quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Inteligência em Ação: um novo espaço para acompanhar a inteligência artificial, a ciência, a educação e a inovação

Apresento uma nova iniciativa editorial dedicada à inteligência artificial e suas aplicações, com especial atenção à pesquisa científica, à educação, à economia, às finanças e ao desenvolvimento de projetos.

A inteligência artificial está transformando profundamente a maneira como produzimos conhecimento, desenvolvemos pesquisas, ensinamos, aprendemos, analisamos informações e construímos soluções para problemas reais.

O ritmo dessas transformações, entretanto, apresenta um desafio: diante de tantos anúncios, novos modelos, ferramentas e descobertas, como identificar o que realmente importa? Como distinguir avanços tecnológicos consistentes de expectativas exageradas? E, sobretudo, como transformar essas novidades em conhecimento útil e aplicações concretas?

É nesse contexto que apresento Inteligência em Ação, uma nova publicação no Substack dedicada à inteligência artificial, à ciência, à educação e à inovação.

Conheça a publicação: Inteligência em Ação

Inteligência em Ação: do conhecimento à aplicação

A proposta de Inteligência em Ação é criar um espaço de informação, análise, reflexão e experimentação, conectando os avanços tecnológicos às suas implicações para a sociedade, a economia, os mercados financeiros, a educação e a pesquisa científica.

Mais do que acompanhar notícias, a publicação pretende compreender os mecanismos das transformações em curso, examinar suas possibilidades e limitações e identificar oportunidades de aplicação.

Entre os principais temas abordados estarão:

  • Inteligência artificial generativa: modelos de linguagem, sistemas multimodais e novas capacidades dos modelos de IA.
  • Agentes inteligentes e automação: sistemas capazes de executar tarefas, utilizar ferramentas e participar de processos complexos.
  • RAG e gestão do conhecimento: técnicas de recuperação de informações e integração de modelos de IA com bases documentais.
  • Ciência de dados e modelagem: métodos computacionais, análise de dados, simulações e desenvolvimento de modelos.
  • Economia e finanças: aplicações da IA em modelagem econômica, previsão, análise de conjuntura, mercados financeiros, gerenciamento de riscos e apoio à tomada de decisões.
  • Educação e pesquisa acadêmica: novas possibilidades para o ensino, a aprendizagem, a produção científica e os projetos universitários.
  • Inovação tecnológica: ferramentas, projetos, oportunidades e tendências que podem transformar atividades profissionais e acadêmicas.

A publicação também pretende oferecer tutoriais, experiências práticas, referências bibliográficas e orientações para quem deseja explorar essas tecnologias de maneira crítica e produtiva.

Radar IA: a primeira newsletter de Inteligência em Ação

A primeira série de newsletters da publicação recebe o nome de Radar IA.

Trata-se de um boletim semanal dedicado à seleção, contextualização e análise das principais novidades no universo da inteligência artificial.

Em um ambiente caracterizado por lançamentos frequentes e grande volume de informações, o Radar IA procura oferecer uma curadoria que privilegie a relevância, a qualidade das fontes e as possibilidades de aplicação.

Cada edição buscará responder a três perguntas fundamentais:

1. O que mudou?

Identificar os acontecimentos mais relevantes da semana: lançamentos de modelos, avanços científicos, novas ferramentas, atualizações de plataformas e mudanças importantes no ecossistema de inteligência artificial.

2. Por que isso importa?

Explicar as implicações das novidades, distinguindo capacidades demonstradas, promessas comerciais, limitações técnicas e possíveis consequências para diferentes áreas do conhecimento e da atividade econômica.

3. O que vale a pena experimentar?

Apresentar ferramentas, artigos, projetos, tutoriais e experiências que mereçam atenção, especialmente por seu potencial de aplicação na educação, na pesquisa científica, na economia, nas finanças, na análise de dados e no desenvolvimento de projetos.

Da academia aos mercados: aplicações da inteligência artificial

Um dos diferenciais do Radar IA será sua atenção às aplicações práticas da inteligência artificial, especialmente nas áreas de educação, pesquisa, economia e finanças.

Na educação e na pesquisa científica, os modelos de linguagem, agentes inteligentes e ferramentas computacionais oferecem novas possibilidades para a elaboração de materiais didáticos, revisão bibliográfica, análise de dados, construção de modelos, simulações e desenvolvimento de software científico.

Na economia, essas tecnologias podem contribuir para a modelagem econômica, a análise de conjuntura, o processamento de informações, a construção de cenários e a investigação de fenômenos complexos.

Nas finanças e nos mercados financeiros, a inteligência artificial encontra aplicações em análise de séries temporais, processamento de notícias e informações econômicas, identificação de padrões, avaliação de estratégias, gerenciamento de riscos, otimização de carteiras e desenvolvimento de sistemas de apoio à decisão.

Essas possibilidades, contudo, precisam ser examinadas com rigor.

A utilização responsável da IA exige atenção à confiabilidade dos resultados, à qualidade dos dados, à transparência metodológica, à validação empírica, à reprodutibilidade das análises e aos limites das ferramentas utilizadas.

No caso das aplicações financeiras, é particularmente importante distinguir resultados obtidos em simulações e testes históricos daqueles efetivamente verificados fora da amostra e em condições reais de mercado.

Por isso, o Radar IA não pretende apenas apresentar ou recomendar tecnologias, mas também discutir em que condições elas podem ser efetivamente úteis.

Como acompanhar o Radar IA

O Radar IA terá periodicidade semanal, com novas edições programadas para as manhãs de segunda-feira.

Os leitores poderão acompanhar os artigos diretamente no site ou receber as edições gratuitamente por e-mail, mediante assinatura da publicação.

A proposta é oferecer uma leitura organizada e acessível, reunindo informações relevantes sem exigir que o leitor acompanhe diariamente dezenas de sites, plataformas e fontes especializadas.

Para conhecer a publicação e acompanhar o Radar IA, acesse:

inteligenciaemacao.substack.com

A assinatura é gratuita.

Um projeto editorial em construção

O Radar IA representa o primeiro passo de uma iniciativa mais ampla.

Ao longo do tempo, Inteligência em Ação poderá incorporar novas séries dedicadas a tutoriais, experimentos computacionais, aplicações acadêmicas e profissionais, ciência de dados, modelagem econômica e financeira, educação e inovação.

A intenção é construir um espaço em que informação, reflexão e prática se complementem, estimulando o aprendizado contínuo, a experimentação e o compartilhamento de conhecimento.

