quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Eleições de meio de mandato nos EUA, 2026: como funciona o processo

Eleições de meio de mandato nos EUA, 2026: como funciona o processo

Texto de caráter descritivo e institucional. Não contém projeções, prognósticos nem juízo sobre partidos ou candidatos. Informações organizadas até 29 de outubro de 2026.

Em 3 de novembro de 2026 os eleitores norte-americanos votam nas chamadas midterm elections, assim denominadas porque ocorrem na metade do mandato presidencial de quatro anos. Não há eleição presidencial nem Colégio Eleitoral nesse pleito. Este texto resume a estrutura institucional da eleição: o que é votado, por quais regras e como os resultados se tornam oficiais.

1. O que está na cédula

Cargo Cadeiras em disputa Mandato
Câmara dos Representantes 435 (todas) 2 anos
Senado 35 (33 da "Classe 2" + 2 eleições especiais) 6 anos
Governadores 36 estados Em geral 4 anos (varia por estado)
Legislativos estaduais 88 câmaras em 46 estados Varia por estado e câmara

Além dos cargos acima, há também eleições para cargos estaduais e locais e, em vários estados, consultas populares (referendos e iniciativas), cujo conteúdo muda de estado para estado.

2. Quem organiza a eleição

Os Estados Unidos não têm um órgão eleitoral nacional que conduza a votação. A Constituição (Art. I, seção 4) atribui aos estados a definição de "tempo, lugar e maneira" das eleições legislativas federais, e o Congresso pode alterar essas regras por lei. Na prática, cada estado, e muitas vezes cada condado ou município, administra o cadastro de eleitores, as zonas de votação, as cédulas e a apuração. A Federal Election Commission (FEC) trata do financiamento de campanhas e não administra a votação.

A data nacional é fixada em lei federal: a terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro. As datas das primárias, porém, são definidas por cada estado e, em 2026, se espalharam ao longo do ano, de março a setembro.

3. Câmara dos Representantes

  • São 435 cadeiras, número fixado em lei federal. Elas são distribuídas entre os estados proporcionalmente à população, a cada Censo (o mais recente foi o de 2020).
  • Cada estado é dividido em distritos uninominais, nos quais vence o candidato mais votado. Estados pequenos podem ter um único distrito.
  • A maioria é de 218 cadeiras, salvo vacâncias, que alteram esse número momentaneamente.
  • Todos os mandatos terminam ao mesmo tempo, em 3 de janeiro de 2027, quando começa a nova legislatura (a 120ª).

4. Senado

  • Cada estado elege dois senadores, por voto direto (17ª Emenda), com mandatos de seis anos escalonados em três "classes". Em cada eleição geral, uma classe é renovada. Em 2026 é a Classe 2.
  • Duas das 35 cadeiras são eleições especiais para completar mandatos não expirados: Ohio e Flórida.
  • Para a maioria são necessárias 51 cadeiras. Em caso de empate em 50 a 50, o vice-presidente dos EUA exerce o voto de desempate em votações plenárias.

5. Primárias e sistemas de votação

Os candidatos são, em geral, definidos nas primárias, e os formatos variam bastante:

Sistema Como funciona Exemplos
Primária fechada Só eleitores registrados no partido votam na primária dele (em alguns estados, independentes podem escolher uma cédula partidária). Flórida, Kansas, Nova Hampshire
Primária aberta O eleitor escolhe a cédula do partido no dia da votação, sem registro partidário. Michigan, Missouri
Top-two (dois mais votados) Primária única, de todos os candidatos; os dois mais votados disputam a eleição geral, independentemente do partido. Califórnia, Washington
Top-four com voto ranqueado Os quatro mais votados avançam e a eleição geral usa voto preferencial ranqueado. Alasca
Voto ranqueado Eleitores ordenam candidatos; se ninguém atinge maioria, eliminam-se os menos votados e redistribuem-se as preferências. Maine (eleições federais)

Em 2026, a Louisiana passou a adotar primárias partidárias para o Congresso, em lugar do modelo anterior. Alguns estados exigem maioria absoluta na eleição geral e, se ninguém a alcança, convocam segundo turno em dezembro (a Geórgia é um exemplo conhecido).

