz ainda seis exercícios, como comparar estratégias de imputação da idade ou provocar um vazamento de dados de propósito para ver o que acontece.
Limites
São 891 passageiros de um navio com cerca de 2.200 pessoas, e os números descrevem associações, não causas. A ausência de idade e de cabine tem relação com a classe, e a imputação por título e classe reduz a variância da idade (o desvio-padrão cai de 14,5 para 13,5). Os modelos preditivos esbarram num teto de acurácia perto de 83%, e o que falta explicar (posição no navio, acesso aos botes, decisões individuais) não está no arquivo.
Se você usar o material em aula, vou gostar de saber como foi. Sugestões e correções entram pelas issues do repositório.
Como citar: COIMBRA, Paulo C. Titanic: da análise exploratória à predição de sobrevivência: material didático (página de aula, notebook e artigo). Juiz de Fora: UFJF, 2026. Disponível em: https://github.com/pauloccoimbra/titanic-eda-ml-aula.
Material elaborado com assistência de IA (Claude, da Anthropic) e revisado pelo autor.
Votos sub judice e uma diferença de 375.575: como conferi os números do site com os arquivos do TSE
Votos sub judice e uma diferença de 375.575: como conferi os números do site com os arquivos do TSE
2026-10-08
Bastidores da checagem: uma discrepância que apareceu, de onde vinha, e o que "sub judice" muda nos percentuais.
Ao somar os votos de todos os partidos na Câmara, cheguei a 114.053.594. O total de votos válidos de deputado federal nos arquivos do TSE é 113.678.019. A diferença, de 375.575 votos, não é erro de conta, e o motivo ilustra algo que costuma passar despercebido nas apurações: o voto sub judice.
O que é voto sub judice
É o voto dado a um candidato cujo registro de candidatura ainda está sendo discutido na Justiça Eleitoral. O TSE o contabiliza separadamente (nos arquivos, "Anulado sub judice") e ele não entra nos votos válidos, que são a base dos percentuais. Se a decisão final aceitar o registro, os votos passam a valer; se rejeitar, são anulados. Até lá, os percentuais podem mudar.
Onde isso aparece
Deputado federal: 375.575 votos (0,33% dos válidos) distribuídos por 24 partidos; nenhum candidato com esses votos foi eleito. Somando-os aos válidos, a conta dos partidos fecha exatamente: 113.678.019 + 375.575 = 114.053.594.
Governador do Rio de Janeiro: 274.411 votos de Garotinho estão sub judice.
Governador do Distrito Federal: 1.843 votos de dois candidatos.
Nos dois governos estaduais, uma decisão da Justiça Eleitoral pode alterar percentuais, o que importa para quem observa a disputa do segundo turno. No Rio, onde 274 mil votos é um número grande, a atenção é maior.
As outras conferências
O site compara, ao abrir cada página, a soma dos 27 estados e do exterior com o total oficial: comparecimento (125.275.835), eleitorado (158.745.502) e abstenção (33.469.667, ou 21,08%) conferem. Duas pequenas diferenças são conhecidas e documentadas: o comparecimento oficial é 5.246 votos (0,004%) maior do que votos nominais, brancos e nulos somados, porque o TSE não classifica esses votos nos arquivos; e, no exterior, a abstenção informada difere em 423 da diferença entre eleitorado e comparecimento, caso em que o site usa a diferença.
Uma lição prática: quando duas fontes do mesmo órgão não fecham, o primeiro passo é procurar uma regra de classificação que explique a diferença, antes de supor erro. Aqui, a regra explicava tudo: 375.575 votos que não são "válidos" nem "nulos" definitivos. Os números por unidade (28) também foram conferidos contra os arquivos públicos do TSE em 08/10/2026.
Para explorar os números: a página Síntese (qualidade dos dados e glossário) do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 08/10/2026.
Mobilizar a abstenção onde Lula é forte: quanto teria de mudar para fechar 2,2 milhões de votos
Mobilizar a abstenção onde Lula é forte: quanto teria de mudar para fechar 2,2 milhões de votos
2026-10-08
Uma conta de ordem de grandeza sobre comparecimento nos 12 estados em que Lula lidera. Não é previsão: é o tamanho do esforço que a hipótese exigiria.
Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno 2.224.965 votos à frente. Em um texto anterior, mostrei que um ponto percentual a mais de comparecimento em todos os estados, com os novos eleitores votando como os que já votaram, favorece Flávio em 34.092 votos líquidos, porque a maior parte dos ausentes está onde ele já lidera. A pergunta que sobra é outra: e se a mobilização fosse dirigida só aos estados em que Lula tem maioria? Quanto teria de subir o comparecimento ali para fechar a diferença sozinha?
A conta
Lula lidera em 12 estados (AL, AP, AM, BA, CE, MA, PA, PB, PE, PI, RN e SE). Neles, cada ponto percentual de comparecimento a mais, com os novos votantes repetindo a divisão local, rende um saldo líquido para Lula. Somando os 12 e dividindo a diferença nacional por esse saldo, o aumento necessário é de 15,9 pontos percentuais. Isso significa 8,44 milhões de novos votantes, ou 86% de todos os abstentos desses estados (9,86 milhões). O comparecimento deles iria de cerca de 81,4% para cerca de 97,3%.
O teto
Mesmo que todos os 9,86 milhões de abstentos dos 12 estados votassem, repetindo a divisão local entre Lula e Flávio, o saldo líquido máximo seria de 2,577 milhões. É só 16% acima da diferença a fechar. A margem de manobra, portanto, é mínima: a hipótese pede um comparecimento de cerca de 97%, muito acima do melhor do 1º turno, o do Ceará, de cerca de 84,5%.
Estado
Abstentos
Saldo líquido máximo para Lula
Bahia
2.259.151
804.034
Pernambuco
1.312.388
403.177
Ceará
1.086.074
330.466
Maranhão
1.022.772
326.292
Piauí
463.875
208.389
Paraíba
564.543
149.287
Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão respondem por 1,86 milhão dos 2,58 milhões do teto (72%). Pará, com 1,2 milhão de abstentos, rende só 62 mil, porque a vantagem de Lula ali é pequena: abstentos numerosos não bastam, é preciso que a maioria local seja ampla.
O outro lado do espelho
A mesma conta serve para Flávio. Nos 15 estados em que ele lidera, há 23,0 milhões de abstentos (22,0% do eleitorado, contra 18,6% nos estados de Lula), e o teto de saldo líquido para ele é de 3,75 milhões. A assimetria vem da geografia: os ausentes são mais numerosos justamente onde a maioria é dele.
Limites: o modelo supõe que os novos votantes se dividem como os que já votaram no estado, quando quem se abstém pode ter outro perfil; ignora a transferência dos eliminados e o efeito de campanha. O que a conta mostra é a ordem de grandeza, e ela sugere que a mobilização isolada não seria o caminho principal de uma virada. Os controles de comparecimento do simulador permitem testar outras hipóteses.
Para explorar os números: a página Participação do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 08/10/2026.
Lula saiu na frente, Flávio chegou a 50% e a margem caiu pela metade: a noite da apuração de 4 de outubro
Lula saiu na frente, Flávio chegou a 50% e a margem caiu pela metade: a noite da apuração de 4 de outubro
2026-10-08
Reconstituição do que os números do 1º turno mostravam a cada hora, a partir do horário de totalização de cada seção. É um modelo, não a tela do TSE minuto a minuto.