Em um cenário de transformações tecnológicas aceleradas, compreender os avanços da inteligência artificial é importante. Saber avaliá-los criticamente e utilizá-los de maneira produtiva é ainda mais relevante.

Inteligência em Ação nasce com esse propósito: transformar informação em conhecimento e conhecimento em possibilidades concretas de ação.

Convido os leitores do Paulo C. Coimbra's Blog a conhecerem essa nova iniciativa, acompanharem o Radar IA e participarem dessa jornada de aprendizado e descoberta.


Paulo C. Coimbra

Inteligência em Ação
Inteligência artificial, ciência, educação e inovação.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Dívida de data centers: o que o preço dos títulos diz sobre o retorno da IA.

Por Paulo C. Coimbra, 16 de outubro de 2026. Dados conferidos em 16/10/2026.

Seis títulos de projetos de data centers de IA cotam entre 87 e 98 centavos por dólar, e os da CoreWeave rendem mais de 15% ao ano. No modelo usado aqui, um retorno de 10% sobre o capital cobre 1,5 vez o serviço da dívida de um hyperscaler e 0,55 vez o de um neocloud.

Nesta semana, de 12 a 16 de outubro, o título da CoreWeave com cupom de 9,625% e vencimento em 2032 chegou a cotar perto de 78 centavos por dólar de face, com yield acima de 15%[1]. O de 2031, emitido em abril[2], passou de 16% por algum tempo na quinta-feira, e o custo do seguro contra calote da empresa ultrapassou 1.000 pontos-base, recorde segundo a S&P Global Market Intelligence[3]. A S&P classifica a CoreWeave em B+[1].

Os títulos de projetos alugados a grandes empresas também caíram, mas ficam mais perto do par. O do Hyperion, campus da Meta na Louisiana financiado com US$ 27 bi[4], está perto de 91 centavos; o do campus da QTS na Geórgia alugado à Microsoft, o Projeto Excalibur, abaixo de 88[5]. Os empréstimos de US$ 18 bi do Projeto Jupiter, da Oracle, cotam entre 89 e 91[6].

A tese é que a dívida da IA não responde de modo uniforme ao retorno do investimento. A resposta depende da fração financiada com dívida, de quantos anos o ativo gera caixa e da solidez de quem paga o aluguel, e essa combinação é compatível com a ordem das cotações: o neocloud paga mais caro, e os projetos alugados a hyperscalers pagam menos.

O que caiu

Beignet Investor, megaprojeto Hyperion da Met adesde janeiro
105,5 91,0
QTS Fayetteville, campus da Microsoft na Geórgiadesde o início de abril
100,0 87,0
RD Michigan, campus da Oracle em Michigandesde o fim de abril
100,5 88,5
Beacon Point, campus da Hut 8 no Texasdesde junho
100,0 91,5
Hut 8 River Benddesde o fim de abril
100,5 93,0
Sopaipilla, campus da Meta em El Pasodesde o fim de julho
103,0 98,0
centavos por dólar de face; a linha vertical marca o par (100)
Figura 1. Preço de seis títulos de projetos de data center, em centavos por dólar de face. Leitura visual do gráfico do Financial Times[5], com erro de cerca de 0,5 ponto; cada série começa em uma data.
Ver os dados da figura
Título Primeiro pontoInícioÚltimoQueda
Beignet Investor, megaprojeto Hyperion da Metadesde janeiro105,591,014,5
QTS Fayetteville, campus da Microsoft na Geórgiadesde o início de abril100,087,013,0
RD Michigan, campus da Oracle em Michigandesde o fim de abril100,588,512,0
Beacon Point, campus da Hut 8 no Texasdesde junho100,091,58,5
Hut 8 River Benddesde o fim de abril100,593,07,5
Sopaipilla, campus da Meta em El Pasodesde o fim de julho103,098,05,0

A comparação direta entre as quedas engana, porque as janelas diferem. O título do Hyperion aparece desde janeiro e perdeu 14,5 pontos. O de El Paso, também da Meta, só entra no gráfico no fim de julho e perdeu 5. Dos quatro projetos que entram entre abril e junho, todos partiram de cerca de 100 e estão entre 87 e 93.

Parte da queda vem dos juros. O Treasury de 10 anos fechou a 5,19% em 14 de outubro[7], depois de tocar em setembro o nível mais alto desde 2007[8]. O Hyperion paga cupom de 6,581% e vence em 2049; com a amortização que supus (ver os detalhes da conta), sua duração é de cerca de 8,5 anos, e cada ponto percentual de yield tira cerca de 8 pontos do preço. O preço de 91 corresponde a um yield de 7,7%, contra 6,0% no preço de 105 do início do ano. Sem a série do Treasury de janeiro, não separo quanto dos 1,6 ponto percentual é taxa livre de risco e quanto é spread de crédito.

Quanto a dívida cobra do retorno

A conta parte de um investimento de 100 em chips e instalações. Uma fração L vem de dívida a taxa i, paga em parcelas iguais ao longo de N anos, que é a vida útil do ativo. O ativo rende r por ano sobre o capital total, antes de impostos, e a cobertura é r dividido pela parcela anual da dívida. Os três casos: um neocloud com 80% de dívida a 9,75%, a taxa do bônus de 2031; o mesmo neocloud refinanciando a 15%; e um hyperscaler com 33% de dívida, fração que a Goldman Sachs estima para o capex de 2026, a 6,4%. Esse custo é premissa minha: o Treasury de 10 anos (5,19%) mais um spread de cerca de 120 pontos-base, na vizinhança dos 115 que os emissores de IA pagavam em setembro[9]. Os 80% do neocloud também são premissa minha; não encontrei a alavancagem por projeto da CoreWeave. O prazo-base é de seis anos.

Neocloud, dívida a 9,75%Neocloud, refinanciando a 15%Hyperscaler, dívida a 6,4%
0x1x2x3x4x5%10%15%20%25%30%retorno de caixa anual sobre o capital, antes de impostos0x1x 2x3x4x5%10%15%20%25%30%retorno de caixa anual sobre o capital
Figura 2. Cobertura do serviço da dívida (juros mais amortização em seis anos) em função do retorno de caixa anual sobre o capital. A faixa sombreada marca coberturas abaixo de 1,0x. Cálculo do autor; premissas no texto.
Ver os dados da figura
Retorno de caixaNeocloud, dívida a 9,75%Neocloud, refinanciando a 15%Hyperscaler, dívida a 6,4%
6%0,33x0,28x0,88x
8%0,44x0,38x1,18x
10%0,55x0,47x1,47x
12%0,66x0,57x1,77x
15%0,82x0,71x2,21x
18%0,99x0,85x2,65x
20%1,10x0,95x2,94x
25%1,37x1,18x3,68x
30%1,65x1,42x4,41x

No cenário-base, o retorno mínimo para cobrir exatamente o serviço da dívida é de 6,8% ao ano para o hyperscaler, 18,2% para o neocloud a 9,75% e 21,1% para o neocloud refinanciando a 15%. Com retorno de 10%, as coberturas são de 1,47x, 0,55x e 0,47x. Refinanciar a 15% em vez de 9,75% custa ao neocloud quase três pontos percentuais de retorno a mais.

