quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Flávio 47,03%, Lula 45,16%: o que a geografia do 1º turno diz sobre o segundo turno

Participação, voto cruzado e sensibilidade

Flávio 47,03%, Lula 45,16%: o que a geografia do 1º turno diz sobre o segundo turno

2026-10-07

Uma leitura dos 119,3 milhões de votos válidos do 1º turno presidencial de 2026, por região, estado e candidato eliminado.

Foram 119.300.788 votos válidos no 1º turno. Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 (47,03%); Lula, 53.879.538 (45,16%). A diferença é de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. Os números estão nos arquivos públicos do TSE; o que segue é uma leitura deles, e não uma previsão.

Dois candidatos, 92% dos votos

Lula e Flávio somam 92,19% dos válidos. Os outros candidatos ficaram com 9.316.747 votos (7,81%). O número efetivo de candidatos, que mede quantos candidatos de tamanho igual dariam a mesma concentração de votos, é 2,34: um 1º turno quase bipolar, com uma cauda que importa porque é ela que está em disputa agora.

A conta regional fecha assim

RegiãoLulaFlávioMargem em votos
Nordeste63,8%30,9%Lula +11.095.611
Sudeste39,7%51,4%Flávio +5.662.211
Sul31,3%60,1%Flávio +5.042.624
Centro-Oeste32,6%56,5%Flávio +2.170.393
Norte44,6%49,2%Flávio +458.835
Exterior47,6%43,5%Lula +13.487

Flávio vence em quatro regiões e a soma da vantagem delas é de 13,3 milhões de votos. O Nordeste devolve 11,1 milhões. O saldo de 2,2 milhões é o que sobra dessa subtração. Flávio lidera em 15 estados; Lula, em 12. Os extremos são Piauí (Lula 71,0%, Flávio 24,1%) e Roraima (Flávio 71,1%, Lula 22,9%).

Os estados no fio

O Amapá terminou empatado em 45,7% para cada um, com uma diferença de 225 votos a favor de Lula. Em Minas Gerais, o segundo maior colégio, com 11.976.235 válidos, Flávio teve 48,2% e Lula, 43,3%. No Amazonas, Lula lidera por 3,2 pontos; no Pará, por 5,4; no Tocantins, Flávio lidera por 7,0. São estados em que uma pequena mudança de comportamento altera o vencedor local, embora tenha pouco efeito no total nacional (o simulador do 2º turno trata disso).

Onde a fragmentação é maior

O número efetivo de candidatos varia de 1,78 no Piauí a 2,50 em Goiás. A fragmentação é maior onde a soma de Lula e Flávio é menor, e Goiás é o exemplo: Ronaldo Caiado teve 12,3% dos válidos no estado, seu melhor resultado. Piauí e Roraima, os dois polos da polarização, são os estados em que sobra menos espaço para um terceiro nome.

Quem ficou de fora: 9,3 milhões de votos

CandidatoVotos% dos válidosMaior percentual% dos votos no Sudeste e Sul
Augusto Cury (Avante)3.448.5692,89%AP 4,1%62%
Renan Santos (Missão)2.675.8872,24%SP 3,2%67%
Ronaldo Caiado (PSD)2.605.1482,18%GO 12,3%56%
Zema (Novo)326.4880,27%MG 0,8%84%

A geografia desses votos não ajuda a adivinhar o destino deles. O percentual de Renan Santos acompanha a margem de Flávio entre os estados (correlação de 0,51): ele foi melhor onde Flávio é mais forte. Para Caiado e Zema a correlação é baixa (0,27 e 0,32), e para Cury é quase nula (0,12). Descrever onde esses eleitores votaram no 1º turno não é medir para onde irão no 2º.

Brancos e nulos

Foram 2.300.798 votos em branco (1,84% do comparecimento) e 3.669.003 nulos (2,93%), 4,8% no total. A proporção é mais alta na Paraíba (6,3%), em Alagoas (6,2%) e em São Paulo (5,9%), e mais baixa em Roraima (2,2%). Esses votos não entram no cálculo do percentual dos candidatos.

O que esperar da leitura

O 1º turno descreve um país em que a margem nacional vem de uma subtração entre regiões grandes e opostas. Qualquer mudança no 2º turno virá de três lugares: da migração dos 9,3 milhões de votos dos eliminados, da retenção de quem votou nos dois finalistas e de quem comparecer a mais ou a menos. Os outros textos desta série tratam de cada um.


Para explorar os números: a página Perfil do voto do site Apuração 2026 traz as tabelas completas, gráficos e controles. Dados do TSE (resultado do 1º turno de 04/10/2026, 100% das seções); análises calculadas a partir deles. Texto de 07/10/2026.

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