Quem acompanhou a apuração do 1º turno viu a margem de Flávio Bolsonaro encolher ao longo da noite: de 7,8 pontos percentuais no começo para 1,87 no resultado final. Não houve virada, mas o gráfico não ficou parado. O TSE não publica o histórico minuto a minuto; o que existe é o horário em que cada seção foi totalizada, registrado nos arquivos de configuração. Com esses horários, mais os votos finais de cada estado, dá para reconstituir a curva. A premissa é forte: dentro de cada estado, as seções apuram sem viés de perfil, ou seja, o voto de uma seção "média" aparece em qualquer ordem.
Como a noite andou
Dos 28 conjuntos (27 estados e o exterior), 16 têm horários reais capturados às 22h20; os outros 12 foram estimados com a curva dos primeiros. A série termina nos votos registrados às 22h20, que diferem do resultado final por poucos centésimos de ponto percentual.
Hora
Seções totalizadas
Flávio
Lula
Diferença (p.p.)
17h02
0,2%
43,5%
47,5%
Lula +4,0
17h24
1,3%
50,1%
42,2%
Flávio +7,8
18h00
11,7%
48,4%
43,9%
Flávio +4,5
19h00
56,4%
48,3%
43,7%
Flávio +4,6
19h30
82,4%
47,9%
44,2%
Flávio +3,7
20h00
84,2%
47,8%
44,2%
Flávio +3,6
21h00
98,1%
47,2%
45,0%
Flávio +2,2
22h20
99,9%
47,1%
45,1%
Flávio +1,9
Nos primeiros minutos só há seções do exterior e de poucos estados, e Lula aparece à frente. Às 17h12 Flávio assume a liderança e, por volta das 17h24, chega a 50,1%, o pico da noite, com apenas 1,3% das seções. Isso é amostra minúscula de estados pequenos, não sinal do que viria.
Por que a margem caiu
Entre 18h e 19h, quando a apuração foi de 12% a 56% das seções, a diferença ficou estável entre 4,4 e 4,7 pontos. A queda aparece depois, quando entram os estados lentos. Os seis mais lentos para chegar a 50% das seções foram Alagoas (19h22), Bahia e Ceará (19h12), Rio de Janeiro (19h10), Pernambuco (19h06) e Maranhão (19h02). Cinco deles são do Nordeste, onde Lula fez 63,8% dos válidos. Já Paraná (18h14), Paraíba (18h16), Acre (estimado, 18h26), Amazonas (18h36) e Goiás (18h38) estavam entre os mais rápidos.
O ritmo nacional fica assim: 25% das seções às 18h24, 50% às 18h56, 75% às 19h18, 90% às 20h26 e 99% às 21h16. O registro de totalizações tem uma pausa entre 19h32 e 19h59, que se vê no patamar da curva nesse intervalo.
O que isso ensina
A leitura parcial de uma apuração depende de quais seções já chegaram, não só de quantas. Com 56% das seções a margem parecia de 4,6 pontos; o país terminou em 1,9. O erro do olhar apressado é tratar a ordem de chegada como se fosse aleatória entre estados. O simulador de trocas do site permite testar isso: e se Bahia e Paraná apurassem na velocidade um do outro? Os votos finais não mudam, mas a curva sim.
Para explorar os números: a página Evolução da apuração do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 08/10/2026.
Assembleias estaduais: onde o governador tem base própria e onde depende do centro
Assembleias estaduais: onde o governador tem base própria e onde depende do centro
2026-10-07
Os 1.059 deputados estaduais eleitos em 2026, por espectro, e a relação de cada assembleia com o governador eleito ou líder do 2º turno.
Os 27 estados (incluindo o Distrito Federal, com deputados distritais) elegeram 1.059 deputados estaduais. Pela classificação padrão, a direita tem 474 cadeiras (44,8%), o centro 321 (30,3%) e a esquerda 264 (24,9%). O PL é o maior partido, com 212 deputados (20,0%) presente em 26 estados (só o Piauí não tem), seguido pelo PT (141, em 24 estados), pelo MDB (112, em 25) e pelo PSD (103, em 21).
Mais ao centro do que a Câmara
Na Câmara dos Deputados, a direita tem 51,7% das cadeiras, o centro 24,2% e a esquerda 24,2%. Nas assembleias, o centro é cerca de seis pontos maior (30,3%) e a direita sete pontos menor. Nos estados, a distância entre a assembleia e a bancada federal é, em média, de 9 pontos percentuais a menos de direita. As maiores diferenças estão em Mato Grosso (42% na assembleia contra 75% na bancada federal), Amazonas (38% contra 62%) e Mato Grosso do Sul (63% contra 88%). Só três estados têm mais direita na assembleia do que na bancada federal: Pará (34% contra 24%), Rondônia (67% contra 63%) e Rio de Janeiro (51% contra 50%). Uma hipótese é que partidos de centro, como MDB e PSD, sejam mais fortes em disputas locais, e que os votos de alguns candidatos federais muito votados favoreçam o PL na eleição federal; os dados não testam isso.
Poucas maiorias claras
A direita tem maioria absoluta sozinha em nove assembleias (RJ, RR, TO, MS, RN, AC, SC, PB e RO) e a esquerda em uma (CE) e o centro em três (AL, AM e PA). Em 14 dos 27 estados nenhum bloco chega à metade. A fragmentação varia muito: o número efetivo de partidos vai de 2,9 em Alagoas, onde o MDB tem 15 das 27 cadeiras, a 11,3 em Goiás.
O governador e a assembleia
Em 24 dos 27 estados, o espectro do partido do governador (eleito ou líder do 2º turno) é o maior da casa; em 11, o partido dele tem a maior bancada. Em 13 estados, o espectro do partido do governador tem maioria absoluta sozinho. Contando só os partidos do mesmo bloco, o governador tem base suficiente para barrar uma PEC estadual (3/5) em 24 estados e para barrar um processo de impeachment (2/3) em 25. Nos que ficam de fora, Amapá e Sergipe nos dois casos e Pernambuco só no 3/5, a oposição alcançaria os limiares sozinha.
O resultado é uma aproximação, e vale destacar onde ela falha. Em Alagoas, JHC (PSDB) tem apenas 2 deputados do próprio partido; o MDB, partido do segundo colocado na eleição para governador, Renan Filho, tem 15 de 27. O centro soma 17 cadeiras, mas 15 são do MDB, o partido que foi adversário na eleição. No Maranhão, Eduardo Braide (PSD) tem 4 deputados do partido, e o MDB, de seu principal rival, 17 de 42. Em São Paulo, Tarcísio (Republicanos) tem 6 deputados do partido numa casa de 94, em que o PL tem 27. A coligação do governador, que não está nos dados, é o dado que falta.
O papel da assembleia
A assembleia aprova as leis estaduais e emendas à constituição do estado, vota o orçamento (de iniciativa do governador), fiscaliza o Executivo, pode instalar CPI com um terço das assinaturas e escolhe parte dos conselheiros do tribunal de contas. Em crime de responsabilidade, ela decide se admite o processo contra o governador, em geral por dois terços; o julgamento cabe a um tribunal misto de cinco deputados e cinco desembargadores, e a condenação exige dois terços dos membros (Lei 1.079/1950). O governador pode vetar projetos, mas a assembleia derruba o veto, em geral, por maioria absoluta. Os quóruns variam por estado; a página mostra, para cada assembleia, os números a partir do tamanho da casa.