A vida útil pesa mais que a taxa.

Vida útil (N)Neocloud, dívida a 9,75%Neocloud, refinanciando a 15%Hyperscaler, dívida a 6,4%
4 anos25,1%28,0%9,6%
5 anos21,0%23,9%7,9%
6 anos18,2%21,1%6,8%
8 anos14,9%17,8%5,4%
Tabela 1. Retorno de caixa mínimo (cobertura de 1,0x) segundo o prazo de amortização. Fonte: cálculo do autor.

Se os chips renderem por quatro anos, o piso do neocloud sobe para 25% a 28%. Nas demonstrações contábeis, a Alphabet usa seis anos para servidores e rede, a Meta estendeu parte dos ativos para 5,5 anos e a Amazon reduziu parte dos seus de seis para cinco; a Bernstein defende seis anos de uso econômico, e Michael Burry, dois a três[10]. O modelo representa um caso de estresse: dívida de projeto costuma ter carência e pagamento final, e os prédios duram mais que os chips, o que alonga o prazo efetivo. Contratos take-or-pay trocam o risco do retorno pelo risco do cliente.

O que o lado do retorno mostra

O balanço de 30 de junho[11] dá a escala da CoreWeave. A receita do segundo trimestre foi de US$ 2,58 bi e a despesa líquida de juros, de US$ 640 mi, cerca de 25% da receita. O resultado operacional ajustado, de US$ 128 mi[12], cobre os juros 0,2 vez. A dívida somava US$ 35,1 bi, dos quais US$ 7,5 bi no curto prazo, contra US$ 5,5 bi em caixa. Os arrendamentos operacionais acrescentam US$ 16,3 bi, e a soma, de US$ 51 bi, é compatível com os "cerca de US$ 50 bi" que a imprensa cita[3], embora as reportagens não detalhem a composição.

Do outro lado há contratos. A empresa diz que 98% da receita vem de contratos com pagamento mínimo garantido, os take-or-pay[13]. O backlog era de US$ 104,2 bi no fim de junho, sem contar mais de US$ 25 bi assinados no início do terceiro trimestre[12]; a Benzinga trabalha com cerca de US$ 129 bi. A concentração é alta: os três maiores clientes geraram 72% da receita do trimestre[13], e a Meta e a OpenAI respondem por 27,1% e 17,4% desse backlog de US$ 129 bi[1]. O Bank of America, que mantém recomendação de compra, projeta fluxo de caixa livre acumulado de cerca de −US$ 67 bi entre 2026 e 2028, cerca de US$ 59 bi de novo endividamento e despesa de juros subindo de US$ 3,08 bi em 2026 para US$ 5,9 bi em 2028, ano em que o lucro operacional passaria a cobrir os juros[1].

Com esses dados não dá para calcular o retorno de caixa da CoreWeave sobre o capital investido: faltam o custo operacional por contrato e o valor dos ativos ainda em obra. O que se mede é a pressão financeira, e ela é alta.

Na demanda final, a Gartner calcula que o setor precisaria de US$ 8,5 tri de receita acumulada até 2030 para cobrir o capex anunciado, o financiamento e um retorno de 12% sobre o capital, contra no máximo US$ 3,6 tri projetados, ou 42%. Mais de US$ 3,5 tri de investimento poderiam sofrer baixa contábil até o fim de 2030, e mais de US$ 4 tri até 2032; a Gartner prevê que mais de 80% dos neoclouds deixem de operar de forma independente até 2030[14]. A OpenAI, cliente central da Oracle, corrigiu a receita anualizada para cerca de US$ 50 bi, abaixo dos US$ 68 bi que circulavam[15]; cerca de US$ 300 bi dos US$ 664 bi de obrigações contratadas da Oracle estão ligados a ela[6].

A objeção mais forte

O argumento contrário tem nomes e números. Se 98% da receita vem de contratos take-or-pay com Microsoft, Meta e OpenAI, a dívida é paga pelo aluguel, e o retorno marginal do chip pesa menos. Evan Schlossman, da Neostellar, investidor da CoreWeave, descreve os contratos como take-or-pay com clientes de crédito muito sólido e acha altamente improvável que a Microsoft quebre e deixe a empresa sem receber; a Fortune observa que a Microsoft só sai dos contratos, em essência, num evento de força maior[13]. O BNP Paribas, que recomenda a compra, separa a dívida dos ativos, cujo fluxo deveria cobrir com folga custos, juros e principal, da dívida da holding, em que certas obrigações sem garantia chegaram a yields implícitos de 15%; prevê que a empresa precise de conversíveis ou capital próprio até que os credores confiem que ela financia o crescimento sozinha[1]. Francine McKenna, contadora e jornalista investigativa, duvida que a Microsoft honre os compromissos se a demanda por computação esfriar[13].

O argumento vale até onde vai. Se os contratos valem, o risco passa da rentabilidade do chip para a conclusão das obras e o crédito do cliente. Mas o bônus de 2032 a 78 é dívida da holding, que precisa refinanciar: US$ 7,5 bi estão no curto prazo, e o Bank of America conta com cerca de US$ 59 bi de crédito novo até 2028. O preço parece refletir o acesso a esse crédito mais do que a qualidade do contrato.

No Hyperion o risco passa pela renovação. Segundo a análise de Vinod Kothari dos documentos da emissão, cada um dos 11 data centers tem contrato inicial de quatro anos, renovável por opção da Meta, e os títulos vencem em 2049; uma garantia de valor residual da Meta, de valor limitado e não público, entra em jogo se o contrato não for renovado[16]. O investidor depende do crédito da Meta e de uma opção de renovação que é dela, não dele.

A conclusão mudaria com três tipos de evidência: conversão do backlog em caixa depois de custos, juros e despesas da holding, que é o que o BNP pede à administração[1]; renovações dos contratos de quatro anos; e uma receita da OpenAI que confirme a trajetória em que os contratos da Oracle se apoiam.