6. Redistritamento no meio da década

Normalmente, os distritos da Câmara são redesenhados uma vez por década, após o Censo. Neste ciclo ocorreu um fenômeno incomum: vários estados alteraram seus mapas congressuais fora desse calendário. Segundo a National Conference of State Legislatures (NCSL), conforme noticiado, dez estados mudaram suas fronteiras distritais desde o verão de 2025: Alabama, Califórnia, Flórida, Louisiana, Missouri, Carolina do Norte, Ohio, Tennessee, Texas e Utah. As listas divergem entre fontes (a situação da Virgínia, por exemplo, é descrita de formas distintas), e muitos mapas foram objeto de ações judiciais.

Os mecanismos variaram: leis aprovadas por assembleias legislativas (Texas, Missouri, Carolina do Norte, Ohio), referendo popular que suspendeu temporariamente o mapa da comissão independente (Califórnia, Proposição 50, válida para 2026, 2028 e 2030) e decisão judicial que escolheu o mapa (Utah). Para cada eleitor, o efeito prático é que os limites do seu distrito podem ser diferentes dos usados em 2024. O ideal é conferir o distrito no site da autoridade eleitoral do estado.

7. Como se vota

  • As modalidades (comparecimento no dia, votação antecipada presencial e voto por correio) e os prazos de cadastro e de recebimento das cédulas variam de estado para estado.
  • Exigências de identificação do eleitor também são definidas em nível estadual.
  • Os horários de abertura e fechamento das urnas dependem do estado e do fuso horário, e os EUA continentais abrangem quatro fusos.

8. Da apuração à posse

  1. Apuração preliminar. Condados e estados divulgam resultados parciais não oficiais na noite da eleição. Os ritmos variam conforme a contagem de votos antecipados e pelo correio.
  2. Projeções da imprensa. Organizações como a Associated Press declaram vencedores com base em modelos estatísticos. Essas projeções não têm valor jurídico.
  3. Verificação e certificação. Autoridades locais e estaduais conferem as contagens (canvass) e certificam o resultado oficial dentro dos prazos estabelecidos por cada estado.
  4. Recontagens e contestações. Muitos estados preveem recontagem automática quando a margem fica abaixo de um limite legal. Também podem ocorrer recursos judiciais.
  5. Posse. Os novos parlamentares tomam posse em 3 de janeiro de 2027, conforme a 20ª Emenda. Em seguida, a Câmara elege seu presidente (Speaker) e os dois partidos organizam as comissões. A posse dos governadores segue calendários estaduais.

Glossário rápido

MidtermEleição de meio de mandato presidencial.
Distrito congressualÁrea geográfica que elege um representante à Câmara.
Redistritamento (redistricting)Redesenho dos limites dos distritos eleitorais.
Voto genéricoPergunta de pesquisa sobre preferência partidária para o Congresso, sem nomear candidatos.
Eleição especialEleição para preencher uma vaga que ficou aberta antes do fim do mandato.
CanvassProcesso oficial de conferência e consolidação dos votos.

Fontes consultadas

Regras eleitorais e situação judicial de mapas distritais podem mudar. Para decisões práticas (cadastro, local de votação, prazos), consulte a autoridade eleitoral do estado.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Registro dos mercados de segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Disclaimer: sem recomendação de investimento e sem projeções

A segunda-feira, 26 de outubro, foi o primeiro pregão depois do segundo turno da eleição presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, resultado que contrariou a maioria das pesquisas divulgadas até o sábado. O Ibovespa fechou em 176.608 pontos, queda de 13,88%, a maior desde março de 2020, e o dólar comercial subiu 8,21%, a R$ 5,403. Lá fora o dia foi outro: S&P 500, Nasdaq e Dow Jones fecharam em alta, as bolsas europeias subiram em bloco e o petróleo recuou entre 0,8% e 1,5%.

O texto abaixo organiza o que as principais fontes de mercado registraram. Descreve os movimentos e as razões que as próprias reportagens atribuem a eles; não avalia se os preços estavam certos ou errados, e não projeta o que vem depois.