Os mais votados
A deputada estadual mais votada do país é Eduarda Campopiano (PL, SP), com 1.956.238 votos, bem à frente de Bruno Engler (PL, MG), com 675.940, e de Eduardo Suplicy (PT, SP), com 654.627.
Para explorar os números: a página Assembleias do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 07/10/2026.
O Nordeste votou 64% em Lula, mas elegeu mais deputados de direita: o mapa das bancadas
O Nordeste votou 64% em Lula, mas elegeu mais deputados de direita: o mapa das bancadas
2026-10-07
A distribuição dos 594 parlamentares por estado, e o descompasso entre o voto presidencial e a bancada federal em várias regiões.
A página Bancadas organiza os 594 parlamentares por estado e por espectro. O mapa colore cada estado pelo bloco com mais cadeiras. Com a classificação padrão, a direita é o maior bloco na bancada de deputados federais em 23 dos 27 estados; o centro lidera em Alagoas e no Pará; Pernambuco (direita e esquerda) e Piauí (centro e esquerda) empatam; a esquerda não lidera sozinha em nenhum.
O descompasso do Nordeste
No Nordeste, Lula teve 63,8% dos votos válidos para presidente e Flávio, 30,9%. A bancada de deputados federais da região tem 151 cadeiras: 65 de direita (43,0%), 44 de centro (29,1%) e 42 de esquerda (27,8%). A esquerda tem mais do que o PT sozinho (20 deputados no Nordeste, de 70 no país), mas bem menos do que o voto presidencial sugeriria.
Região
Deputados
Direita
Centro
Esquerda
Norte
65
55,4%
33,8%
10,8%
Nordeste
151
43,0%
29,1%
27,8%
Centro-Oeste
41
65,9%
17,1%
17,1%
Sudeste
179
52,5%
19,0%
28,5%
Sul
77
55,8%
22,1%
22,1%
Há explicações possíveis para isso, e elas não são mutuamente exclusivas: o voto presidencial e o voto para deputado seguem lógicas diferentes; partidos de centro e de direita, como PSD, MDB e União, são fortes em muitos estados do Nordeste; e o sistema proporcional de lista aberta não converte votos presidenciais em cadeiras. O descompasso é um fato dos números; o mecanismo, não está provado por eles.
No Senado, a região pende para o outro lado
As 27 cadeiras do Nordeste no Senado se dividem em 12 de esquerda, 9 de centro e 6 de direita. Cada estado tem três senadores (dois eleitos em 2026 e um em 2022). Em Bahia, Ceará e Pernambuco, a esquerda é o maior bloco entre os senadores.
Onde o bloco domina a bancada
A direita tem 88% da bancada de Mato Grosso do Sul e 75% das de Acre, Mato Grosso, Roraima e Tocantins. No outro extremo, o Piauí tem apenas 20% de deputados de direita e o Pará, 24%. No Senado, a direita é o maior bloco em 16 estados, e em 14 deles os três senadores são do mesmo bloco.
Os mais votados
Nikolas Ferreira (PL, MG) foi o deputado mais votado, com 3.119.318 votos, seguido de Lucas Pavanato (PL, SP), com 3.038.438, e Erika Hilton (PSOL, SP), com 1.596.472. No Senado, Guilherme Derrite (PP) teve 13.273.880 votos e André do Prado (PL), 12.703.089, ambos em São Paulo; como cada eleitor vota em até dois candidatos, esses totais não se comparam com os dos deputados. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro elegem juntos 169 deputados federais, um terço da Câmara (32,9%).
Como explorar
A página tem um mapa clicável, o detalhe de cada estado (bancada por partido, senadores e deputados mais votados), uma tabela com todos os estados e uma lista pesquisável dos 594 parlamentares, por nome, partido, estado ou espectro. A classificação por espectro é a mesma da página Congresso e pode ser alterada por quem usa.
Para explorar os números: a página Bancadas do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 07/10/2026.
Congresso 2027: o que a direita tem sozinha, e o que ela não tem
Congresso 2027: o que a direita tem sozinha, e o que ela não tem
2026-10-07
A composição do Senado e da Câmara por espectro e os votos que cada tipo de decisão exige.
O Congresso de 2027 terá 594 parlamentares: 81 senadores (54 eleitos em 2026 e 27 com mandato até 2031) e 513 deputados. Agrupando por partido em direita, centro e esquerda, o Senado fica em 48, 17 e 15 cadeiras, com uma sem partido; a Câmara, em 265, 124 e 124. A classificação é de trabalho, por partido, e pode ser alterada na página (PL, PP, União, Republicanos, Novo, PRD e Missão na direita; PSD, MDB, Podemos, PSDB, Avante e Solidariedade no centro; PT, PSB, PSOL, PCdoB, PV, PDT e Rede na esquerda).
A composição
O PL é o maior partido nas duas Casas: 121 deputados (23,6%) e 28 senadores (34,6%). O número efetivo de partidos é 8,8 na Câmara e 6,0 no Senado. Na Câmara, PL, PT e União somam 46,2% das cadeiras e, mesmo assim, o sistema é fragmentado.
O que cada votação exige
Votação
Câmara
Senado
Base
Maioria absoluta (lei complementar, rejeição de veto, aprovação de ministro do STF e PGR)
257
41
CF arts. 69, 66 §4, 101, 128
Instalação de CPI (1/3)
171
27
CF art. 58 §3
PEC (3/5, dois turnos)
308
49
CF art. 60 §2
Impeachment do presidente: autorização na Câmara (2/3)
342
–
CF art. 51, I
Condenação no Senado, do presidente ou de ministro do STF (2/3)
–
54
CF art. 52, I e II
Projetos de lei ordinários passam por maioria simples dos presentes: com a Casa cheia, 257 deputados e 41 senadores; com o quórum mínimo de presença, 129 e 21. O veto presidencial só é derrubado se 257 deputados e 41 senadores votarem pela rejeição, e a maioria é contada em cada Casa separadamente: o Senado, com 13,6% dos parlamentares, pesa tanto quanto a Câmara nesse caso.
O que a direita tem sozinha
Com a classificação padrão, a direita atinge a maioria absoluta nas duas Casas sem os outros blocos: 265 de 257 na Câmara (8 acima) e 48 de 41 no Senado (7 acima). É o único bloco que, sozinho, chega à maioria absoluta nas duas Casas (e, portanto, derruba veto sem ajuda). Mas fica abaixo dos limiares mais altos: na Câmara, faltam 43 votos para uma PEC (308) e 77 para autorizar impeachment (342); no Senado, falta 1 voto para uma PEC (49) e 6 para condenar (54).
O que depende do centro
Direita e centro somam 389 deputados e 65 senadores, o suficiente para qualquer das votações acima. Centro e esquerda juntos somam 248 deputados e 32 senadores: não chegam à maioria absoluta em nenhuma Casa, mas conseguem barrar emendas constitucionais na Câmara (para barrar 3/5 de 513 bastam 206 votos). No Senado, barrar uma PEC exige 33 votos (81 − 49 + 1), e centro e esquerda têm 32: faltaria um, e a cadeira sem partido ficaria de fora da soma. Já para impedir uma condenação por 2/3 no Senado bastam 28 votos, e os 32 bastam.
Quem é o parlamentar do meio
Ordenando os partidos da esquerda para a direita, o 41º assento do Senado está no PP e o 257º da Câmara, no União. Como medida de posição, essa mediana depende da ordem adotada e de supor que as votações se alinham numa única dimensão, uma hipótese forte. Serve como ponto de referência, não como previsão.