O que não consegui confirmar

Faltam a série do Treasury de janeiro, as datas exatas de vencimento dos bônus da CoreWeave e o cronograma de amortização do Hyperion. Calibrei os prazos de 4,75 e 5,75 anos com os pares de preço e yield do PitchBook[17], e o modelo reproduz o bônus de 2032 a 78 com yield de 15,4%, o que a Benzinga reporta de forma independente[1]. Para o Hyperion, supus só juros até dezembro de 2028 e parcelas constantes até 2049. As reportagens do Financial Times estão atrás de paywall, e usei reproduções cruzadas com Reuters, PitchBook e Benzinga. A conta mostra o que a dívida exige, não o que a CoreWeave rende. Este texto descreve preços e hipóteses, e não é recomendação de investimento.

Detalhes da conta

O preço de um bônus sem amortização é a soma dos cupons semestrais e do principal descontados ao yield. Os prazos restantes de 4,75 anos (cupom de 9,75%, vencimento em 2031) e 5,75 anos (cupom de 9,625%, vencimento em 2032) saem da calibração com as cotações do PitchBook: 81,625 para um yield de 15,14% no bônus de 2031 e 79,5 para 15,0% no de 2032. A calibração devolve 81,6 e 79,2.

Bônus de 2031, cupom de 9,75%Bônus de 2032, cupom de 9,625%
607080901008%10%12%14%16%18%20%22%24%yield até o vencimento (% ao ano)bônus de 2031, cupom de 9,75%bônus de 2032, cupom de 9,625%607080901008%10%12%14%16%18%20%22%24%yield até o vencimento (% ao ano)
Figura 3. Preço em função do yield. Os pontos são cotações reportadas: PitchBook (2031: 81,6 a 15,1%; 2032: 79,5 a 15,0%) e Benzinga (2032: cerca de 78 a mais de 15,4%).
YieldBônus 9,75% de 2031Bônus 9,625% de 2032
9,75%100,099,4
12,00%91,790,0
15,00%82,079,2
16,00%79,076,0
18,00%73,570,0
20,00%68,564,7
22,00%63,959,8

Perto de 15%, cada ponto percentual de yield custa 3,0 pontos de preço no bônus de 2031 e 3,2 no de 2032. O yield de 15%, contra um Treasury de 10 anos de 5,19%, dá spread de cerca de 9,8 pontos percentuais, coerente com o CDS de 1.000 pb. Com CDS de 1.000 pb e recuperação de 40%, a probabilidade neutra ao risco de calote em cinco anos é de 56,5%; com recuperação de 50%, é de 63%. É um cálculo meu a partir do CDS, não um número divulgado.

Para o Hyperion (cupom de 6,581%, vencimento em maio de 2049), supus só juros até dezembro de 2028 e parcelas constantes depois. Sob essa premissa, que não vem de nenhuma fonte, o prazo médio é de 14,7 anos e um ponto percentual de yield move o preço em 8,3 pontos.

Preço do HyperionYield implícitoDuração modificada
1056,04%9,1
1006,58%8,9
917,67%8,5
878,20%8,3

A parcela anual da dívida é L × i / (1 − (1 + i)−N), em fração do investimento. O prazo N é a vida útil do ativo; a cobertura é o retorno de caixa r dividido por essa parcela.

Fontes

  1. Benzinga, 16/10/2026: CoreWeave, bônus de 2032, rating da S&P, projeções do BNP Paribas e do Bank of America, composição do backlog
  2. BNN Bloomberg, 15/10/2026: CoreWeave, título de 2031 emitido em abril, queda das ações
  3. Reuters via MarketScreener, 16/10/2026: ações e títulos da CoreWeave na semana, CDS acima de 1.000 pb
  4. IFR, Beignet Investor: emissão de US$ 27,3 bi, cupom de 6,581%, vencimento em 2049
  5. Financial Times, 16/10/2026, em resumos de agregadores (o original é pago): preços de Hyperion, QTS e outros títulos de projeto
  6. The Star (FT/Reuters), 19/09/2026, e TIKR, 23/09/2026: empréstimos do Projeto Jupiter, obrigações contratadas da Oracle
  7. FRED, série DGS10: rendimento do Treasury de 10 anos (5,19% em 14/10/2026)
  8. CNBC, 15/09/2026 (manchete: maior nível desde 2007) e Advisor Perspectives (média semanal de 5,08% no fim de setembro)
  9. Goldman Sachs Exchanges: parcela do capex financiada por dívida; NAI500: spread de ~115 pb dos emissores de IA em setembro
  10. Resumo do debate sobre vida útil de GPUs: Alphabet, Meta, Amazon, Bernstein e Burry
  11. CoreWeave, Form 10-Q de 30/06/2026 (SEC): balanço e resultado do 2º trimestre
  12. TIKR, CoreWeave 2T26: resultado operacional ajustado, backlog e novos compromissos
  13. Fortune, 16/10/2026: contratos take-or-pay, concentração de clientes e argumentos a favor e contra
  14. Gartner, comunicado de 14/10/2026: US$ 8,5 tri de receita necessária contra no máximo US$ 3,6 tri
  15. Quartz, 08/10/2026: OpenAI corrige a receita anualizada para ~US$ 50 bi
  16. Vinod Kothari, análise da estrutura da emissão Beignet/Hyperion (nov. 2025)
  17. PitchBook: cotações dos bônus de 2031 e 2032 da CoreWeave

Texto redigido com assistência de IA (Claude); dados e fontes conferidos em 16/10/2026.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

MEI no Senado: o que foi aprovado e o que os números dizem

MEI no Senado: o que foi aprovado e o que os números dizem

MEI no Senado: o que foi aprovado e o que os números dizem

O Senado aprovou nesta quinta-feira (15/10), por 78 votos a 0, o PLP 186/2026. O texto altera a Lei Complementar 123/2006 em três frentes: sobe o limite de receita do Microempreendedor Individual, passa de um para dois o número de empregados e concede remissão a créditos da União devidos por MEIs. O projeto vai à sanção. Conferi os números contra as matérias da Agência Senado e da TV Senado. Onde a imprensa publicou valores diferentes, indico o que adotei e por quê.

