segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Dentro dos municípios: o que as zonas eleitorais mostram sobre a virada

Uma zona eleitoral é um conjunto de seções de votação, agrupadas pela Justiça Eleitoral, e o resultado de cada uma é público. Isso permite olhar dentro dos municípios, o que as estatísticas por cidade escondem. A pergunta deste post é quanto de informação as zonas acrescentam, e onde.

Pouco sobre o nível, mais sobre a mudança

Medindo a variação da margem Flávio − Lula entre as 6.106 zonas do país, 64% dela é diferença entre UFs, 33% é diferença entre municípios da mesma UF e só 3% é diferença entre zonas do mesmo município. Quem conhece o município de uma zona já sabe quase tudo sobre a margem dela no segundo turno. Para a mudança entre os turnos a divisão muda: 34% entre UFs, 49% entre municípios e 17% entre zonas. O deslocamento tem uma componente local, a uma escala menor do que a do município, que a margem em si não tem.

Parcela da variância da margem (e da mudança), ponderada pelos votos válidos do 2º turno, que cada nível explica.
Margem Flávio − LulaEntre UFsEntre municípios da mesma UFEntre zonas do mesmo município
No 1º turno63%34%3%
No 2º turno64%33%3%
Mudança entre os turnos34%49%17%

Grandes cidades: zonas de lados diferentes

A parcela de 3% é pequena em termos relativos e grande em termos de pessoas, porque as zonas das grandes cidades são enormes. Em São Paulo, a margem no segundo turno vai de −34,0 p.p. (Lula à frente, na zona 372) a +17,1 p.p. (Flávio à frente, na zona 253), e 43 das 57 zonas têm Lula na frente. No Rio de Janeiro a amplitude vai de −40,0 p.p. a +20,5 p.p.; das 49 zonas, 5 passaram de Flávio para Lula. Em Belo Horizonte, que como município foi para Flávio por 1,6 p.p., as 18 zonas se distribuem de −5,7 p.p. a +9,5 p.p., e 5 delas mudaram de lado.

Margem Flávio − Lula no 2º turno em cada zona das oito maiores cidades−60−40−200+20+40margem no 2º turno, p.p. (− Lula à frente, + Flávio à frente)São Paulo (57)Rio de Janeiro (49)Brasília (19)Belo Horizonte (18)Salvador (19)Fortaleza (17)Manaus (13)Curitiba (10)
Cada círculo é uma zona (tamanho proporcional ao eleitorado, até 250 mil); o losango é o município. O número de zonas está entre parênteses. Margem negativa: Lula à frente.
Margem Flávio − Lula no 2º turno (p.p.). Zonas que viraram: Flávio à frente no 1º turno e Lula no 2º.
MunicípioZonasLula à frenteMargem nas zonas (mín. a máx.)ViraramMargem do município
São Paulo (SP)5743−34,0 a +17,18−11,0 p.p.
Rio de Janeiro (RJ)4921−40,0 a +20,55−3,1 p.p.
Brasília (DF)192−12,7 a +18,90+8,6 p.p.
Belo Horizonte (MG)185−5,7 a +9,55+1,6 p.p.
Salvador (BA)1919−56,5 a −23,20−46,5 p.p.
Fortaleza (CE)1717−27,2 a −5,90−20,1 p.p.
Manaus (AM)130+5,2 a +20,50+11,7 p.p.
Curitiba (PR)100+15,0 a +31,80+24,6 p.p.

Onde a eleição ficou apertada

Uma forma de ler as zonas é procurar as de decisão apertada. São 210 as zonas em que a margem do segundo turno ficou a menos de 2 pontos de empate, para qualquer lado: juntas, têm 7,2 milhões de eleitores e 4,5% dos votos válidos do segundo turno. O saldo líquido a favor de Lula, por sua vez, é concentrado: 545 zonas, 8,9% do total, bastam para somar metade dele.

Na página do mapa, o município aberto mostra suas zonas como blocos proporcionais ao eleitorado, coloridos pela métrica escolhida. O arranjo é um esquema: as zonas não têm limites geográficos públicos, e a posição dos blocos não indica onde ficam na cidade.

Ressalva. A zona eleitoral é uma divisão administrativa da Justiça Eleitoral, e seus limites não coincidem necessariamente com bairros. Comparar zonas de um mesmo município descreve os eleitores que votam em cada uma, e não os moradores de uma região da cidade.

Dados: arquivos públicos de divulgação do TSE (totalização por município e zona), 1º e 2º turnos de 2026, lidos em 26/10/2026; os números podem diferir dos resultados finais oficiais se os arquivos forem atualizados. Mapa interativo: https://pauloccoimbra.github.io/mapa-dois-turnos-2026/. Código, dados e metodologia: https://github.com/pauloccoimbra/mapa-dois-turnos-2026. Este texto é descritivo e não partidário: usa apenas totais oficiais agregados por zona eleitoral, sem dados pessoais.

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