O efeito dos senadores que viram governadores
Moro (PL) e Cleitinho (Republicanos) deixam o Senado ao assumir os governos do Paraná e de Minas Gerais, e Dorinha (União) também sairia se vencesse em Tocantins. O número de cadeiras não muda, mas se as três saíssem do bloco da direita, ele cairia de 48 para 45, ainda acima da maioria absoluta (41) e mais longe da PEC (49). Os dados usados não informam o partido dos suplentes.
Limites
É aritmética de cadeiras: ignora ausências, trocas de partido, liderança de governo, emendas e a dinâmica de cada votação. Dentro de cada partido há parlamentares em posições diferentes, e partidos de blocos distintos governam juntos. O site tem um montador de coalizões: marque os partidos que quiser e veja quanto falta a cada limiar.
Para explorar os números: a página Maiorias (e a página Congresso) do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 07/10/2026.
Vinte governadores definidos, sete segundos turnos e um voto presidencial que não acompanha
Vinte governadores definidos, sete segundos turnos e um voto presidencial que não acompanha
2026-10-07
Quem foi eleito no 1º turno, em que partidos, com que coligações e como isso se compara ao voto para presidente no mesmo estado.
Vinte estados elegeram o governador no 1º turno; sete (RN, AM, AC, ES, RJ, TO e DF) vão ao 2º turno em 25 de outubro, no mesmo dia do presidencial. Entre os 20 eleitos, o PL tem cinco governadores, o PSD quatro, o PT e o Republicanos três cada, o PP dois, e PSDB, Podemos e MDB um cada.
A presença de PT e PL nas coligações
Dos 20 eleitos, cinco têm o PT na coligação (PI, BA, CE, SE e PB, todos no Nordeste), dez têm o PL (AL, PA, AP, SP, RS, MS, PR, RO, SC e RR) e cinco não têm nenhum dos dois (MA, PE, MG, GO e MT). A coligação é a lista de partidos registrada no TSE; não mede apoio declarado a nenhum presidenciável.
Dez estados de Lula, dez de Flávio
Entre os 20 eleitos, dez estão em estados em que Lula lidera o voto presidencial e dez em estados em que Flávio lidera. Nos dez estados de Lula, só três elegeram governador do PT (PI, BA e CE); os outros sete elegeram PSD (MA, PE, SE e AP), PP (PB), PSDB (AL) e Podemos (PA). Dos dez estados de Flávio, sete elegeram governadores com o PL na coligação; GO, MG e MT elegeram governadores sem PT nem PL.
Dois casos para olhar
Maranhão: Lula teve 64,0% e Flávio, 30,9%. O governador eleito, Eduardo Braide (PSD), teve 54,0% sem PT nem PL na coligação, contra Orleans Brandão (MDB), com 34,8%.
Pernambuco: Lula teve 63,5%. Raquel Lyra (PSD) foi eleita com 53,3% sobre João Campos (PSB), que teve 44,8% e o PT na coligação.
Nos dois, o voto presidencial majoritário em Lula não se traduziu em governador de partido de esquerda. Nos dois, o eleito é do PSD.
Eleições apertadas e vitórias na margem
Em Alagoas, JHC (PSDB) teve 52,2% contra 47,4% de Renan Filho (MDB). No Pará, Dr. Daniel (Podemos) teve 51,4% e Hana Ghassan (MDB), 46,5%. No Ceará, Elmano de Freitas (PT) teve 53,2% e Ciro Gomes (PSDB), 46,2%. No Paraná, Sergio Moro (PL) teve 50,1% numa disputa com vários candidatos, e o segundo colocado, Sandro Alex (PSD), teve 25,4%. Do outro lado, houve vitórias folgadas: Piauí (Rafael Fonteles, PT, 70,9%), Roraima (Arthur Henrique, PL, 69,1%), Santa Catarina (Jorginho Mello, PL, 69,0%).
Os sete segundos turnos
Estado
Líder no 1º turno
Desafiante
Diferença (votos)
RN
Allyson (União) 36,94%
Cadu de Lula (PT) 36,16%
15.509
TO
Dorinha (União) 45,52%
Vicentinho Júnior (PSDB) 43,94%
13.412
AM
Omar Aziz (PSD) 40,63%
Maria do Carmo (PL) 24,49%
334.511
DF
Celina Leão (PP) 49,93%
Leandro Grass (PT) 34,47%
255.600
AC
Mailza Assis (PP) 49,76%
Alan Rick (Republicanos) 32,27%
76.901
ES
Pazolini (Republicanos) 49,65%
Ricardo Ferraço (MDB) 34,06%
329.236
RJ
Douglas Ruas (PL) 49,27%
Eduardo Paes (PSD) 42,76%
564.215
O Rio Grande do Norte e Tocantins são os mais apertados: uma diferença de 15.509 votos entre 534.559 votos de eliminados no RN e de 13.412 entre 89.521 no TO. Em ambos, o desafiante precisa captar pouco mais da metade dos votos dos eliminados (51,5% no RN e 57,5% no TO) para igualar, supondo que todos votem num dos dois. No Distrito Federal, no Acre, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, o líder ficou perto de 50% e o desafiante precisaria captar de 90,8% a 99,6% dos eliminados. No Amazonas, 73,1%. No Rio de Janeiro, 274.411 votos de Garotinho estão sub judice, e a decisão da Justiça Eleitoral pode mexer nos percentuais.
Efeito no Senado
Dois senadores com mandato até 2031 foram eleitos governadores: Sergio Moro (PL, PR) e Cleitinho (Republicanos, MG). Se Dorinha (União) vencer em Tocantins, a cadeira dela também passará a um suplente. A composição do Senado, em número de cadeiras, não muda; o partido de cada suplente pode mudar. Isso é assunto do texto sobre o Congresso.
Para explorar os números: a página Governadores do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 07/10/2026.
25 de outubro: o que precisaria acontecer para o 2º turno virar
25 de outubro: o que precisaria acontecer para o 2º turno virar
2026-10-07
Uma conta simples sobre os 9,3 milhões de votos dos candidatos eliminados, com os números do simulador. Não é previsão.
Partindo do resultado final do 1º turno, a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula é de 2.224.965 votos. Os candidatos eliminados somam 9.316.747 votos. A pergunta mais útil para o 2º turno é quanto desse bloco precisaria migrar, e em que direção, para a diferença mudar de sinal. O simulador do site faz essa conta; abaixo, o que ela mostra.
O ponto de empate
Se todos os eleitores dos eliminados votassem num dos dois finalistas, Lula precisaria de 61,9% deles para igualar. Se só 80% votassem, a fração sobe para 64,9%; se 60%, para 69,9%. Esse cálculo supõe que quem votou em Lula e em Flávio no 1º turno repete o voto e que ninguém mais comparece. Como os eleitores de Cury, Caiado, Renan Santos e Zema vieram de campos diferentes, uma fração tão alta e tão uniforme seria uma exigência pesada.
Os três cenários do simulador
Cenário
Eliminados que vão para Lula
Para Flávio
Margem final
Lula nos válidos dos dois
A · eliminados pendem a Flávio
12,6%
63,0%
Flávio +6.912.965
47,05%
B · base
21,1%
52,5%
Flávio +5.149.127
47,80%
C · eliminados pendem a Lula
30,6%
42,2%
Flávio +3.312.414
48,58%
Nos três, Flávio continua à frente. Isso acontece porque, mesmo no cenário C, uma parte maior dos eliminados vai para Flávio do que para Lula, e o restante se abstém, vota em branco ou anula. No cenário base, Lula lidera em 11 estados (12 no 1º turno): o Amapá muda de lado. Para virar a partir do cenário base, seria preciso que 27,6 pontos percentuais dos votos dos eliminados passassem de Flávio para Lula. Cada ponto percentual que muda de lado altera a margem em 186.335 votos.