O que o texto prevê

PontoRegra aprovada
Limite anual de receita brutaR$ 81 mil hoje (cerca de R$ 6.750 por mês); R$ 110 mil em 2027; R$ 140 mil em 2028
Início de atividadeR$ 9.166,67 por mês de atividade em 2027; R$ 11.666,67 em 2028 (são os limites anuais divididos por 12)
EmpregadosAté dois, contra um hoje, pagos exclusivamente com um salário mínimo ou o piso da categoria. Em afastamento legal, o MEI pode contratar substitutos em igual número
RemissãoCréditos da União de responsabilidade de MEIs, inscritos ou não na Dívida Ativa, até 13/10/2026
Condições da remissãoRequerimento do MEI; comprovação de desistência das ações judiciais sobre os débitos; pagamento em dia das contribuições que vencerem nos seis meses seguintes à vigência da lei, sob pena de cancelamento. Com a extinção do processo, o MEI fica dispensado dos honorários advocatícios
Compras públicasAtualiza os limites de participação exclusiva de microempresas e empresas de pequeno porte e cria uma nova forma de licitação para MEIs

Fonte: Agência Senado (15/10/2026, 11h28 e 19h32) e TV Senado.

O ND Mais acrescenta que a remissão alcança juros, multas e encargos, inclusive de débitos parcelados ou em cobrança judicial. A Agência Senado não detalha esse ponto.

Na Câmara, o relator, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), apresentou um substitutivo que reuniu o PLP 186/2026 e o PLP 267/2026, ambos do Executivo. Foi aprovado na quarta (14/10); a imprensa registra 461 votos a 4. O projeto do teto tinha sido enviado em junho e não avançara na Câmara até o anúncio do pacote Prospera MEI, em 13/10. No Senado, o requerimento de urgência passou no mesmo dia da votação e o relator foi o senador Carlos Fávaro (PSD-MT).

Conferência dos números

NúmeroValor adotadoObservação
Votação no Senado78 a 0Agência Senado.
Votação na Câmara461 a 4Placar de Revista Oeste e Correio Braziliense; a Agência Senado não informa o resultado.
Limite atualR$ 81 milAlguns veículos escreveram R$ 80 mil, por arredondamento.
Desde quando o limite está parado2016 ou 2018A Agência Senado fala em 2016; o governo, segundo o Poder360, em janeiro de 2018. Uso as duas datas como base nas contas abaixo.
Estoque de dívida inscritaR$ 12,57 bi, 3,6 milhões de MEIsEstimativa do Executivo, na Agência Senado. Os anúncios do governo arredondam para R$ 12,6 bi. Os R$ 12,4 bi e 3,5 milhões de MEIs citados em maio e julho pertencem ao Desenrola MEI, da PGFN, que é outro programa.
Impacto do perdãoR$ 3 bi em três anosEstimativa do Executivo, na Agência Senado e na TV Senado. O Poder360 registra que o parecer não detalha estimativa numérica para o perdão. O valor não é comparável ao estoque nominal.
Impacto do novo tetoR$ 1,57 bi (2027), R$ 3,15 bi (2028), R$ 3,38 bi (2029)Soma de R$ 8,1 bi. Os valores vêm do Poder360, citando o Executivo; as matérias da Agência Senado que li não os trazem.
Teto de R$ 130 mil e renúncia de R$ 50 bi por anoNão se aplicamReferem-se ao PLP 108/2021, outro projeto, que continua na Câmara.

O teto: quanto vale a correção

O limite sobe 35,8% em 2027 e 72,8% em 2028 sobre os R$ 81 mil atuais. Para saber se isso repõe a inflação, corrigi o valor pelo IPCA do IBGE, de 2017 a 2025, mais os 3,95% acumulados de janeiro a setembro de 2026.

Base da correçãoIPCA acumulado até set/2026R$ 81 mil corrigidos
Dez/2016 (ano da lei, segundo a Agência Senado)61,2%R$ 130,5 mil
Dez/2017 (início da vigência, segundo o governo)56,5%R$ 126,8 mil

O teto de R$ 110 mil em 2027 fica entre 13% e 16% abaixo do valor que o IPCA já produz hoje. Para 2028 preciso de projeção. Com os 4,92% (2026) e 4,30% (2027) do Focus de 18/09/2026, o valor corrigido chega a R$ 133,5 mil ou R$ 137,4 mil no fim de 2027, conforme a base. Supondo 4% em 2028, premissa minha, ficam entre R$ 139 mil e R$ 143 mil. Os R$ 140 mil caem dentro desse intervalo. O degrau de 2027 fica aquém da correção; o de 2028 a alcança, com um ano de atraso.

Falta um número para completar a conta: o que o MEI paga. O DAS é fixo. Em 2026, são R$ 81,05 por mês de contribuição previdenciária (5% do salário mínimo de R$ 1.621), mais R$ 1 de ICMS e/ou R$ 5 de ISS conforme a atividade. O total mensal fica em R$ 82,05 (comércio), R$ 86,05 (serviços) ou R$ 87,05 (comércio e serviços), de R$ 985 a R$ 1.045 por ano. Isso dá cerca de 0,9% da receita no limite de R$ 110 mil e cerca de 0,7% no de R$ 140 mil. Já a primeira faixa do Simples Nacional, até R$ 180 mil de receita, tem alíquota nominal de 4% no Anexo I (comércio) e de 6% no Anexo III (serviços). Quem ultrapassa o teto em R$ 140 mil passa a pagar, em ordem de grandeza, de R$ 4,5 mil a R$ 7,4 mil a mais por ano, sem contar ICMS, ISS e regras de transição.

Dessa aritmética decorre uma consequência que o projeto não altera. Mover o teto muda o ponto em que o salto ocorre, mas não o tamanho do salto. Quanto maior a diferença de carga acima da linha, maior o incentivo de permanecer abaixo dela, inclusive fracionando a atividade, e isso vale para qualquer valor de teto. O argumento do governo, na exposição de motivos relatada pelo Poder360, aponta para o outro lado: evitar que negócios saiam do regime só porque a receita nominal subiu com a inflação.

A remissão: o que o número mede

Dividindo R$ 12,57 bi por 3,6 milhões de MEIs, chega-se a cerca de R$ 3,5 mil por devedor (conta minha). Os 3,6 milhões equivalem a um quinto dos 17,56 milhões de MEIs ativos que o governo informa; o relator falou em “mais de 17 milhões”.