O placar do dia

AtivoNível de fechamentoVariação no diaMercado
Ibovespa176.608 pts−13,88%Brasil
Dólar comercial (venda)R$ 5,403+8,21%Brasil
DI jan/203115,240% a.a.+2,665 p.p.Brasil
S&P 5007.676,77 pts+0,70%EUA
Nasdaq Composite26.169,38 pts+0,83%EUA
Dow Jones52.364 pts+0,28%EUA
Treasury de 10 anos (rendimento)≈ 4,98%praticamente estávelEUA
STOXX 600640,66 pts+0,77%Europa
Nikkei 22562.189,65 pts−0,80%Ásia
Petróleo Brent (dez.)US$ 115,81−0,80%Commodities
Petróleo WTI (dez.)US$ 101,76−1,46%Commodities
Ouro (futuro dez.)US$ 4.038,40+0,76%Commodities
Bitcoin≈ US$ 79.800≈ −0,3% a −0,8%Cripto

Brasil

Ibovespa

A B3 acionou o circuit breaker às 9h57 (horário de Brasília), depois que o índice caiu 10% em relação ao fechamento de sexta-feira. Foi a primeira vez desde março de 2020. A negociação de ações ficou suspensa por 30 minutos e voltou com o índice perto de 17% abaixo do dia anterior. A mínima da sessão foi 169.516 pontos (−17,3%). O Ibovespa terminou 28.474 pontos abaixo do fechamento de sexta, que era de 205.083, no menor nível de fechamento desde 31 de agosto. O volume financeiro foi de R$ 76,9 bilhões, contra R$ 43,5 bilhões na sexta. No ano, a alta acumulada passou de 27,28% para 9,61%.

Gráfico 1. Ibovespa, fechamentos de 20 a 26 de outubro (em pontos)
Ibovespa, fechamentos de 20 a 26 de outubro de 2026160.000170.000180.000190.000200.000210.00020/1021/1022/1023/1026/10208.296206.495204.120205.083176.608mínima do dia: 169.516
Fonte: InfoMoney e MarketScreener; mínima do dia segundo o InfoMoney.

Antes da abertura, a B3 alargou, só para aquele dia, os limites de oscilação dos contratos futuros. O limite de queda do Ibovespa futuro subiu de 10% para 15% e depois para 20%; o de alta do dólar futuro, de 6% para 8,4% e depois para 12%. No exterior, o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) fechou com queda de 19,82% em Nova York.

O fechamento foi muito desigual entre as empresas. Oito ativos terminaram em alta, todos ligados a exportação ou a receitas em dólar: Suzano (+10,08%), Embraer (+8,89%), WEG (+4,21%), Vale (+4,01%) e Klabin (+3,24%) lideraram. Entre as maiores quedas apareceram varejo, educação, construção e bancos. Magazine Luiza perdeu 58,23%; Banco do Brasil, 29,33%; Bradesco PN, 21,70%; Itaú, 13,66%. A Petrobras PN recuou 8,18%. O índice de small caps (SMLL) caiu 26,92% e o de fundos imobiliários (IFIX), 5,68%. Foi um recorde diário de negócios, com mais de 8 milhões de operações, segundo o InfoMoney.

Gráfico 2. Ibovespa: variação em 26/10 de ativos selecionados (%)
Ibovespa: maiores altas, bancos e petrolífera, e maiores quedas em 26/10/2026−60,00%−40,00%−20,00%020,00%Suzano (SUZB3)+10,08%Embraer (EMBJ3)+8,89%WEG (WEGE3)+4,21%Vale (VALE3)+4,01%Klabin (KLBN11)+3,24%Petrobras PN (PETR4)−8,18%Itaú (ITUB4)−13,66%Bradesco PN (BBDC4)−21,70%BTG Pactual (BPAC11)−24,83%Banco do Brasil (BBAS3)−29,33%B3 (B3SA3)−36,28%Cosan (CSAN3)−46,73%C&A (CEAB3)−47,47%Hapvida (HAPV3)−54,93%Vamos (VAMO3)−56,79%Magazine Luiza (MGLU3)−58,23%
Fonte: InfoMoney, fechamento do pregão. Seleção: cinco maiores altas, grandes bancos e Petrobras PN, e as cinco maiores quedas entre os demais.

Câmbio

O dólar comercial fechou a R$ 5,403 na venda, alta de 8,21% sobre os R$ 4,993 de sexta-feira. Oscilou entre R$ 5,392 e R$ 5,605. Diversos veículos registraram a variação como a maior em um dia desde janeiro de 1999. A taxa PTAX de fechamento calculada pelo Banco Central ficou em R$ 5,5007, acima do fechamento do mercado porque a média das quatro janelas do dia inclui as primeiras horas, as mais pressionadas. No cenário externo, o índice dólar (DXY) subiu 0,17%, a 101,98 pontos.