Mobilização adicional ajuda?
No simulador, trazer mais eleitores às urnas não resolve: cada milhão de novos votantes muda a margem em apenas 20.230 votos (no cenário base), com os novos votantes distribuídos como os atuais. Mesmo com Lula a 49% entre eles, a conta não fecha. A razão é a mesma do texto sobre participação: os ausentes estão onde Flávio é mais forte.
Onde a virada seria possível: quatro estados
A tabela de empate por estado mostra, para cada um, que fração dos eleitores eliminados o desafiante local precisaria captar. Só em quatro estados a conta fecha abaixo de 100%:
Estado
Líder no 1º turno
Margem (votos)
Fração necessária dos eliminados
Amapá
Lula
225
50,3%
Amazonas
Lula
70.232
73,9%
Minas Gerais
Flávio
588.612
79,1%
Pará
Lula
263.280
98,4%
No Amapá, a diferença de 225 votos basta para que o estado mude de lado no cenário base. Em Minas Gerais, a fração (79,1%) é alta mas não impossível, e o estado concentra 1.009.751 votos de eliminados. Nos 23 estados restantes, nem a totalidade dos votos dos eliminados bastaria ao desafiante.
Como usar
O simulador permite alterar, por candidato eliminado, a fração que vai para cada finalista, a retenção dos eleitores de Lula e Flávio e o comparecimento adicional. Os números acima são os de três cenários prontos, e cada um é uma hipótese, não um palpite sobre o que vai acontecer. Pesquisas, declarações de apoio e a mudança de comparecimento entre turnos não entram, a não ser pelos controles explícitos.
Para explorar os números: a página Segundo turno do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 07/10/2026.
33,5 milhões de ausentes: quem não votou e quanto isso pesaria no 2º turno
33,5 milhões de ausentes: quem não votou e quanto isso pesaria no 2º turno
2026-10-07
Abstenção, brancos, nulos e voto cruzado no 1º turno de 2026, e uma simulação do que mudaria se mais gente comparecesse.
O eleitorado apto era de 158.745.502 pessoas; 125.275.835 compareceram (78,92%). A abstenção foi de 33.469.667 (21,08%). Votaram em branco 2.300.798 pessoas (1,84% do comparecimento) e anularam 3.669.003 (2,93%). Branco e nulo são escolhas de quem foi à urna; a abstenção é outra coisa, e as duas não se comparam.
Onde estão os ausentes
A abstenção vai de 15,5% no Ceará a 23,9% em Mato Grosso do Sul; nove dos 27 estados ficam acima da média nacional. Por região:
Região
Eleitorado
Abstenção
Abstentos
Brancos e nulos
Norte
13.101.066
19,4%
2.546.486
3,4%
Nordeste
43.509.683
18,4%
8.002.058
5,1%
Centro-Oeste
12.000.632
21,7%
2.604.631
3,3%
Sudeste
66.341.878
22,7%
15.062.952
5,5%
Sul
22.869.677
20,5%
4.677.863
3,8%
O Sudeste tem a maior taxa e, sozinho, cerca de 45% de todos os abstentos do país (15 milhões de 33,5 milhões). É a região em que Flávio tem vantagem de 5,7 milhões de votos.
Abstenção e voto em Lula: uma associação entre estados
Nos estados em que Flávio lidera, a abstenção média (ponderada pelo eleitorado) foi de 22,0%; onde Lula lidera, 18,6%. A correlação entre a abstenção e o percentual de Lula nos 27 estados é de −0,51: em média, cada ponto percentual a mais de abstenção se associa a 3,4 pontos a menos de Lula. É uma relação entre estados. Não mostra como cada eleitor ausente votaria.
Flávio 47,03%, Lula 45,16%: o que a geografia do 1º turno diz sobre o segundo turno
Flávio 47,03%, Lula 45,16%: o que a geografia do 1º turno diz sobre o segundo turno
2026-10-07
Uma leitura dos 119,3 milhões de votos válidos do 1º turno presidencial de 2026, por região, estado e candidato eliminado.
Foram 119.300.788 votos válidos no 1º turno. Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 (47,03%); Lula, 53.879.538 (45,16%). A diferença é de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. Os números estão nos arquivos públicos do TSE; o que segue é uma leitura deles, e não uma previsão.
Dois candidatos, 92% dos votos
Lula e Flávio somam 92,19% dos válidos. Os outros candidatos ficaram com 9.316.747 votos (7,81%). O número efetivo de candidatos, que mede quantos candidatos de tamanho igual dariam a mesma concentração de votos, é 2,34: um 1º turno quase bipolar, com uma cauda que importa porque é ela que está em disputa agora.
A conta regional fecha assim
Região
Lula
Flávio
Margem em votos
Nordeste
63,8%
30,9%
Lula +11.095.611
Sudeste
39,7%
51,4%
Flávio +5.662.211
Sul
31,3%
60,1%
Flávio +5.042.624
Centro-Oeste
32,6%
56,5%
Flávio +2.170.393
Norte
44,6%
49,2%
Flávio +458.835
Exterior
47,6%
43,5%
Lula +13.487
Flávio vence em quatro regiões e a soma da vantagem delas é de 13,3 milhões de votos. O Nordeste devolve 11,1 milhões. O saldo de 2,2 milhões é o que sobra dessa subtração. Flávio lidera em 15 estados; Lula, em 12. Os extremos são Piauí (Lula 71,0%, Flávio 24,1%) e Roraima (Flávio 71,1%, Lula 22,9%).
Os estados no fio
O Amapá terminou empatado em 45,7% para cada um, com uma diferença de 225 votos a favor de Lula. Em Minas Gerais, o segundo maior colégio, com 11.976.235 válidos, Flávio teve 48,2% e Lula, 43,3%. No Amazonas, Lula lidera por 3,2 pontos; no Pará, por 5,4; no Tocantins, Flávio lidera por 7,0. São estados em que uma pequena mudança de comportamento altera o vencedor local, embora tenha pouco efeito no total nacional (o simulador do 2º turno trata disso).
Onde a fragmentação é maior
O número efetivo de candidatos varia de 1,78 no Piauí a 2,50 em Goiás. A fragmentação é maior onde a soma de Lula e Flávio é menor, e Goiás é o exemplo: Ronaldo Caiado teve 12,3% dos válidos no estado, seu melhor resultado. Piauí e Roraima, os dois polos da polarização, são os estados em que sobra menos espaço para um terceiro nome.
Quem ficou de fora: 9,3 milhões de votos
Candidato
Votos
% dos válidos
Maior percentual
% dos votos no Sudeste e Sul
Augusto Cury (Avante)
3.448.569
2,89%
AP 4,1%
62%
Renan Santos (Missão)
2.675.887
2,24%
SP 3,2%
67%
Ronaldo Caiado (PSD)
2.605.148
2,18%
GO 12,3%
56%
Zema (Novo)
326.488
0,27%
MG 0,8%
84%
A geografia desses votos não ajuda a adivinhar o destino deles. O percentual de Renan Santos acompanha a margem de Flávio entre os estados (correlação de 0,51): ele foi melhor onde Flávio é mais forte. Para Caiado e Zema a correlação é baixa (0,27 e 0,32), e para Cury é quase nula (0,12). Descrever onde esses eleitores votaram no 1º turno não é medir para onde irão no 2º.