O estoque de R$ 12,57 bi é valor nominal de créditos inscritos. O Executivo estima impacto orçamentário de R$ 3 bi em três anos, cerca de 24% do estoque. A Agência Senado não informa como a estimativa foi feita. É razoável supor que descontem o que a União deixaria de recuperar, mas a suposição é minha. Há ainda uma assimetria de abrangência: a remissão cobre créditos inscritos ou não na Dívida Ativa, e o estoque citado conta só os inscritos. A Agência Câmara registrou, em maio, que a inadimplência atingia 6,2 milhões de MEIs em 2024, cerca de 40% dos registros ativos. As duas contagens têm datas e critérios diferentes e não se comparam diretamente. Indicam, porém, que o conjunto de devedores é maior que o de inscritos, e o texto não informa quanto crédito não inscrito entra na remissão.

O desenho tem três filtros: requerimento, desistência de ações judiciais e seis meses de pagamento em dia. Com eles, o benefício se aproxima de uma remissão condicionada, e o filtro da adimplência pode ser cobrado depois, pela perda do benefício. Já a questão de equidade com quem pagou em dia fica sem tratamento no texto. Antes da remissão, o caminho disponível era o Desenrola MEI, que oferece descontos de até 70% e parcelamento em até 145 meses, com adesões até 29/01/2027.

O debate em plenário

A Agência Senado registra apoio de senadores de bancadas diferentes. Izalci Lucas (PL-DF) elogiou o teto e os dois empregados; Tereza Cristina (PP-MS) chamou o aumento de “anseio muito antigo” da categoria; Zenaide Maia (PSD-RN) lembrou o número de mulheres entre os MEIs. Carlos Portinho (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) disseram que o governo usa a atualização com fins eleitorais, e acrescentaram que a atualização é obrigação do governo e está anos atrasada. Fávaro, como relator, descreveu o MEI como política de inclusão produtiva e defendeu o segundo empregado como forma de evitar a migração precoce para estruturas empresariais mais onerosas.

O pacote Prospera MEI foi anunciado em 13/10, doze dias antes do segundo turno. Os dados disponíveis mostram o calendário. Não permitem separar o que é resposta a uma demanda antiga do que é escolha de momento, e não tento fazê-lo aqui.

O que ainda está em aberto

Sanção e vigência. O Diário do Comércio informa que a lei entra em vigor em 1º de janeiro de 2027; não vi essa data nas matérias do Senado. Segundo a Revista Oeste, a ampliação do teto fica condicionada à consideração da renúncia nos Orçamentos de 2027 a 2029.

Compatibilidade fiscal. O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal trata a remissão, expressamente, como renúncia de receita (§ 1º). Para concedê-la, exige estimativa de impacto no ano de início e nos dois seguintes e, além disso, uma de duas coisas: demonstração de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita do orçamento ou medidas de compensação. O § 3º, II, dispensa o cancelamento de débito cujo valor seja inferior ao custo de cobrança. Não sei se o Executivo invocou essa exceção. A média de cerca de R$ 3,5 mil por devedor, por si só, não permite saber se cobrar custa mais que isso. O art. 113 do ADCT, por sua vez, exige que a proposição que crie ou altere renúncia de receita venha acompanhada da estimativa do impacto orçamentário e financeiro. As matérias que li trazem a estimativa (R$ 3 bi em três anos para o perdão) e o condicionamento do teto aos orçamentos de 2027 a 2029, mas não a demonstração detalhada da compensação.

Lei eleitoral. O art. 73, § 10, da Lei 9.504/1997 proíbe, no ano da eleição, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, salvo em calamidade pública, estado de emergência ou programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior. A doutrina discute se a vedação alcança benefícios tributários. Manoel Omena Farias Júnior (2006, no Jus.com.br) sustenta que alcança remissão e anistia, e que a lei que as concede só deve produzir efeitos no ano seguinte ao da eleição; chega a considerar vedado o envio do projeto no ano eleitoral, mesmo com vigência posterior. Pelo Diário do Comércio, a lei do PLP 186/2026 passa a valer em 1º de janeiro de 2027, o que se ajusta à primeira parte dessa leitura. É a posição de um autor, não uma decisão judicial, e não localizei jurisprudência sobre este caso.

Notas de método

O IPCA anual usado vai de 2017 (2,95%) a 2025 (4,26%); 2022 entra com 5,79%, e uma das compilações consultadas traz 5,78%, sem efeito sobre os valores arredondados acima. O acumulado de 2026 até setembro (3,95%) vem do IBGE, na divulgação reproduzida pelo BP Money. As projeções de 4,92% e 4,30% são do Focus de 18/09/2026. Todas as contas de correção, as razões e as médias por devedor são minhas.

Fontes

  1. Agência Senado, Senado aprova aumento do teto para MEI e perdão de dívidas (15/10/2026).
  2. Agência Senado, Projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas chega ao Senado (15/10/2026).
  3. TV Senado, Senado aprova projeto que amplia limite de faturamento do MEI e prevê perdão de dívidas (15/10/2026).
  4. Senado Federal, PLP 186/2026, página da matéria.
  5. Poder360, Senado aprova aumento no teto do MEI e perdão a dívidas.
  6. Revista Oeste, Senado aprova teto de R$ 140 mil para MEI e perdão de dívidas.
  7. Correio Braziliense, Senado aprova por unanimidade PLP que eleva teto de faturamento do MEI.
  8. ND Mais, Senado acelera teto do MEI de R$ 140 mil e perdão de dívidas.
  9. Diário do Comércio, Senado aprova novo enquadramento dos MEIs e perdão de dívidas do setor.
  10. Trademap, Prospera MEI: perdão de R$ 12,6 bilhões e Pix MEI (13/10/2026).
  11. Central do Varejo, Governo lança Prospera MEI.
  12. Diário de Pernambuco, Governo lançará renegociação de dívidas do MEI com 70% de desconto (junho de 2026).
  13. Agência Câmara, Comissão aprova suspensão automática de tributos de MEI após seis meses de inadimplência (12/05/2026).
  14. Lei Complementar 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), art. 14, Planalto.
  15. Câmara dos Deputados, estudo técnico de 24/05/2017, que cita o art. 113 do ADCT (EC 95/2016).
  16. Farias Júnior, M. O. Efeitos do novo §10 do art. 73 da Lei nº 9.504/97 para a administração pública, no que tange a concessões de benefícios tributários. Jus.com.br, 2006.
  17. DAS-MEI 2026: AmdJus. Alíquotas do Simples Nacional: Contmatic e Cora.
  18. IPCA anual: Numerando (IBGE); IPCA de setembro de 2026: BP Money (IBGE); Focus: Meus Dividendos.

Texto elaborado com apoio de IA (Claude, Anthropic) e revisado pelo autor.

PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025): análise técnica.

PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025): análise técnica

PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025): análise técnica

Paulo C. Coimbra · 15 de outubro de 2026, por volta das 16h30 (horário de Brasília)

Situação legislativa por volta das 16h30 de 15/10/2026. A PEC 18/2025 estava na pauta do plenário do Senado, com previsão de votação dos dois turnos na mesma sessão. Até o fechamento, as fontes consultadas não registravam o resultado. Os números entre colchetes remetem às referências no final.

1. Resumo

A PEC 18/2025 inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, estabelece um regime penal mais rigoroso, graduado pela posição hierárquica, para integrantes de facções e milícias e autoriza a criação de polícias municipais [1][2]. A Câmara a aprovou em 4 de março de 2026 [9]. No Senado, a CCJ concluiu a votação em 14 de outubro, e a aprovação em plenário exige ao menos 49 dos 81 votos em cada um de dois turnos [1][2].

Quatro pontos concentram o debate técnico: a repartição de competências entre União, estados e municípios; a fixação de regras penais no texto constitucional; a competência do Congresso para sustar atos do CNJ e do CNMP; e o financiamento, que mudou na CCJ com a supressão do artigo sobre as bets [1][8]. As fontes divergem em alguns detalhes, indicados ao longo do texto.

2. Tramitação e conteúdo do texto

2.1 Câmara dos Deputados

A Câmara aprovou a PEC em 4 de março de 2026, por 487 votos a 15 no primeiro turno e 461 a 14 no segundo [9][15]. O texto é um substitutivo do relator, Mendonça Filho, à proposta que o Executivo enviou em abril de 2025 [4]. A matéria foi levada diretamente ao plenário por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, depois de esgotado o prazo regimental da comissão especial [9]. O relator retirou a redução da maioridade penal, que dependeria de referendo [8].

2.2 O que o texto prevê

  • Susp: entra no artigo 144, com cooperação federativa para a prevenção, a persecução e a execução penal. O sistema existe desde a Lei 13.675/2018 [2][12].
  • Regime penal: novo inciso no artigo 5º, com prisão obrigatória em presídio de segurança máxima, restrição à progressão de regime e a benefícios processuais, possível confisco de bens sem indenização, responsabilização de pessoas jurídicas e proteção a denunciantes [1].
  • Vítimas: dois incisos no artigo 5º garantem proteção, informação, assistência, acesso à justiça e participação no processo penal [1].
  • Polícias municipais: podem ser criadas, de natureza civil, com policiamento ostensivo e comunitário, controle externo do Ministério Público e exigência de acreditação. Fica vedado manter, no mesmo município, guarda e polícia municipal com atribuições sobrepostas [1].
  • PRF e Polícia Federal: a PRF passa a atuar em ferrovias e hidrovias federais, e a PF amplia a competência sobre organizações criminosas e milícias com atuação interestadual ou internacional [1][6].
  • Sistema prisional: cria o Sistema de Políticas Penais e reforça as atribuições das polícias penais na custódia, na disciplina e na segurança dos presídios [1].
  • Financiamento: constitucionaliza o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen); metade dos recursos é repassada a outros entes, e 10% do superávit anual de um fundo ligado ao pré-sal vai para o setor [1][2].
  • Conselhos do Judiciário e do Ministério Público: o Congresso pode sustar atos do CNJ e do CNMP que extrapolem o poder regulamentar em segurança pública, direito penal, processual penal e penitenciário [1].

2.3 Senado Federal

A CCJ aprovou o texto-base em 2 de setembro de 2026 [4]. O relator, Rogério Carvalho, acatou total ou parcialmente 4 das 81 emendas e suprimiu o artigo que destinava receitas das bets aos fundos de segurança [1]. Em 14 de outubro, a comissão declarou prejudicados três destaques, cujos autores não compareceram, e enviou a PEC ao plenário [1][2]. Na noite do mesmo dia, o plenário aprovou um calendário especial de tramitação [3].

3. Aspectos técnicos

3.1 Repartição de competências

O texto original do Executivo colocava como competência exclusiva da União coordenar o Susp, o sistema penitenciário e a defesa social, e definir um plano nacional de segurança pública [8]. A Câmara retirou esse trecho. O texto atual autoriza União, estados e municípios a legislar em conjunto sobre segurança pública, organização de polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo [2], e o Congresso em Foco o descreve como preservando o comando dos governadores sobre as polícias civis, militares e penais e sobre os bombeiros [6]. Segundo o Correio Braziliense, a implementação virá por leis complementares e ordinárias e por pactuação federativa de responsabilidades, repasses e metas [9].

3.2 Matéria penal no texto constitucional

O artigo 5º passa a conter um regime penal mais rigoroso, graduado pela posição de cada integrante de facção, organização paramilitar ou milícia [1]. Segundo a Revista Oeste e o InfoMoney, a PEC determina que a lei fixe as sanções e o regime especial [5][8]. O desenho concreto das penas depende, portanto, de lei posterior.

3.3 Sustação de atos dos conselhos

A Agência Senado cita apenas o CNJ e o CNMP e limita a competência do Congresso a quatro matérias: segurança pública, direito penal, processual penal e penitenciário [1]. A CNN Brasil, ao descrever a versão da Câmara, incluiu também atos do Poder Executivo [10]. As fontes consultadas não permitem conciliar as duas descrições sem o texto da emenda.

3.4 Financiamento

A Agência Senado informa que o texto protege os recursos do FNSP, do Funpen e do fundo da Polícia Federal contra bloqueio, contingenciamento e remanejamento, com ressalva para frustração de receita [1]. A Agência Brasil informa que metade dos recursos do FNSP e do Funpen é repassada pela União a estados e municípios [2]; o Jornal Opção, ao descrever a versão da Câmara, fala em estados e Distrito Federal [12].

A versão da Câmara destinava às bets parte da arrecadação, em percentuais que variam entre as fontes: 30% na Itatiaia, na Exame e em A Tarde, 6% no InfoMoney [8][13][14][15]. A CCJ do Senado suprimiu esse artigo e manteve a destinação de 10% do superávit anual de um fundo ligado ao pré-sal, que a Agência Brasil chama de Fundo Social e a Agência Senado, de Fundo Soberano do Pré-Sal [1][2].

3.5 Polícias municipais

Na CCJ, ficaram prejudicados os destaques que retiravam a exigência de autorização periódica dos conselhos estaduais para essas polícias, tratavam da situação dos agentes de trânsito no Susp e permitiam usar recursos do FNSP em ações das Forças Armadas [1]. Essas três propostas de mudança, portanto, não foram votadas na comissão.