Gráfico 3. Dólar comercial: sexta-feira, faixa de segunda e fechamento (R$)
Dólar comercial: fechamento de sexta, mínima, máxima e fechamento de segundaR$ 5,00R$ 5,20R$ 5,40R$ 5,60faixa de negociação de segunda: R$ 5,392 a R$ 5,605Sexta, 23/10R$ 4,993Fechamento: R$ 5,403 (+8,21%)
Fonte: InfoMoney.

Juros e Tesouro

Os juros futuros (DI) subiram em toda a curva. O contrato para janeiro de 2027 foi de 13,475% para 13,723%. Do vencimento de 2029 em diante, a alta ficou entre 2,5 e 2,7 pontos percentuais: o de janeiro de 2031 passou de 12,575% para 15,240%. Na manhã de segunda-feira, a taxa de 2031 chegou ao limite de oscilação então vigente, 14,460%, e entrou em leilão antes de a B3 ampliar as faixas.

Gráfico 4. Curva de juros futuros (DI), taxas anuais nos fechamentos de 23 e 26 de outubro
Curva de juros futuros (DI) em 23 e 26 de outubro de 202612,0%13,0%14,0%15,0%16,0%jan/27jan/28jan/29jan/31jan/32jan/33jan/34jan/3513,47%12,57%12,65%13,72%15,24%15,20%Fechamento de sexta (23/10)Fechamento de segunda (26/10)
Fonte: InfoMoney. A escala horizontal é categórica: mostra apenas os vencimentos divulgados pela fonte (não há jan/2030 na série).

O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e de títulos indexados à inflação marcados para terça e quinta-feira, manteve o de títulos pós-fixados (Selic) e recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em NTN-F de 5, 7 e 10 anos. No Tesouro Direto, a taxa do Prefixado 2032 chegou a 15,78%, patamar que o InfoMoney descreveu como a maior alta da série histórica. O risco-país medido pelo CDS de cinco anos subiu 26%, a 151,6 pontos, o nível mais alto desde julho de 2025.

O que as reportagens apontam como pano de fundo

Os relatos do dia convergem em dois pontos. O primeiro é o posicionamento: desde o primeiro turno, há três semanas, as ações vinham subindo e o real se valorizando. Na sexta-feira, segundo a Reuters, a bolsa fechou quase 7% acima do nível anterior ao primeiro turno, e a moeda, quase 5% mais forte. Um levantamento de 13 pesquisas citado pelo InfoMoney apontava Flávio Bolsonaro à frente por 2,4 pontos percentuais, em média. O segundo ponto é a leitura sobre as contas públicas: participantes do mercado ouvidos pela imprensa citaram a incerteza sobre a condução fiscal do novo mandato, a composição da equipe econômica e a relação com o Congresso. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ao Broadcast que pretende propor ainda neste ano mudança na lei, ou na Constituição, para buscar o centro da meta fiscal.

Houve contágio fora do país: o IPC do México caiu 0,58% e, na Espanha, ações com exposição ao Brasil, como Santander e Telefónica, operaram em baixa na manhã europeia. O InfoMoney registrou também queda de soja, café e açúcar nas bolsas globais, em meio à alta do dólar. Entre os dados do dia, o Banco Central informou déficit em transações correntes de US$ 5,1 bilhões em setembro, e o Boletim Focus, divulgado antes da abertura, ainda não refletia o resultado da eleição.

Estados Unidos

Wall Street fechou em alta nas três vitrines. O S&P 500 subiu 0,7%, a 7.676,77 pontos; o Nasdaq Composite, 0,8%, a 26.169,38; o Dow Jones, cerca de 0,3%, a 52.364; e o Russell 2000, 0,4%, a 2.786,42. No ano, o S&P 500 acumula alta de 12,1%, o Nasdaq de 12,6% e o Dow de 8,9%, segundo a AP. A semana anterior tinha sido de perdas, com uma venda de ações de tecnologia motivada por dúvidas sobre a sustentabilidade da demanda por inteligência artificial. Na segunda-feira, o índice de semicondutores da Filadélfia (SOX) subiu mais de 3% e voltou acima de 11.000 pontos; na sexta, havia fechado abaixo da média móvel de 200 dias. O VIX, medida de volatilidade implícita, caiu 5,45%, a 18,39.