Brancos e nulos
Foram 2.300.798 votos em branco (1,84% do comparecimento) e 3.669.003 nulos (2,93%), 4,8% no total. A proporção é mais alta na Paraíba (6,3%), em Alagoas (6,2%) e em São Paulo (5,9%), e mais baixa em Roraima (2,2%). Esses votos não entram no cálculo do percentual dos candidatos.
O que esperar da leitura
O 1º turno descreve um país em que a margem nacional vem de uma subtração entre regiões grandes e opostas. Qualquer mudança no 2º turno virá de três lugares: da migração dos 9,3 milhões de votos dos eliminados, da retenção de quem votou nos dois finalistas e de quem comparecer a mais ou a menos. Os outros textos desta série tratam de cada um.
Para explorar os números: a página Perfil do voto do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 07/10/2026.
Participação, voto cruzado e sensibilidade: o que os dados do 1º turno permitem afirmar
2026-10-06
Resumo
Esta análise complementa a primeira com três lentes que ela não cobre: participação do eleitorado, coerência entre o voto presidencial e o estadual, e sensibilidade dos resultados a cada hipótese; ela não prevê o resultado do 2º turno.
Participação: 125,28 mi de eleitores compareceram (78,92%) e 33,47 mi se abstiveram (21,08%). A abstenção vai de 15,5% (CE) a 23,9% (MS); por região, de 18,4% (Nordeste) a 22,7% (Sudeste).
Efeito de um aumento uniforme de comparecimento: +1 ponto percentual em todos os estados, com os novos eleitores votando como os atuais, desloca cerca de 34 mil votos líquidos a favor de Flávio, porque as regiões com mais abstenção (Sudeste, Sul, Centro-Oeste) têm hoje margem para ele. Só o Nordeste favorece Lula (+136 mil por ponto).
Limite da mobilização regional: se todos os estados do Nordeste chegassem à abstenção do Ceará (15,5%, a menor do país), o saldo líquido adicional seria de cerca de 390 mil votos para Lula, contra uma diferença de 2,22 mi no 1º turno.
Votos brancos e nulos: 4,8% dos comparecimentos na eleição presidencial e 10,1% na de governador, nos estados; em todos os 27 estados o percentual é maior na de governador.
Coerência do voto: nos 12 estados em que Lula lidera, o governador mais votado está em coligação com o PT em 6, com o PL em 3 e com nenhum dos dois em 3; nos 15 em que Flávio lidera, está em coligação com o PL em 12 e com nenhum em 3. A filiação formal da coligação, portanto, prediz pouco o voto presidencial nos estados do Nordeste e do Norte.
Sensibilidade nacional: com todos os votos soltos comparecendo, Lula precisa de 61,9% deles para empatar; cada 1 mi de saldo líquido vindo de eleitores que não votaram antes reduz essa exigência em 5,3 pontos.
Segundos turnos estaduais: em AC, ES, RJ e DF o segundo colocado precisaria de mais de 90% dos votos dos eliminados; em RN (51,5%) e TO (57,5%) a exigência é próxima de equilíbrio, e em AM, de 73,1%.
Dados, definições e limites
Todos os números do 1º turno vêm dos arquivos de resultados do TSE (Presidente e Governador, por UF e Brasil), posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas (499.248 de 499.248); tudo o que é hipótese está identificado como tal.
Definições usadas
Abstenção = eleitores aptos que não compareceram ÷ eleitorado apto (158.745.502).
Brancos + nulos = soma dos dois, como fração do comparecimento.
Votos válidos = base do TSE, incluindo votos sub judice (119.300.788 para Presidente).
Votos soltos (pool) = votos válidos de todos os candidatos exceto os dois finalistas: 9.316.747 no país.
Coligação com PT / com PL = o partido consta da lista de partidos da coligação registrada do candidato a governador no arquivo do TSE. Não mede apoio declarado nem política real.
Hipóteses explícitas nas seções de sensibilidade
Quem votou em Lula ou em Flávio no 1º turno repete o voto (retenção de 100%).
Novos eleitores, quando indicados, votam como os eleitores atuais do estado, salvo quando a tabela diz o contrário.
Os votos soltos são divididos por parâmetros (s, r, M) varridos em grade, sem atribuir probabilidades.
Limites
Os estados somam 53.722.151 votos de Lula e 55.960.603 de Flávio; o total do Brasil (53.879.538 e 56.104.503) inclui 157.387 e 143.900 votos no exterior, que ficam de fora das tabelas por estado.
Os dados não têm pesquisas de intenção de voto, declarações de apoio nem comportamento individual: nenhuma transferência aqui é medida.
A comparação entre eleições de presidente e de governador usa o mesmo comparecimento, mas não o mesmo eleitor; um voto em branco no governo não diz o que o eleitor fez para presidente.
Participação: abstenção, brancos e nulos
A abstenção é menor nos estados em que Lula lidera (18,6%, em 12 UFs) do que nos em que Flávio lidera (22,0%, em 15 UFs); a diferença é de 3,4 pontos.
A abstenção vai de 15,5% (CE) a 23,9% (MS)
UF com Lula na frente (12)UF com Flávio na frente (15)Brasil, 21,1%
TSE, Presidente (arquivos por UF), posição de 05/10/2026 12h51 · 27 UFs, sem o exterior
Região
Eleitorado
Abstenção
Brancos + nulos, Presidente
Brancos + nulos, Governador
Sudeste
66.344.562
22,7%
5,5%
11,5%
Centro-Oeste
12.001.141
21,7%
3,3%
9,2%
Sul
22.870.853
20,5%
3,8%
8,8%
Norte
13.101.175
19,4%
3,4%
8,6%
Nordeste
43.511.237
18,4%
5,1%
9,4%
Brancos e nulos. Em todos os 27 estados, brancos e nulos pesam mais na disputa para governador (média de 10,1% do comparecimento) do que na presidencial (4,8%). Os maiores contrastes: PB (14,6% contra 6,3%), TO (11,8% contra 3,6%) e MS (11,4% contra 3,3%). Na presidencial, os maiores percentuais estão em PB (6,3%), AL (6,2%) e SP (5,9%).
O que isso permite afirmar. A abstenção está distribuída de forma desigual e correlacionada com o resultado estadual; os dados não mostram se os abstencionistas teriam votado de modo diferente dos que compareceram.
Voto cruzado: presidente × governador
Em 19 dos 27 estados, ao menos uma das duas somas (governadores com PT ou com PL na coligação) difere em mais de 10 pontos do voto presidencial correspondente; a coligação estadual acompanha o voto presidencial de perto em apenas 11 estados.
A tabela compara, em cada UF, o voto válido presidencial com a soma dos votos válidos dos candidatos a governador cuja coligação registrada inclui o PT (colunas 3 e 4) ou o PL (colunas 6 e 7). Coligações de candidatos diferentes podem incluir o mesmo partido; onde nenhum candidato a governador tem o partido, a coluna mostra 0,0.
UF
Lula (%)
Governadores com PT na coligação (%)
Diferença (p.p.)
Flávio (%)
Governadores com PL na coligação (%)
Diferença (p.p.)