3.6 Alterações no Senado e retorno à Câmara

Uma PEC alterada no mérito pelo Senado volta à Câmara [4][5]. As fontes divergem sobre o texto da CCJ: a Agência Senado diz que o relator alterou o texto da Câmara [1], e a Agência Brasil descreve a aprovação na comissão como sem alterações [3]. As fontes não analisam se a supressão do artigo das bets, isoladamente, exigiria nova votação dos deputados. Aprovada sem alterações de mérito no plenário, a PEC é promulgada, sem necessidade de sanção presidencial [3][8].

4. Divergências registradas

Federalismo. Em fevereiro de 2025, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que a proposta concentra poder no governo federal e impõe regras gerais aos estados [11]. Em abril de 2025, o ministro da Justiça e Segurança Pública à época, Ricardo Lewandowski, respondeu que o Susp, criado por lei em 2018, precisa de base constitucional, porque uma lei ordinária não leva os estados a seguir diretrizes federais [7]. O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, defendeu em novembro de 2025 a integração entre os órgãos de segurança no combate ao crime organizado [16]. Essas falas são anteriores às mudanças feitas na Câmara, e as fontes consultadas não trazem a posição dos governadores sobre o texto atual.

Garantias e controle. A federação PSOL-Rede foi a única a orientar voto contra na Câmara [9]. Segundo o Jornal Opção, defendeu maior protagonismo da União contra o crime organizado e criticou a possibilidade de o Congresso sustar decisões do CNJ [12]. O deputado Tarcísio Motta argumentou, segundo a Exame, que o texto amplia o caráter punitivo da política de segurança e cria interferência política sobre órgãos de controle do Judiciário e do Ministério Público [14]. O relator na Câmara, Mendonça Filho, respondeu que não se trata de suprimir garantias fundamentais, mas de dar resposta proporcional a condutas com dano ampliado [10].

Maioridade penal. A emenda 84, apresentada por senadores, entre eles Rogério Marinho, reduz a idade de 18 para 16 anos e fixa 14 anos para crimes como os hediondos, a tortura, o tráfico, o terrorismo e a organização criminosa; a justificativa diz que facções recrutam adolescentes por causa da inimputabilidade [5]. Na Câmara, o relator retirou proposta parecida, que dependeria de referendo, depois de o presidente da Casa, Hugo Motta, argumentar que o Senado poderia rejeitar o texto inteiro por causa dela [8]. Motta disse que o tema seria tratado em outra PEC, e a base do governo chegou a cogitar obstruir a votação [10]. No Senado, o PL pediu votação em separado da emenda [5]. As fontes consultadas não detalham os argumentos de quem se opõe à redução.

5. Previsão de votação e próximos passos

A previsão é votar os dois turnos na tarde de quinta-feira, 15 de outubro. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou a votação em dois turnos na mesma sessão, e o calendário especial dispensa as sessões de deliberação antes e depois de cada turno [3]. Sem esse calendário, o regimento exigiria cinco sessões de discussão antes do primeiro turno, três antes do segundo e intervalo mínimo de cinco dias úteis entre as votações [1]. O presidente da CCJ, Otto Alencar, quer a votação antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro, e o presidente Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública depois da aprovação [2].

As fontes consultadas não informam o horário de cada votação, não projetam o placar e não indicam nova data caso algum turno não ocorra nesse dia.

6. Limites e pontos em aberto

  • As informações vêm de reportagens e notas de agências. Não li o texto integral da emenda.
  • As fontes divergem sobre o texto da CCJ (alterado ou sem alterações), os percentuais das bets, o nome do fundo do pré-sal, os destinatários do repasse (estados e municípios ou estados e Distrito Federal) e o alcance da sustação de atos (CNJ e CNMP, com ou sem o Executivo).
  • As falas de governadores e do ministro à época são anteriores às mudanças feitas na Câmara.
  • Em aberto: o resultado da votação; o destino das emendas 84 (maioridade penal) e 85 (defesa nacional); a eventual volta à Câmara, se o mérito mudar; e as leis complementares e ordinárias que regulamentarão o Susp e o novo regime penal.

Referências

  1. Agência Senado. CCJ conclui votação da PEC da Segurança; texto vai ao Plenário. 14/10/2026. link
  2. Agência Brasil. CCJ do Senado conclui votação da PEC da Segurança Pública. 14/10/2026. link
  3. Agência Brasil. Senadores aprovam pedido para acelerar votação da PEC da Segurança. 15/10/2026. link
  4. Terra. CCJ do Senado passa PEC da Segurança, e texto vai ao plenário. 14/10/2026. link
  5. Revista Oeste. Senado deve votar hoje a PEC da Segurança Pública. 15/10/2026. link
  6. Congresso em Foco. Senado: relator mantém texto da Câmara para acelerar PEC da Segurança. 26/08/2026. link
  7. Congresso em Foco. Lewandowski rebate governadores sobre PEC da Segurança Pública. 14/04/2025. link
  8. InfoMoney. PEC da Segurança Pública é aprovada pela Câmara; proposta vai ao Senado. 04/03/2026. link
  9. Correio Braziliense. Câmara aprova PEC da Segurança Pública e texto segue ao Senado. 04/03/2026. link
  10. CNN Brasil. Câmara aprova a PEC da Segurança Pública. Março de 2026. link
  11. CNN Brasil. Caiado volta a criticar PEC da Segurança. 27/02/2025. link
  12. Jornal Opção. Câmara aprova PEC da Segurança Pública em primeiro turno. 04/03/2026. link
  13. A Tarde. Câmara aprova PEC da Segurança e blinda verbas contra cortes. Março de 2026. link
  14. Exame. PEC da Segurança: entenda o que muda com projeto aprovado pela Câmara. Março de 2026. link
  15. Itatiaia. PEC da Segurança: Câmara aprova proposta em primeiro turno. 04/03/2026. link
  16. JOTA. Negativa à PEC da Segurança tem viés político, diz governador do ES (entrevista com Renato Casagrande). 24/11/2025. link

Texto elaborado com apoio de IA (Claude, Anthropic) e revisado pelo autor. As páginas da CNN Brasil [10], do Jornal Opção [12], de A Tarde [13], da Exame [14], da Itatiaia [15] e do JOTA [16] foram lidas apenas em trechos retornados pela busca; as demais foram abertas na íntegra. Não houve acesso ao texto integral da emenda, e os pontos em que as fontes divergem estão indicados no corpo do texto.