Duas notícias corporativas marcaram o dia. A Anthropic divulgou o pedido público de abertura de capital na Nasdaq, e a CNBC associou o fato ao desempenho das ações de tecnologia. A Meta anunciou que pretende captar até US$ 95 bilhões, entre ofertas de ações e um programa de venda no mercado, para financiar a expansão de infraestrutura de IA.

No mercado de títulos, o rendimento do Treasury de 10 anos ficou perto de 4,98%, praticamente estável; o de 2 anos subiu 3 pontos-base, a 4,72%, e o de 30 anos recuou cerca de 2 pontos-base, a 5,30%. O leilão de US$ 69 bilhões em notas de 2 anos teve demanda abaixo da esperada, segundo a Investrade. A agenda da semana reunia a decisão do Federal Reserve na quarta-feira, a do Banco Central Europeu na quinta e a do Banco do Japão na sexta, além de balanços de Microsoft, Alphabet e Amazon.

Europa e Ásia

As bolsas europeias subiram. O STOXX 600 avançou 0,77%, a 640,66 pontos; o DAX, 0,91%; o CAC 40, 0,83%, a 7.847,32; o FTSE 100, 0,72%; e o FTSE MIB, 1,29%. A Reuters atribuiu o movimento ao recuo do petróleo e a balanços corporativos, e a imprensa citou o alívio na França depois que a Moody’s manteve a nota do país, em Aa3 com perspectiva negativa, na sexta-feira. Por setores, as ações de defesa subiram 2,6%, as de viagens e lazer 1,9% e as de energia caíram 0,2%.

Na Ásia o pregão foi misto. O Nikkei caiu 0,80%, a 62.189,65 pontos, com pressão vendedora sobre fabricantes de chips e empresas de tecnologia; o Topix subiu 0,18%. Em Xangai o índice composto avançou 0,19%, a 3.697,52; em Hong Kong o Hang Seng subiu 0,51%, a 23.211,81; na Austrália o ASX 200 ganhou 0,17%; e o Nifty 50, da Índia, 0,68%.

Gráfico 5. Variação diária das principais bolsas fora do Brasil em 26/10 (%)
Variação diária das principais bolsas fora do Brasil em 26/10/2026−1,00%−0,50%00,50%1,00%1,50%S&P 500+0,70%Nasdaq Composite+0,83%Dow Jones+0,28%Russell 2000+0,38%TSX (Canadá)+0,44%México IPC−0,58%STOXX 600+0,77%DAX (Alemanha)+0,91%CAC 40 (França)+0,83%FTSE 100 (Reino Unido)+0,72%FTSE MIB (Itália)+1,29%Nikkei 225 (Japão)−0,80%Topix (Japão)+0,18%Xangai Composto+0,19%Hang Seng+0,51%ASX 200 (Austrália)+0,17%Nifty 50 (Índia)+0,68%
Fonte: AP, Reuters/MarketScreener, CappNotes e Armenpress. O Ibovespa (−13,88%) ficou fora do gráfico para não comprimir a escala.

Petróleo, metais e criptoativos

O petróleo recuou de máximas de seis meses. O Brent para dezembro fechou a US$ 115,81 o barril (−0,8%) e o WTI, a US$ 101,76 (−1,46%). Segundo Bloomberg e Reuters, a queda veio com a notícia de que autoridades da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão viajariam a Teerã para conversar com dirigentes iranianos, com mediadores do Catar também envolvidos, e com sinais do presidente Donald Trump de que não havia ação militar imediata contra o Irã. Ao mesmo tempo, os houthis do Iêmen disseram ter atacado instalações petrolíferas sauditas, e outubro foi descrito como o pior mês para ataques a navios na região do Estreito de Ormuz, segundo dados do Washington Institute. O Brent tinha acumulado alta de 6% na semana anterior.

O ouro à vista chegou a cair abaixo de US$ 4.000 durante a sessão (mínima de US$ 3.978, segundo a FXStreet) e voltou para perto dessa marca; o contrato futuro de dezembro fechou a US$ 4.038,40, alta de 0,76%. A prata subiu 0,73%, a US$ 54,34. O bitcoin passou o dia perto de US$ 80.000, com leve baixa, em faixa entre US$ 79.344 e US$ 80.612 conforme o provedor de dados. O contrato futuro de bitcoin negociado na B3 subiu 8,64%, para R$ 432.680, variação próxima à do dólar.