PI
71,0
70,9
-0,1
24,1
27,5
+3,4
BA
66,2
55,8
-10,4
28,5
43,7
+15,2
MA
64,0
9,6
-54,4
30,9
0,0
-30,9
PE
63,5
44,8
-18,6
31,0
0,0
-31,0
CE
63,3
53,2
-10,1
31,3
46,2
+15,0
SE
62,7
59,3
-3,5
30,6
0,0
-30,6
PB
61,3
64,3
+3,0
33,1
24,2
-8,9
RN
59,8
36,2
-23,6
34,8
26,7
-8,1
AL
54,7
47,4
-7,4
40,4
52,2
+11,8
PA
49,9
46,5
-3,4
44,5
51,4
+6,9
AM
48,2
40,6
-7,6
45,0
24,5
-20,5
AP
45,7
37,0
-8,7
45,7
62,8
+17,1
TO
43,4
8,2
-35,2
50,4
45,5
-4,9
MG
43,3
26,3
-17,0
48,2
7,0
-41,3
RJ
39,4
42,8
+3,3
53,0
49,3
-3,7
SP
38,2
36,4
-1,8
51,9
62,7
+10,7
DF
38,1
34,5
-3,6
51,3
49,9
-1,4
ES
37,8
15,3
-22,4
54,8
49,6
-5,1
RS
35,7
31,7
-4,1
55,6
58,0
+2,4
MS
34,7
23,7
-11,0
58,6
67,1
+8,5
PR
31,2
23,5
-7,7
59,9
50,1
-9,8
GO
31,1
9,8
-21,2
53,6
22,0
-31,6
MT
29,2
15,2
-14,0
65,1
23,2
-42,0
AC
28,7
7,5
-21,2
64,6
49,8
-14,8
RO
25,9
7,7
-18,2
67,5
56,9
-10,6
SC
25,0
15,7
-9,4
66,7
69,0
+2,3
RR
22,9
1,5
-21,3
71,1
69,1
-1,9
O que a tabela mostra
Diferença de até 5 pontos em ao menos uma coluna (11 estados): PI, SE, PB, PA, TO, RJ, SP, DF, RS, SC e RR.
Presidente muito acima do candidato do campo: Flávio tem 48,2% em MG, 65,1% em MT e 53,6% em GO, onde os candidatos a governador com PL na coligação somam 7,0%, 23,2% e 22,0%. Lula tem 64,0% no MA, 43,4% no TO e 59,8% no RN, onde os candidatos com PT na coligação somam 9,6%, 8,2% e 36,2%.
Governador com PL na coligação acima de Flávio: AP (+17,1), BA (+15,2), CE (+15,0), AL (+11,8), SP (+10,7), PA (+6,9). Em BA e CE, o candidato com PL na coligação (ACM Neto, Ciro Gomes) perdeu a eleição estadual.
Estados sem governador com PL na coligação (MA, PE, SE): Flávio teve 30,9%, 31,0% e 30,6%, ou seja, voto presidencial sem um candidato estadual do mesmo partido.
Primeiros colocados por campo. Nos 12 estados em que Lula lidera, a coligação do governador mais votado inclui o PT em 6 (PI, BA, CE, SE, PB, AM), o PL em 3 (AL, PA, AP) e nenhum dos dois em 3 (MA, PE, RN). Nos 15 em que Flávio lidera, inclui o PL em 12 e nenhum dos dois em 3 (MG, MT, GO).
Sensibilidade nacional: o que cada combinação de hipóteses produz
Com retenção de 100% dos eleitores de Lula e de Flávio, o resultado do 2º turno depende de três parâmetros, e Lula supera Flávio quando a combinação deles vence a diferença de 2.224.965 votos do 1º turno.
(L - F)_{final} = -2.224.965 + r . P . (2s - 1) + M
P = 9.316.747, votos dos candidatos eliminados.
r = fração de P que vota em um dos dois finalistas (o resto se abstém, vota em branco ou anula).
s = fração desses votos que vai para Lula; Flávio recebe 1 − s.
M = saldo líquido (Lula menos Flávio) vindo de quem não votou em ninguém no 1º turno (abstenção, branco, nulo) ou de mudança de voto entre os finalistas.
Fração s de que Lula precisa para empatar, por M e por r. Abaixo do valor, Flávio vence; acima, Lula vence.
M (saldo líquido, milhões)
r = 100%
r = 85%
r = 70%
−2,0
72,7%
76,7%
82,4%
−1,0
67,3%
70,4%
74,7%
0
61,9%
64,0%
67,1%
+1,0
56,6%
57,7%
59,4%
+2,0
51,2%
51,4%
51,7%
+3,0
45,8%
45,1%
44,1%
+4,0
40,5%
38,8%
36,4%
+5,0
35,1%
32,5%
28,7%
Com M = 0, uma fração s de 70% dos votos soltos dá a Lula 1.501.734 votos de vantagem (r = 100%) ou 942.729 (r = 85%); com s = 60%, Flávio vence por 361.616 (r = 100%) ou 641.118 (r = 85%); com s = 50%, Flávio vence por 2.224.965 em qualquer r.
De onde pode vir M. Se N eleitores que não votaram em nenhum dos dois entram e escolhem Lula com probabilidade q, M = N × (2q − 1).
N (milhões de novos votantes)
q = 60%
q = 70%
q = 80%
2
0,4
0,8
1,2
4
0,8
1,6
2,4
6
1,2
2,4
3,6
8
1,6
3,2
4,8
Leitura simétrica. A mesma tabela serve para Flávio: ele vence sempre que s fica abaixo do valor da célula. Com M = 0 e r = 100%, ele precisa reter 38,1% dos votos soltos; cada milhão de saldo líquido a favor de Lula reduz essa folga em 5,3 pontos percentuais, e cada milhão a favor de Flávio a aumenta no mesmo valor.
O que a grade não responde. Quais valores de s, r e q são mais prováveis. Isso exigiria dados que não estão nos resultados de 1º turno (pesquisas, posições formais dos partidos, comparecimento observado em 2º turnos anteriores).
Onde um ponto de comparecimento rende mais votos líquidos
Se os novos eleitores votarem como os atuais do seu estado, +1 ponto percentual de comparecimento rende a Lula até 40 mil votos líquidos na Bahia e custa 44 mil em São Paulo; no país inteiro, o saldo é de 34 mil votos para Flávio.
O cálculo, por UF, é 1% do eleitorado × (votos de Lula − votos de Flávio) ÷ comparecimento. A tabela mostra os oito maiores saldos para cada lado.
UF
Abstenções (eleitores)
Saldo líquido por +1 p.p. de comparecimento (votos)
BA
2.259.151
+40.262 (Lula)
PE
1.312.388
+22.191 (Lula)
CE
1.086.074
+21.289 (Lula)
MA
1.022.772
+16.536 (Lula)
PI
463.875
+12.151 (Lula)
PB
564.543
+8.590 (Lula)
RN
488.812
+6.340 (Lula)
SE
301.053
+5.298 (Lula)
MG
3.735.098
−7.626 (Flávio)
MT
585.668
−9.215 (Flávio)
GO
1.109.003
−11.040 (Flávio)
RS
1.819.642
−16.262 (Flávio)
RJ
2.997.846
−16.611 (Flávio)
SC
1.086.492
−23.106 (Flávio)
PR
1.772.200
−23.805 (Flávio)
SP
7.690.900
−44.107 (Flávio)
Por região (por +1 p.p.): Nordeste +135.929 para Lula; Sudeste −73.217, Sul −63.173, Centro-Oeste −27.823 e Norte −5.807 para Flávio.