AtivoFechamentoVariação
Brent (contrato dez., ICE)US$ 115,81 por barril−0,80%
WTI (contrato dez., Nymex)US$ 101,76 por barril−1,46%
Ouro (futuro dez., Comex)US$ 4.038,40 por onça+0,76%
Prata (futuro dez., Comex)US$ 54,34 por onça+0,73%
Índice dólar (DXY)101,98 pontos+0,17%
Bitcoin≈ US$ 79.800faixa do dia: US$ 79.344 a US$ 80.612
Ether≈ US$ 2.314≈ −0,6%

Nota sobre os dados

Os números são de fechamento de 26/10/2026, coletados na manhã de 27/10 em veículos de mercado e agências. Quando as fontes divergiram (por exemplo, no fechamento do Dow Jones, na variação percentual do dólar — 8,21% no mercado à vista, 8,25% em outra apuração — e no preço do ouro à vista), adotei o dado do InfoMoney para o mercado brasileiro e o do mercado de futuros ou da agência para os ativos globais, e indiquei “cerca de” onde a diferença persistiu. O texto não traz recomendação de investimento nem projeção de preços; reproduz apenas o que ocorreu e as explicações que as fontes ofereceram.

Declaração: a Anthropic, mencionada na seção sobre os Estados Unidos, é a desenvolvedora do assistente de inteligência artificial (Claude) usado na apuração e na redação preliminar deste texto.

Fontes

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Edição especial: a virada de 2026 nos registros das urnas, guia de leitura

Ano I · Edição especial  ·  Segunda-feira, 26 de outubro de 2026  ·  Apuração 2026 · 2º turno
O Boletim da Apuração
A virada de 2026 nos registros das urnas · zona por zona
Guia de leitura · oito matérias sobre a virada entre o 1º e o 2º turno
Presidente · A virada nas zonas
No 1º turno, Flávio Bolsonaro tinha 47,0% dos votos válidos e Lula, 45,2%. No 2º, Lula teve 51,8% e Flávio, 48,2%. Entre os turnos, a soma dos dois finalistas cresceu 14.098.232 votos, e cerca de 74% do aumento foi para Lula. A matéria mostra a conta e o que ela não permite concluir.
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14,1 mi
Votos novos dos finalistas
5,4 p.p.
Deslocamento médio
97%
Zonas a favor de Lula
81%
Saldo no Sudeste e Nordeste
Deslocamento
Em 97% das zonas a margem andou a favor de Lula, cerca de 5,4 pontos em média. Esse número único prevê a margem de cada zona no 2º turno com erro típico de 2 pontos.
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Estados
Sudeste e Nordeste somaram 81% do saldo líquido de Lula. Minas Gerais foi a única unidade a mudar de líder entre os turnos.
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Cidades
O deslocamento cresce com o tamanho do município. O Rio de Janeiro e Macapá foram as capitais que passaram de um lado a outro.
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Migração
Estimativas de inferência ecológica: quase nenhuma troca direta entre finalistas e os eleitores de outros candidatos divididos quase ao meio.
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Como ler
Os textos descrevem registros de urna por zona eleitoral e dizem o que eles não permitem concluir. Os registros mostram onde e quanto; não mostram por quê. Estimativas de migração são exploratórias. O resultado oficial é o do TSE.
Participação
Mais gente votou, menos gente anulou, e a queda de brancos e nulos acompanhou o deslocamento da margem.
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Zonas
As zonas acrescentam pouco ao nível da margem e mais à sua mudança. Nas grandes cidades, zonas de lados opostos convivem no mesmo município.
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Método
O que as estimativas por candidato afirmam, o que não afirmam e por que a linha de brancos e nulos é a menos precisa.
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Números dos arquivos públicos de divulgação do TSE (resultados.tse.jus.br), por município e zona eleitoral, lidos em 26/10/2026. Cálculos próprios, que podem conter erros. Apenas totais oficiais agregados por zona, sem dados pessoais.
Projeto independente de Paulo C. Coimbra, sem vínculo com o TSE, partidos ou candidaturas. Mapa interativo: Mapa dos dois turnos 2026 · Código e dados: repositório.

Como ler as estimativas de migração de votos: o que a inferência ecológica garante e o que não garante

As estimativas do post "Para onde foram os votos dos outros candidatos, dos brancos e nulos e dos que não votaram?" vêm de um modelo estatístico, e a confiança que elas merecem depende de entender o que ele faz e o que não consegue fazer. Este texto reúne o método, a verificação e as limitações. O código e os dados estão no repositório do projeto, e a descrição completa está em docs/METODOLOGIA.md.