Cenários de convergência de comparecimento. Quanto muda o saldo se os estados com abstenção acima de um patamar o reduzirem até ele, com os novos eleitores votando como os atuais:
Patamar de abstenção
Novos votantes
Saldo líquido (Lula − Flávio)
20,0% em todos os estados acima disso
2,23 mi
−297 mil
18,0%
4,72 mi
−487 mil
15,5% (o menor, do CE)
8,43 mi
−642 mil
Apenas os 9 estados do Nordeste até 15,5%
—
+390 mil
Leitura. Os maiores estoques de abstenção estão em SP (7,69 mi), MG (3,74 mi) e RJ (3,00 mi), onde o saldo por ponto é desfavorável a Lula ou pequeno (em MG, a margem do 1º turno é de 589 mil votos). A Bahia concentra o maior saldo por ponto, mas tem 2,26 mi de abstencionistas, 15% do estoque do Sudeste (15,06 mi). Se os abstencionistas votarem de modo diferente dos votantes atuais, os sinais mudam; os dados do 1º turno não permitem estimar isso.
Sensibilidade dos sete segundos turnos estaduais
Com retenção de 100% dos eleitores dos dois finalistas, o desafiante só consegue virar com os votos dos eliminados em RN (51,5% deles) e TO (57,5%); em AM precisaria de 73,1%, e em RJ, ES, AC e DF de 90,8% a 99,6%, com comparecimento integral desse grupo.
As colunas s* são as frações dos votos dos candidatos eliminados que o desafiante precisa para empatar, supondo que todos votem (r = 100%), 80% votem (r = 80%) ou 60% votem (r = 60%); valores acima de 100% significam que não há combinação possível sem mudança de voto dos finalistas ou novos eleitores.
UF
Diferença líder − desafiante (votos)
Votos dos eliminados
Falta ao líder para 50%+1 (votos)
s* (r = 100%)
s* (r = 80%)
s* (r = 60%)
TO
13.412
89.521
38.055
57,5%
59,4%
62,5%
RN
15.509
534.559
259.526
51,5%
51,8%
52,4%
AM
334.511
722.804
194.147
73,1%
78,9%
88,6%
RJ
564.215
690.855
63.321
90,8%
101,0%
118,1%
ES
329.236
344.141
7.453
97,8%
109,8%
129,7%
AC
76.901
79.028
1.064
98,7%
110,8%
131,1%
DF
255.600
257.777
1.089
99,6%
112,0%
132,6%
A quarta coluna mede o quão perto o líder ficou de encerrar no 1º turno; ela não é a regra do 2º turno, que se decide pela maioria dos votos válidos do próprio 2º turno.
Coligações formais dos finalistas (partidos PT e PL no arquivo do TSE) e maiores candidatos eliminados:
UF
Líder
Desafiante
Maiores eliminados (votos)
TO
Dorinha, União: PL, sem PT
Vicentinho, PSDB: sem PL nem PT
Laurez Moreira, PSD, com PT na coligação (69.967)
RN
Allyson, União: sem PT nem PL
Cadu de Lula, PT
Álvaro Dias, PL na coligação (530.580)
AM
Omar Aziz, PSD: com PT
Maria do Carmo, PL
Roberto Cidade, União (453.896); David Almeida (218.490)
RJ
Douglas Ruas, PL
Eduardo Paes, PSD: com PT
Garotinho, Republicanos (274.411, sub judice); William Siri, PSOL (235.347)
ES
Pazolini, Republicanos: com PL
Ferraço, MDB: sem PT nem PL
Helder Salomão, PT (323.483)
AC
Mailza Assis, PP: com PL
Alan Rick, Republicanos: sem PT nem PL
Tião Bocalom, PSDB (44.946); Thor Dantas, com PT (32.963)
DF
Celina Leão, PP: com PL
Leandro Grass, PT
Paula Belmonte, PSDB (140.765); Kiko Caputo (72.148)
Observações de dados
RN: 99% dos eliminados são de Álvaro Dias, cuja coligação inclui o PL; a diferença de 15.509 votos entre os finalistas equivale a 2,9% desse grupo.
RJ: 274.411 dos votos de Garotinho são sub judice. Se anulados, o total válido cai a 8.394.627 e Douglas Ruas fica com 50,88%, acima da maioria (4.197.314).
DF: a diferença até a maioria é de 1.089 votos com os 1.843 votos sub judice contados, ou 168 sem eles.
TO: o 2º colocado está a 1,6 ponto percentual do 1º.
Leituras alternativas e o que os dados não permitem concluir
Os resultados do 1º turno fixam a diferença de partida e o tamanho de cada reservatório de votos, mas não fixam para onde esses votos vão.
1. Retenção abaixo de 100%. Cada 1% dos eleitores de Flávio que não repete o voto são 561.045 votos; cada 1% dos de Lula, 538.795. Se Lula retivesse todos e Flávio perdesse cerca de 4,0% dos seus (por abstenção), a diferença de 2.224.965 se anularia; a perda simétrica de Lula (4,1% dos seus) a dobraria para 4,4 mi. A grade da seção de sensibilidade absorve isso em M, mas a retenção diferencial é outra fonte de incerteza do mesmo tamanho que os votos soltos.
2. Heterogeneidade dos votos soltos. Os 9,3 mi se dividem em Cury (3,45 mi), Renan Santos (2,68 mi), Caiado (2,61 mi), Zema (0,33 mi) e candidatos menores (0,26 mi); a divisão de cada grupo entre os finalistas não está nos dados. A grade usa um s único para o conjunto.
3. Coligação não é apoio. O arquivo do TSE lista os partidos da coligação estadual; não diz se o governador eleito fará campanha por algum finalista, e a tabela de voto cruzado mostra que o voto presidencial e o estadual divergem em 19 estados.
4. Comparecimento não é homogêneo dentro do estado. Os arquivos usados são agregados por UF; a distribuição municipal e por zona da abstenção pode alterar o saldo líquido de cada ponto adicional de comparecimento, e está disponível no mapa de apuração por município e zona desta série, não neste documento.
5. Eventos jurídicos. Votos sub judice (RJ: 274.411; DF: 1.843) podem alterar os percentuais e, no RJ, a própria existência do 2º turno estadual.
6. Efeito de composição. Comparações entre estados misturam eleitorados muito diferentes em tamanho (SP: 34,1 mi de eleitores; RR: 0,4 mi); por isso as tabelas trazem votos absolutos ao lado dos percentuais.
O que pode ser acompanhado (não está nestes dados, mas mudaria as grades): pesquisas do 2º turno; posições formais de Cury, Caiado, Zema, Renan Santos e dos governadores eleitos; comparecimento do 2º turno; decisões da Justiça Eleitoral sobre votos sub judice.
Fontes
TSE, Divulgação de Resultados 2026: arquivos de resultados de Presidente (eleição 6257) e Governador (6259), por UF e Brasil, posição de 05/10/2026, 12h51, com 100% das seções totalizadas.
Cálculos próprios: abstenção, brancos e nulos, saldos por ponto de comparecimento, convergência de abstenção, grade de sensibilidade e frações s* dos segundos turnos estaduais. A condição de “coligação com PT ou PL” vem da lista de partidos da coligação de cada candidato no arquivo do TSE.
Primeira análise desta série: Segundo turno 2026: alianças decisivas para Presidente e Governadores.