O problema

Não se observa o voto de cada eleitor, só quantos votos cada candidato teve em cada zona, nos dois turnos. A matriz que diz que proporção de cada origem do primeiro turno foi para cada destino do segundo turno é, portanto, uma incógnita. Com as 6.106 zonas do país (mais 186 localidades no exterior) e 5 origens e 4 destinos, o modelo tenta achar a matriz que melhor reproduz os totais do segundo turno a partir dos do primeiro. Os destinos são Lula, Flávio, branco ou nulo e abstenção, e as origens, além desses, os outros candidatos reunidos.

Como é estimado

O ajuste é de mínimos quadrados ponderados pelo tamanho do eleitorado da zona, com duas restrições: nenhuma taxa pode ser negativa e as taxas de cada origem somam 100%. Para reduzir o ruído, usa-se uma estrutura hierárquica: uma matriz nacional, uma matriz por região que parte da nacional, e uma matriz por UF que parte da regional (a influência da matriz de nível superior é fixada, e as zonas da unidade a corrigem). A abstenção do segundo turno é medida sobre o eleitorado do primeiro, o que preserva a contabilidade entre os turnos. Os intervalos de 95% vêm de um bootstrap que reamostra municípios dentro de cada região (150 réplicas para o Brasil e 100 para regiões e UFs).

Verificação

O estimador foi testado em dados simulados. Foram geradas respostas do segundo turno a partir das composições reais do primeiro, com uma matriz verdadeira conhecida e ruído multinomial. Sem heterogeneidade entre regiões, a matriz foi recuperada com erro inferior a 0,1 ponto percentual. Com heterogeneidade (deslocamentos regionais de até 5 pontos nas taxas dos outros candidatos e de até 10 pontos nas dos brancos e nulos), as linhas dos finalistas, dos outros candidatos e da abstenção ficaram a no máximo cerca de 3 pontos da verdade, e a linha dos brancos e nulos a cerca de 11 pontos. É por isso que ela é tratada como a menos confiável.

Limites que nenhum bootstrap corrige

Primeiro, a falácia ecológica: o modelo supõe que, dentro de cada unidade, a taxa de transição não depende sistematicamente da composição da zona. Se eleitores de um mesmo candidato se comportam de modo diferente em zonas diferentes por razões que também afetam a composição, a estimativa tem viés. Segundo, só se identificam fluxos líquidos: um eleitor que trocou de candidato e outro que trocou no sentido oposto se anulam. Terceiro, os limites determinísticos de Duncan e Davis, calculados só com os totais, são muito mais largos do que as faixas do modelo. Para o fluxo de eleitores de Flávio para Lula, vão de 0 a 80%. O modelo estreita esse intervalo à custa de hipóteses, e o bootstrap não mede o risco dessas hipóteses.

Quarto, as faixas informadas medem a variação entre amostras de municípios, e não a incerteza de especificação. Um quinto limite é prático: os arquivos do TSE foram lidos em 26/10/2026, e atualizações posteriores podem alterar os números em pequena medida. Por fim, as zonas eleitorais não têm malha geográfica pública, e os blocos do mapa são um esquema.

Reprodução

A base por zona, as tabelas derivadas, o código do modelo e o código que gera a página estão no repositório. Os totais exibidos pela página foram comparados com as tabelas para as 27 UFs e para todos os municípios, sem divergência. Quem quiser reproduzir os números deste post pode rodar run_desc.py (descritivas), run_est.py e run_uf.py (bootstraps) e validate_sim.py (simulação), nessa ordem, e o script estudos.py da série para as tabelas dos posts 1 a 7.


Dados: arquivos públicos de divulgação do TSE (totalização por município e zona), 1º e 2º turnos de 2026, lidos em 26/10/2026; os números podem diferir dos resultados finais oficiais se os arquivos forem atualizados. Mapa interativo: https://pauloccoimbra.github.io/mapa-dois-turnos-2026/. Código, dados e metodologia: https://github.com/pauloccoimbra/mapa-dois-turnos-2026. Este texto é descritivo e não partidário: usa apenas totais oficiais agregados por zona eleitoral, sem dados pessoais.